Reforma Íntima

Amar: Verbo transitivo, intransitivo e defectivo

Autor: Rogério Coelho

“O meu mandamento é este: Que vos ameis uns  aos  outros,  assim como eu vos amei.” – Jesus.  (Jo., 15:12.)

Gramaticalmente o verbo “amar” é transitivo direto.

Já Mário de Andrade, escritor brasileiro (18931945), dizia que é intransitivo.

Hermínio C. de Miranda, afirma que é também verbo defectivo.

Tanto a gramática, como Andrade e Miranda estão certos, embora – paradoxalmente – estejam dizendo coisas diferentes…  Tudo depende do ponto de vista.

Também a palavra “alma” pode ser entendida de três maneiras distintas como no-lo ensinou Kardec1:

1 – Princípio da Vida material;

2 – Princípio da Inteligência;

3 – Ser que antecede e sobrevive ao corpo somático.

Como dizíamos, tudo depende do ponto de vista…

Voltemos ao verbo “amar”:  trata-se gramaticalmente de verbo transitivo direto porque ele exprime uma ação que passa ou transita do sujeito a um objeto direto.

Andrade está certo porque ele – figurativamente – pode ser intransitivo, vez que o amor é algo que podemos sentir independentemente de qualquer ação. É defectivo, conforme asserto de Miranda, porque não pode ser conjugado no passado, pois o amor sempre “é” e nunca “foi”, pois quem ama nunca deixa de amar.

Quando alguém diz que “deixou” de amar, na verdade nunca amou realmente, mas simplesmente deixou-se levar por sentimentos de posse, ou desbordou-se pelas malhas da paixão ou coisa que o valha; o que equivale a dizer: sentiu tudo menos amor no sentido lato.

Quando em sua feliz e abençoada expressão2, João diz que “Deus é Amor”, podemos avançar ainda mais e afirmar que o Amor, além de ser verbo transitivo, intransitivo e defectivo, é também: Ser e substantivo.

Não foi sem motivo que Jesus colocou o amor como alicerce principal de Sua Doutrina.

Assim, podemos entender porque Paulo de Tarso exaltou tanto o amor, colocando-o num pódio acima até mesmo da fé e da esperança, vez que destas três virtudes teológicas que restam, o amor é a mais excelente.

Reconhecendo a importância do verbo “amar” em nossa Vida, e no contexto existencial, só nos resta, perguntar à nossa própria consciência:

“Já aprendemos a conjugá-lo em todos os tempos e modos?”

Referências:

1 – KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 88.ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 2006, Introdução – Tomo I 2 – João, I. 4:8.

Fala MEU! Edição 80, ano 2009
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