Opinião

Amizade

Autor: Thiago Rosa – Fala MEU! Edição 54, ano 2007

Diferenças existem e isso todo mundo sabe e é bem perceptível conforme nossas afinidades. Já falamos sobre “conviver com as diferenças” no Fala Meu! quando cobrimos o evento da COMELESP deste ano que tinha este tema como assunto principal. Passado algum tempo e sem querer ser repetitivo, hoje começo a analisar as diferenças sobre um outro aspecto: a questão da amizade.

Como é que se cria um laço de amizade? Existe fórmula para se ter um bom amigo? Aliás, existe bom amigo? Até que ponto o seu amigo é bom ou ruim?

Quando se fala em amizade, as pessoas ficam com o pé um pouco atrás, sinal de receio. Há aqueles que digam que amigos verdadeiros se contam nos dedos de uma única mão.

Mesmo assim há aqueles que se acham infelizes por não se sentirem amigos de ninguém, ou por não acharem amigos que se alinhem na característica que definem como “bom amigo”.  Daí se cria aquele ar sempre de desconfiança, o isolamento do mundo, a infelicidade eterna de não se sentirem rodeados de gente e a procura incessante de variados tipos de pessoas que possam ganhar o cargo de “melhor amigo”, principalmente com o currículo de acordo com uma novela, um conto de fadas ou mesmo um filme de infância. Sem contar quando se perde todas as esperanças no ser humano e parte para colocar todos os créditos de amizade na figura doce de um animal de estimação. Coitado, não pode nem expressar algum sentimento, quanto mais falar. Animal é mais fácil, você ordena, cria nele os personagens ideais, coloca o nome e só curte realmente a sua presença quando bem entender.

Digo tudo isso para mensurar a necessidade desta figura tão importante em nossas vidas: o amigo. Parece até uma declamação de música ou poesia; um conto de um livro ou alguma qualquer hipocrisia, afinal falar de amigo é tão simples, fácil e dinâmico. É comum! Porém, se não existem fórmulas para se criar amigos perfeitos, existem meios que se valorize a relação apaixonante de uma amizade em diversos meios que ela possa surgir: seja no ambiente do trabalho, na escola, no curso, na vila, na Internet, na mocidade, no seu lar…

Estes dias mesmo tive a pachorra de imaginar, com meu intenso orgulho, que seria interessante minha falta hoje na vida das pessoas. Me sinto amigo de muitos, penso eu! Não sei se sou mesmo, mas tento criar vários laços. Em um pensamento meio doentio, vejo que se desencarnasse hoje, talvez muitas pessoas sentiriam minha falta. Será que chorariam por mim? Quantos iriam lembrar do Thiago presente em suas vidas? Qual o vazio que deixaria na vida de outrem? Quantas fotos não ficariam na lembrança saudosa? E quantos não se pegariam pensando em mim em diversos momentos de suas vidas? Que orgulho mais infame este! (Ainda bem que teremos agora em setembro a COMECAP que irá abordar este assunto.)

Mas em relação ao amigo, este ser fálico como qualquer outra espécie humana, quanto será que não lhes despejamos pretensões de nos servir? Será que não estamos enaltecendo tanto alguém que um dia possa faltar? É bom esperarmos tanto assim dele?

Vejo que o movimento espírita hoje é formado especialmente por um grupo de amigos. Que fazem o que fazem principalmente na preservação deste sentimento e na busca constante de valorizar esta relação. Se não existisse este respeito, este comprometimento uns com os outros, provavelmente não existiria a necessidade deste trabalho. É o nosso combustível, o nosso ímã que nos atrai e faz termos mais vontade de sermos obreiros voluntários. Sem esta amizade, não seria possível a realização de diversos eventos em prol dos jovens e provavelmente nem teríamos um objetivo a ser alcançado. É pela amizade que descobrimos a força e o empenho que existe dentro de nosso íntimo. E, incrivelmente ligado à isso, vejo que é também na amizade que se cria este laço de amor, validado por qualquer indiferença que existe em relação entre as diferenças de cada individuo. O bom amigo é realmente aquele que enxerga, além de tudo, a pessoa que realmente você é. É um namoro eterno.

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