Análise de Filmes e Livros

Cine – ótica espírita

Autor: Edgar Egawa

Todos os tipos de Arte criados e desenvolvidos desde o inicio da trajetória humana na Terra têm refletido ou transcendido o espírito de cada época a que estão ligados seus expoentes ou simples representantes. Assim foi da Antiguidade Clássica para a arte Gótica, representativa da Idade Média, e desta para o Renascimento, o Barroco, o Romantismo, o Realismo e o Modernismo . A religião, a filosofia, a psicologia, os sistemas econômico e político vigentes na época da produção das obras de arte estão entre os fatores que influenciam as características estéticas e literárias do período.

Isso acontece com o cinema também. Ele reflete o período em que o filme é realizado, ou busca refletir sobre a época retratada, como em filmes como Nascido em 4 de julho e Platoon, que retratam a Guerra do Vietnã, ou os diversos filmes de época, como os faroestes e filmes sobre o Império Romano . Os filmes de ficção científica se prestam a metáforas da época em que são realizados, como Blade Runner e O Exterminador do Futuro, que retratam uma difícil convivência entre humanos e máquinas – reflexo da intensa substituição de mão de obra humana . O inverso, depois de um período de adaptação, é retratado em filmes como AI – Inteligência Artificial, e O Homem Bicentenário

Mas você, que é espírita, se pergunta o que isso tem a ver com Espiritismo.

O cinema, como o livro, a pintura, a escultura, a obra arquitetônica, são produtos culturais. E como tal, pode ser analisado e entendido à luz da Doutrina . Temos exemplos de relações diretas, como em Ghost, O Sexto Sentido, Os Outros, para citar os mais famosos e explícitos. Mas como O Espiritismo não trata só dos fenômenos mediúnicos, há muitos outros temas presentes nos filmes, na Doutrina e na vida .

A caridade, o amor ao próximo, a vingança, o orgulho, o desenvolvimento espiritual, a pena de morte, o arrependimento e a expiação dos erros são alguns dos assuntos que são abordados nas películas e nas obras kardequianas, de Emmanuel, André Luiz, Bezerra de Menezes…

Podem ser abordados de forma mais ou menos explícita, de maneira tendenciosa(de forma a garantir a adesão do assistente à visão do cineasta) ou o mais isenta possível. O filme todo pode ser sobre um tema que consideramos espírita, ou apenas algumas cenas. Ou o título pode ser multifacetado e apresentado de tal maneira que um desatento cinéfilo espírita pode não perceber à primeira vista as relações entre a obra e o Espiritismo.

Algumas obras desta lista podem parecer forçadas à primeira vista. Alguns dos filmes abordados podem ser entendidos à luz da Doutrina metaforicamente, como Por um fio.

Fala MEU! Edição 29, ano 2005
Palavras Relacionadas