Análise de Filmes e Livros

Agora é a vez dela: Lois Lane

Autor: Edgar Egawa

No texto sobre personagens inspirados em Jesus, cito o filme Superman, de 1978. Cito as características que fazem um paralelo entre o Homem de Aço e o Cristo. Entre essas características, está a presença de Lois Lane, que faz o papel de Maria Madalena nessa interpretação.

Como reforço as características no texto que analisa esse filme em especial (Clark, o  super médium), eu cito novamente essa relação entre o amor do Super Homem e Maria Madalena. Essa relação, na verdade, se torna mais evidente no segundo filme.

Há uma clara atração entre ambos, demonstrada pela narração em ‘off’ durante o primeiro vôo que ambos fazem juntos, e pelo gesto de quase contar a verdade a ela depois de reaparecer como Clark.

A interpretação de Super Homem e Lois Lane como Jesus e Maria Madalena formando um casal é inspirada na teoria de que Ele sobreviveu à crucificação e viveu o resto de seus dias anônimo, ao lado de Maria Madalena. Mas a base desse filme está na obra A última tentação de Cristo, do grego Nikos Kazantzakis, e que deu origem anos depois ao filme com o mesmo título.

Em uma viagem às cataratas do Niágara, Lois começa a desconfiar de que Clark é o Super Homem disfarçado. E para comprovar sua teoria, ela se joga nas corredeiras, esperando que o colega se transforme no super herói para salvá-la. Ele o faz, disfarçadamente. Mas quando voltam ao hotel, ele tropeça e se apóia na fogueira. Lois tenta ajuda-lo, mas quando vê a mão sem queimaduras, percebe que estava certa.

Ele a leva para a Fortaleza da Solidão, abre mão de seus poderes e conhece as dores dos mortais comuns, enquanto um trio de malfeitores de seu planeta natal domina a Terra.

Isso faz com que ele decida voltar e tentar recuperá-los. Graças ao cristal verde que o guiou ao Pólo Norte e construiu a Fortaleza da Solidão, ele consegue e enfrenta o general Zod e seus capangas.

A atitude que ele toma no final desse filme nos faz refletir sobre a conciliação entre uma vida familiar e a missão que temos que cumprir. Nos registros canônicos (o Novo Testamento), não consta que Jesus tenha constituído família (esposa e filhos). São citados apenas pais e irmãos. Mas o delírio que ele tem em A última tentação fala justamente sobre o que aconteceria se ele tivesse constituído uma família e abandonado sua missão.

Quando Lois conversa com Clark, comparando-o a um médico, que pode ser chamado no meio da noite para salvar uma vida (só que com o agravante da identidade ser secreta), ele percebe que está destinado à solidão, pois sua amada não está preparada psicologicamente para arcar com a responsabilidade de guardar tal segredo.

Sabemos que grandes missionários constituíram família e muitas vezes foram ajudados por seus pares a cumprirem suas missões, como no caso, de Lázaro Zamenhof, criador do esperanto, e de sua esposa.

Em outros casos, como o de Francisco de Assis, ele abriu mão de seu amor por Clara para criar a Ordem dos Franciscanos. Não tenho conhecimento suficiente para saber se o gesto de imitá-lo foi fruto da compreensão do que se passava com o amado, ou do desconsolo pela perda do noivo.

Outros, como Pedro, abriram mão de suas famílias para propagar o Evangelho.

Nós temos exemplos de missionários dentro do meio espírita que optaram por não constituir família, para se dedicarem melhor à causa, como Divaldo Pereira Franco e Francisco Cândido Xavier, que não teve esposa, mas adotou um filho.

É claro que é possível conciliar objetivos de vida com a vida familiar, desde que haja compreensão mútua e, se possível, apoio do marido ou da esposa. No filme Efeito Borboleta, percebe-se o quanto influenciamos no meio que atuamos, por mais estreito que seja o nosso círculo de relações.

E no caso de Jesus e do Super Homem, suas omissões têm um efeito dominó devastador, pela abrangência de seus atos e pensamentos.

Fala MEU! Edição 40, ano 2006
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