Relacionamento e Sexualidade

Aceitando a homossexualidade

Autora: Dra. Deusa Samú (psicóloga clínica hospitalar)

“A pior situação que podemos viver é passar toda uma existência sem nos dar o devido amor e respeito, fazendo coisas completamente diferentes do que sentimos. Se não nos aceitarmos, quem nos aceitará? Se nós não nos amarmos, quem nos amará? Somente optando pelo autorespeito é que conseguiremos o respeito alheio.” – Hammed _ Os Prazeres da Alma _ cap. Respeito / médium: Francisco do Espírito Santo Neto

Nossa conversa continua… A pauta da vez é trocarmos uma ideia sobre aceitação da nossa sexualidade. Para isso , precisamos falar de aceitação de forma ampla porque para nos aceitarmos em qualquer campo, exige reflexões sobre a cultura na qual estamos inseridos. Nesse sentido é interessante lembrarmos que somos espíritos em experiência na carne e que não há acaso, ou seja, nascemos num determinado pais e numa determinada família porque assim foi planejado.

Portando, a forma de expressão do nosso espírito poderá se encaixar naquele contexto ou não. E a administração desse encaixe ou o nosso “jeitão” de nos adequar, é aquilo que no Espiritismo chamamos de prova. Portanto, usemos uma história que cabe bem como ilustração:

Certa vez, atendi Maria que abominava homossexuais, drogadictos (dependentes de drogas) e negros. Tinha duas filhas, duas adolescentes lindas para as quais Maria planejava um futuro que se enquadrasse nas suas expectativas, como: casamento, uma formação acadêmica e netos.  Mas uma das filhas se declarou lésbica aos 14 anos, deixando Maria e todo o restante da família chocada. No entanto, a moça enquanto espírito se mantinha imperturbável na sua auto-aceitação e, mesmo incomodada pelas posturas familiares, não abria mão de assumir-se assim . E isso, com o passar do tempo, impeliu as pessoas  a reverem seus próprios conceitos e tenderem à aceitação.

Percebo um grau de sofrimento grande em todos os homossexuais que atendo no que diz respeito ao sentir e isso não há como camuflar. Portanto, é claro que a maneira como nossos pais nos conduzem, em relação a qualquer área em que nos expressemos enquanto espíritos reencarnados, irá refletir de forma decisiva na nossa segurança em nos administrar em todos os campos da vida.

De qualquer maneira, retornando ainda a crença de que não há acaso, devemos reverenciar àquelas pessoas que, mesmo inseridas em culturas complexas e famílias inflexíveis, se mantêm firmes nos seus propósitos de serem pessoas de bem e do Bem.

Precisamos desconectar a ideia de sexualidade sempre atrelada a escândalo ou à imoralidade. Afinal, dignidade, retidão de caráter e beleza d’ alma não esta relacionado à condição sexual. Lembremos: para os outros nos aceitarem, é imprescindível que nós nos aceitemos. Afinal, a máxima do Cristo é “amar ao próximo como a si mesmo”. Ame-se, aceite-se e todo o resto é consequência.

Fala MEU! Edição 69, ano 2008
Palavras Relacionadas