Análise de Filmes e Livros

Do sofrimento à alegria

Autor: Edgar Egawa

Imagine uma cidade em outro plano de existência, onde uma parte de seus habitantes têm como objetivo causar pavor em crianças para gerar a energia necessária para abastecer uma usina que fornece energia elétrica à tal cidade. Os produtores, roteiristas, dubladores e o diretor imaginaram: trata-se de Monstros S.A.

Mas e se substituirmos os monstros da usina por espíritos sofredores e malévolos e a geração de energia por obsessão e desejo de vingança? Teremos, então, a descrição de uma cidade do umbral, em tons de comédia.

As crianças, fonte da energia que sustenta a cidade de Monstros S.A., também são vistos como O Inimigo: aqueles que não podem invadir o plano de existência daqueles que lhes causam sofrimento. Assim como no caso dos espíritos socorristas que volta e meia invadem o umbral para resgatar aqueles que estão fartos dessa rotina de vícios e perseguições.

No caso, a invasora é uma menina apelidada por Sulley, o maior operário da “fábrica”, de Bu! e precisa ser escondida por ele e seu parceiro de trabalho, Mike, até conseguirem localizar a porta do armário dela.

No caso, a invasora é uma menina apelidada por Sulley, o maior operário da “fábrica”, de Bu! e precisa ser escondida por ele e seu parceiro de trabalho, Mike, até conseguirem localizar a porta do armário dela.

Após muitas peripécias e a descoberta que o dono da fábrica e o seu maior rival no placar da fábrica eram cúmplices em um plano para sequestrar as crianças para garantir fonte inesgotável de energia, finalmente Bu! vai para casa e sua porta é destruída no plano de existência dos monstros.

Durante a jornada, surge o afeto do monstro pela menina, o que o faz sentir saudade dela, mesmo depois de aparentemente ter causado tantos problemas. E quando Sulley é obrigado a mostrar sua faceta assustadora, fazendo-a chorar, o vínculo entre eles o faz perceber seu ganha pão de outra maneira. Ele imagina, a partir da reação de Bu!, quantas crianças fez sofrer ao longo de sua carreira. E, intimamente, não quer mais fazer isso.

A convivência com Bu! fez com que se percebesse que a crise energética que a cidade sofria com a mudança no perfil das crianças poderia ser sanada mudando-se o foco, gerando e armazenando as risadas delas, em vez dos gritos de susto e choros.

Monstros S.A. pode, dessa forma, ser entendida como uma metáfora da evolução espiritual, com a compreensão de que alcançaremos nossos objetivos não causando sofrimento, mas distribuindo alegria ao nosso redor.

Fala MEU! Edição 55, ano 2007
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