Opinião

Ciclo da vida e a evolução…

Autor: Luiz Trindade

Este mês eu estava pensando durante a semana santa sobre o que escrever para o FM!, e foi numa aula de mocidade que encontrei o tema deste mês.

Ao chegarmos à aula, o professor (reservo-me o uso do termo, pois ele é merecido) deu nos um papel e pediu-nos que escrevêssemos dois objetivos: um para nós como seres humanos e outro para nós como espíritos em evolução. Como muitos não entenderam o que ele quis dizer com aquilo, explicações foram pedidas acerca do segundo objetivo. “Pois bem! Pensem em um objetivo para vocês realizarem daqui a 400 anos.” Como todo bom aluno, pensei um pouco e escrevi algo no papel, que seria lido apenas por ele.

Contudo, o que me deixou intrigado foi a extrema dificuldade em conseguir visualizar o que eram 400 anos. Tentei de várias maneiras: estrada, varal, escada, etc. Nada funcionou de maneira convincente. Após o término da aula, refleti sobre o assunto e fui buscar informações em fontes com mais conhecimento que eu. O que relatarei aqui foi o resultado de algumas conversas que tive com alguns ex-professores meus e também com outros espíritas.

O ser humano, no estágio evolutivo em que se encontra, não consegue fazer projeções muito amplas, sejam elas para frente ou para trás. O exemplo mais claro que veio à minha mente foi o das aulas de geologia. Mesmo que os livros e os professores de geografia se esforcem para tentar fazer-nos enxergar o que eram as eras geológicas, não é possível sua compreensão plena. Aquele famoso exemplo que compara a idade da Terra a uma pessoa de 45 anos de idade deveria provocar desespero nas pessoas que o ouvem.  Entretanto, nós não conseguimos abstrair a ponto de enxergar as reais proporções.

Fazendo um paralelo com o espiritismo, encontro aí a causa de minha indagação. Espíritos não tão evoluídos quanto nós não têm o desenvolvimento da mente suficiente para abstrair a ponto de visualizar 400 anos (a Terra é um mundo de provas e expiações). Mas, se considerarmos nossa vida inteira, como conseguimos viver quase 100 anos (as próximas gerações conseguirão viver mais se o planeta resistir) sem nos darmos conta disso? Assim como fez para tantos outros entraves da vida, o homem “inventou” uma solução para tanto. Criou ciclos repetitivos dentro desse ciclo maior chamado vida para que ele pudesse visualizá-lo de forma concreta. Temos como exemplos o ano, as estações do ano, os meses, as semanas, os dias, as horas, os minutos, os segundos.

Assim, torna-se mais fácil para o homem organizar suas tarefas e também concentrar suas energias. Quantos de nós fazemos planos anuais e nem nos damos conta de que se passaram vários anos após um momento de reflexão mais profundo? Esse método é muito útil para que nós mantenhamos nossas vidas organizadas. Mas, o que trago aqui é um desafio. Proponho que nós tentemos, de agora em diante, ampliar a cada dia nossos horizontes. Não nos contenhamos mais somente aos “sub-ciclos” da vida para renovarmos nossas forças, refletirmos sobre nossos atos, ou para reavaliarmos nossa índole. Façamos isso constantemente, pois, o contínuo confunde-se com o todo quando olhado por uma perspectiva mais macro.

Fala MEU! Edição 50, ano 2007
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