Reforma Íntima

Complexo de inferioridade

Autor: Marcelo Lobato

“Venho dizer-lhes que elevem a sua resignação ao nível de suas provas, que chorem, porquanto a dor foi sagrada no Jardim das Oliveiras; mas, que esperem, pois que também a eles os anjos consoladores lhes virão enxugar as lágrimas.” – O Espírito da Verdade (O Evangelho Segundo o Espiritismo – cap. VI)

O que é? Quando e como surge? Quais são suas causas? Que limitações podem trazer para os jovens? Questões como essas podem nos fazer entender como e porque esse fenômeno se manifesta.

O complexo de inferioridade se caracteriza por um rebaixamento na auto-estima, que é a forma como a pessoa se vê, interna e externamente. Tende a manifestar-se com mais intensidade na adolescência por ser um período próprio de insegurança para o jovem, pois esse é o momento da vida onde ele ainda está formando sua identidade, ou seja, buscando o seu lugar no mundo.

O jovem que sofre desse complexo, apesar das qualidades que possui, sente-se inferior aos outros, feio, incapaz, etc. Essa visão distorcida de si mesmo, quando muito elevada, provoca o complexo de inferioridade.

No aspecto físico, o jovem apresenta-se com aparência desleixada, postura curvada, olhar sem brilho e para baixo, voz vacilante, não encara ninguém nos olhos. Já no aspecto psicológico o jovem apresenta insegurança, ansiedade, timidez, isolamento, culpas, vergonha. Tudo isso pode levar a processos de fuga, tais como: álcool, drogas, sexo em desequilíbrio e em casos mais extremos pode levar ao suicídio.

Quais são suas causas?

O Espiritismo nos explica que o complexo pode ter se iniciado na atual reencarnação, mas também podem ter origem nas existências anteriores. (E.S.E. cap. V).

Na atual vêm de um deficiente desenvolvimento psicológico, frequentemente causado por traumas infantis, agressões sofridas e também uma educação repressora, onde os pais não incentivam nem apoiam seus filhos e ainda menosprezam ou desvalorizam tudo que eles fazem, a criança então passa a ter medo de se manifestar por receio das represálias e de perder o amor dos pais, esse medo irá persistir até a adolescência.

Já quando sua origem está nas vidas passadas, há maior gravidade. A Doutrina Espírita nos ensina que vivemos muitas existências e que as experiências difíceis e traumatizantes das vidas anteriores não superadas, podem levar o jovem a desenvolver o complexo na vida atual. Joana de Ângelis explica no livro “Adolescência e Vida”, psicografado por Divaldo Pereira Franco que no período da adolescência o Espírito começa a retomar sua verdadeira personalidade e suas tendências boas e más começam a manifestar-se, ou seja, é nesse momento que os conflitos começam a acontecer.

Como vencer o complexo de inferioridade?

Na questão 258 de “O Livro dos Espíritos”, os Espíritos superiores respondendo a pergunta de Allan Kardec dizem que somos nós mesmos que escolhemos o gênero de nossas provas. Isso quer dizer que, dispondo do livre arbítrio, planejamos vencer essas dificuldades porque já nos encontramos preparados.

O Espiritismo oferece ao jovem uma proposta de crescimento e melhora através do autoconhecimento – conhecer suas limitações e potencialidades –, do desenvolvimento da fé, do amor próprio e da prática da caridade.

Jesus ensinou a amar ao próximo como a nós mesmo, isto é, buscar em nós a medida do amor que já existe em nosso íntimo e praticá-lo através da caridade. A prática da caridade é o remédio que cura qualquer sentimento de inferioridade, pois nos mostra, através dos atos, o quanto especial nós somos, a nossa natureza espiritual e ao mesmo tempo divina. Lembremos sempre, somos Espíritos imortais, em experiências abençoadas de aprendizagem, cada momento é importante para nossa evolução. Nos momentos mais difíceis, lembremos as palavras de Jesus: “Voz sois a luz do mundo, fazei brilhar a vossa luz”, ou seja, acreditar em si mesmo, desenvolver os potenciais criativos que existem em todos nós, amar-se profundamente e nunca esquecer as palavras de Emmanuel: “Deus é pai misericordioso e amoroso e como tal, jamais pune seus filhos, pelo contrário educa-os”.

Chorar, desistir ou ficar se lamentando, não deve ser a postura do espírita, somos filhos do altíssimo, e como tais, herdeiros do universo.

Fala MEU! Edição 62, ano 2008
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