Assuntos Diversos

De um lado para o outro

Autor: Ricardo Tchobnian

Nos tempos atuais onde cada segundo se mostra precioso, corremos de um lado para outro numa tentativa frustrada de atender a todos os compromissos supostamente inadiáveis. Deixar qualquer um deles faria toda diferença. Isto é o que pensamos! Até que ponto isto é verdade?

Há compromissos derivados de nossas obrigações, como trabalhos do colégio, preparação para as provas ou até obrigações profissionais para aqueles que já trabalham. Por outro lado, há compromissos gerados a partir daquilo que gostamos como é o caso das festas, baladas, viagens, “ficadas”, namoros, esportes ou qualquer outro tipo de hobby.

Por causa desta correria constantemente nos encontramos cansados. Quando não fisicamente, mentalmente. Aos domingos, pela noite, nos mostramos esgotados e já preocupados com a semana que se começa sem termos repousado o suficiente. Questionamo-nos até do porquê de passar tão rápido e de parecer que nada fizemos, quando na verdade ocupamos praticamente todo o tempo livre com diversas atividades, inclusive aquele sono durante o dia.

Se você se sente assim então saiba que não é o único!

O que podemos fazer para reverter esta situação provinda da falta de repouso físico e mental?

O espiritismo, que é o cristianismo revivido, sugere algumas dicas a partir da sua literatura que engloba o Antigo e o Novo Testamento bem como tudo aquilo que foi escrito a partir das obras básicas. Da mesma maneira que Jesus aprimorou a Lei Judaica dando origem ao Novo Testamento, o espiritismo, consolador prometido, esclarece aquilo que não ficou muito claro devido ao uso de linguagem alegórica – como é o caso das parábolas, por exemplo. Vamos então analisar duas breves citações que se complementam do Novo Testamento. Uma de Paulo de Tarso, o apóstolo de Jesus que propagou o cristianismo para todo o mundo, e outra de Jesus na ocasião em que subia ao monte para declamar o maior poema de todos os tempos para a humanidade.

Em Coríntios 10:23 encontramos: “Todas as coisas são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas são lícitas, mas nem todas as coisas edificam”. Paulo, o psicógrafo de Jesus, nos sugere que não existe o certo nem o errado, o sagrado nem o pecado, mas sim que há aquilo que nos convêm e aquilo que não nos convêm.

E o que nos convêm afinal? Convém-nos a felicidade, porém incondicional. Felicidade esta que se mantém aconteça o que acontecer. Que não depende de quaisquer fatores externos provindos do apego a pessoas, posições sociais, aquisições materiais – tudo aquilo vinculado à posse e ao ego. Para alcançarmos este estado elevado de espírito dependerá daquilo que cultivarmos em nossos corações.

Em Mateus 6:19-21 encontramos: “Não ajunteis para vós tesouros na terra; onde a traça e a ferrugem os consomem, e onde os ladrões minam e roubam; mas ajuntai para vós tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem os consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. Porque onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração”. Jesus nos sugere a não perdermos tempo com o mundo do ego, mas sim a cultivamos o amor residente em nossa centelha divina através da caridade, da verdade, do trabalho, da compaixão, da abnegação, dentre outras inúmeras virtudes.

Portanto, esta é uma oportunidade de reflexão sobre o que temos feito de nossas vidas, os lugares que de um lado para o outro temos frequentado, as pessoas com quem temos convivido. Os tipos de tesouro que temos ajuntado e finalmente; as consequências de tudo isso.

Fala MEU! Edição 63, ano 2008
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