Reforma Íntima

“Amo, logo existo” – um ensaio para a verdadeira felicidade

Autor: Daniel Doretto

Autor do tema escolhido para a COMELESP 2008 fala sobre este “amor” existencial

Para aqueles que vivem nos grandes centros urbanos ou mesmo em uma cidade de porte médio já deve ter presenciado ou ter ouvido (aliás sempre estas histórias são a maior parte dos diálogos por ai) a seguinte narração:

“Um cliente na fila do supermercado começou a gritar com a pessoa do caixa e reclamar do preço da carne. Gritava tanto com o coitado do caixa que nem tinha culpa de nada… deu até policia”

Mais tarde na tentativa de entender a situação o dono do supermercado, uma pessoa sensível e honesta analisa as fitas de vídeo que registravam as imagens de todo o supermercado no momento do ocorrido:

Enquanto o cliente gritava com a pessoa no caixa, na seção de congelados um cliente escondido realizava uma ligação, com certeza foi ele quem chamou a policia pelo 190. Enquanto isso na sessão de guloseimas um cliente discretamente abria um pacote de bolachas para pegar algumas “emprestadas” e em seguida devolver o mesmo cuidadosamente na gôndola. Algumas pessoas passavam perto como se nada acontecesse e outras observavam a cena, umas até chocadas e com esboço de um pequeno sorriso. Houve até uma que ensaiou entrar na discussão, mas não entrou. E outras tantas agiram de maneiras similares.

Nestes momentos o nosso elevado senso crítico capaz de definir culpados de inocentes entra em ação com a sentença e ideias de devidas punições, até em nível espiritual para cada ser que participou do ocorrido. E como nestes momentos nos enchemos de elevada sabedoria colocamos até mais uma ordem de serviço na caixa de entrada de Deus: Senhor, daí a cada um segundo suas obras.

Realizamos em segundos uma análise do que cada um deve ter passado em sua vida para chegar a este ponto, fazemos a ligação com a atitude presente e definimos seu destino fatal.

E para termos certeza que estamos certos neste julgamento preparamos um dossiê com citações de frases milenares, trechos da obra Kardequiana, Sun Tzu, Bíblia, Maquiavel, de ditadores históricos, aquelas frases de papel de bala, frases de pára-choque de caminhão, trechos de músicas, etc.

Estaríamos então em uma situação muito confortável já que temos todo o conhecimento universal a nosso poder não é? Estaríamos garantindo a nossa… opa… espera… quem é aquele ali?

O dono do supermercado encontrou mais alguém na gravação. Quem pode ser?

Não, não é o Elvis e muito menos um grupo de pessoas dançando a dança do Siri.

Ah, é você caro leitor… você está lá! O que será que ele vê… qual é a sua atitude?

Bom, mas o que esta história tem a ver com o temário “Amo, logo existo – Um ensaio para a felicidade”?

Todos os dias passamos por diversas situações e no mundo que vivemos hoje o dia-a-dia se torna quase uma guerra onde a cada hora uma nova batalha é iniciada. Tudo começa pela manhã quando acordamos e tem dias que nem gostaríamos de fazer isso né? Entramos no ônibus e isso às vezes é uma missão. Chegamos ao trabalho ou na escola e o peso das atividades juntamente com a mecânica do relógio que parece sempre andar contra, nos esmaga. Nos trabalhos da mocidade sempre falta tempo para melhorar as coisas e muitas vezes falta até pessoas para isso.

Não nos interessa leitor saber como você age perante os fatos que te rodeiam, pois muitas vezes somos o homem bravo do caixa, agimos escondidos com medo de mostrarmos nossa cara como o da seção de congelados, aproveitamos da situação, outras somos apenas espectadores, rimos das desgraça alheias e fingimos que não estamos vendo.

Quantas vezes agimos igual ao caixa que sofre a humilhação e aceita calado. Não estamos tratando aqui das questões trabalhistas, mas sim da nossa atitude passiva e covarde.

Quantas vezes ficamos com vontade de dizer algo a alguém e não dissemos? Voltamos para casa e passamos dias e até anos ensaiando a resposta. Construímos a imagem da cena, preparamos a ação e nunca tomamos coragem para realizá-la. Como aquelas situações difíceis que passamos e não nos sai da cabeça. Passamos anos com algo entalado na garganta, temos vontade de gritar. E como o tempo e a vida encarnada andam juntos aqui na Terra a pessoa se vai e nós continuamos com o texto não pronunciado vagando em nossa mente.

Atracamos nossos sonhos em portos imaginários. Terceirizamos nossa felicidade: “quando eu tiver…”,”quando eu for…”. Quando moramos na cidade achamos que morar no interior é melhor, porque a qualidade de vida é melhor. Quando moramos no interior queremos ir para a cidade porque teremos melhores oportunidades.

Como você não sabe o que é iPod? Você não tem um computador? Não posso viver sem Internet!

Até que chegamos ao “Dia do chega”. Não é feriado nacional, estadual nem municipal. É o dia em que cansamos da nossa vida controlada e ao mesmo tempo sem controle. É a mãe que pede divórcio sendo que até ontem estava tudo certo (aparentemente), é o jovem que ao perder a namorada se joga na frente de um ônibus na Avenida Paulista. É o ponto aonde você chora de raiva. É o momento em que seu coração está tão apertado que parece que não vai conseguir continuar batendo. Ou você explode ou implode.

Imagina se você começasse a dizer tudo o que você sente, qual seria a reação das pessoas a sua volta?

Não estou falando de sair gritando e ofendendo as pessoas por aí, mas sim se você fosse sincero ao ponto de colocar para fora o que sente de verdade, o que acha de cada um e o que pensa sobre determinado assunto.

É a falta de algo que nem sabemos o que é. A saudade de quem não conhecemos. Vivemos perdidos entre carros, fios e sinais e nos perguntamos: Quando o Amor vai chegar?

Não é difícil notar que a maioria das pessoas quase nem acredita no Amor (de uma olhada nas livrarias e veja a quantidade de livros sobre o assunto). Alias a maioria de nós parece fugir dele. Quantas vezes já ouvimos ou mesmo dissemos: “Ninguém sabe o que é o Amor” ou “Eu não falo que amo alguém, pois esta palavra é muito forte”. Quantas vezes já culpamos alguém pelo amor não correspondido? Em muitos pontos no estudo da doutrina espírita e de outras linhas de pensamento vemos que nossa finalidade é a evolução através do Amor. Jesus indicou que deveríamos amar ao próximo como a nós mesmos. Será que estamos destinados a lutar por algo que nunca alcançaremos? Como sentir o Amor Divino se não avançamos no Humano?

É importante frisar aqui que não estamos falando somente do relacionamento entre duas pessoas, estamos falando do Amor no dia-a-dia. Estamos falando desta vontade que temos de viver, mesmo estando vivos.

É importante frisar aqui que não estamos falando somente do relacionamento entre duas pessoas, estamos falando do Amor no dia-a-dia. Estamos falando desta vontade que temos de viver, mesmo estando vivos.

Trataremos desde a finalidade de estarmos vivos até a construção de nossa personalidade, principalmente onde podemos começar a ter uma vida feliz, direcionada para o que queremos ser e mostrar realmente ao mundo que nos cerca.

Será uma oportunidade de pesarmos o que realmente vale. O que realmente pode nos ajudar a ter uma vida mais feliz e principalmente colaborar para a nossa jornada rumo ao que tanto sentimos necessidade de atingir: o Amor.

Existimos devido ao Amor de Deus por todos nós e é impossível fugirmos ou negarmos nossa própria criação. E se conseguirmos sentir este Amor poderemos dar um maior valor a nossa existência, livre de necessidades fúteis e objetivos vazios. Amo, logo existo!

Até a COMELESP.

Fala MEU! Edição 55, ano 2007
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