Infância e Família

Aprender com o que interessa aos pequenos

Autor: Djair Galvão Freire

Educadores, pais e todos aqueles que lidam com o universo infantil, no mínimo suspeitam que uma revolução linguística se processa na garotada de alguns anos para cá. Não precisa ser estudioso do assunto para perceber que um conjunto de nomes estranhos foi incorporado ao vocabulário deles – os exemplos vão desde o clássico mundo de Harry Potter aos robôs montados com peças Lego do desenho Bionicle. Claro que a fantástica saga criada por J.R.R. Tolkien, da célebre trilogia O Senhor dos Anéis, não ficaria fora dessa sequencia de expansão linguística que há anos está a caminho em nossas casas, nas escolas e no mundo infantil e adolescente.

Quem vê nessa verdadeira invasão linguística um problema ou algum tipo de atraso, está realmente perdendo uma oportunidade de entender como o processo pedagógico pode se apropriar dessa ferramenta – a expansão vocabular – para aumentar o interesse dos pequenos pelo aprendizado. Aliás, qualquer pessoa minimamente familiarizada com os processos de ensino e aprendizagem sabe que se aprende aquilo que interessa. Não é à toa que encontramos no Brasil pessoas com larga carga de conhecimentos sobre futebol – uns dissertam longamente sobre times, jogadores e gols ocorridos há anos. O que interessa, sabemos, fica.

Portanto, se o seu filho anda falando demais em elfos, hobits, dragões, escolas de magia, vassouras Nimbus, mutantes como os da saga X-Men e tantos outros,não estranhe. O ideal é se aproximar desse mundo e teremos à mão uma chance de utilizar esse linguajar para aumentar o interesse deles por outras linguagens, as mais tradicionais dos livros e dicionários.

Vakama, Makuta, Toa Hordika, Nokama, Matau, Metro Nui e tantos outros que compõem o universo do desenho futurista de Bionicle fazem companhia a nomes como Hogwarts, Azkaban, Pedra Filosofal, Valdemort e, claro, os Potter e seus amigos.

Aprender esses e outros nomes é importante para ter o que conversar com eles, além de ser uma oportunidade de abrir caminhos para aumentar o interesse deles por coisas que farão parte das suas vidas de adultos.

Afinal, a ideia de que as crianças aprendem brincando não foi mera teoria que os especialistas em educação vêm repetindo há décadas. E vale lembrar que quem tem alguma ligação com a educação e o conhecimento não deve fazer de conta que não tem mais o que aprender. Quem leciona tem obrigação, sim, de se inteirar desse mundo que não tem volta, pode nunca ir parar nos livros didáticos, mas que já está na cabeça deles há tempos.

Fala MEU! Edição 35, ano 2006