Infância e Família

Educar para educar

Autora: Silvia Aparecida Machado

O tema tem ganhado cada vez mais ênfase nos nossos dias, seja em termos gerais que dizem respeito ao grande número de crianças, jovens e adultos que estão tendo acesso a ela, (já que não é mais destinada aos mais favorecidos, como se dizia, a elite). Há muitos anos essa imagem da educação ficou ultrapassada, como também ficou mal entendida, ultrapassando o seu verdadeiro sentido. Muitos ainda confundem educação do indivíduo como ser individual, com a educação dos bancos escolares.

Antes de tudo, precisamos entender que educar é estimular o indivíduo a procurar, a despertar a sua consciência para a busca da sua perfeição, facilitando assim o seu progresso integral, moral e intelectual. E aqui, cabe a família o seu grande e valioso papel.

A educação se difere da instrução. A instrução é a transmissão de conhecimentos, de conteúdos prontos, que a escola convencional tem feito mais ou menos segundo as circunstâncias.

Eu, como educadora, tenho sentido uma grande transformação na formação das crianças e dos jovens. Os vejo, na sua grande maioria, sem muitas perspectivas de ideais, de realizações… Sabemos que todos tendem a evoluir e nunca regredir, mas as transformações têm surgido a todo vapor, nos dando a impressão de não termos tempo e o devido preparo para essas mudanças. A ajuda mútua se faz necessária!

A família sempre teve e sempre terá um papel importante na formação do indivíduo. Precisamos tomar consciência disso. A criança, o jovem é responsabilidade dos pais desde que o mundo é mundo; não podemos jogar esta responsabilidade para as escolas, para as babás, para as “tias”, para o mundo.

Educação e Instrução – vamos entendê-las, para uns ajudarem aos outros. Vamos todos fazer a nossa boa parte; somos todos responsáveis, em nossos lares, na escola, na casa espírita, no clube, nas ruas…

Estava estes dias me questionando sobre as mudanças de comportamento dos meus filhos, dos meus alunos na escola, dos meus “alunos” no centro espírita, quando de repente, na sala dos professores me deparo com um cartaz colocado naquele dia falando da Educação. E qual não foi minha surpresa quando comecei a lê-lo.

A mensagem é da Fundação Roberto Marinho, e começa assim: ‘Quando um homem morre é como uma biblioteca inteira se incendiasse’ (antigo provérbio africano).

Se você leu até aqui, continue. Por educação. Porque educação é a única maneira de nós todos continuarmos. Educação é tudo na vida. Quando você diz bom dia é educação. Quando você aprende a ler ou a voar é educação. Quando você planta uma árvore ou deixa de jogar poluentes nos rios e mares é educação.

Quando você passa por um museu, um teatro, um templo, um lugar histórico e entende o que significa é educação. Educação é o maior patrimônio de um ser humano. Porque educação não é só aprender a ler e escrever. Educação é estar aprendendo o seu próprio país e o mundo.

E, neste processo, aprendendo sobre você mesmo. Muito mais. Educação são 165 milhões

perguntando quem somos e para onde vamos. E descobrindo a magia e o poder das respostas. Quem tem educação, tem muito mais do que um país, tem uma nação.

‘E quando cada ser humano nasce, é como se uma biblioteca inteira começasse a ser construída’. É um processo que não termina nunca, e que se chama futuro. Educação é tudo.

Vamos pensar com carinho, refletir e verificarmos se todos nós estamos fazendo a nossa parte.

“Não existe educação verdadeira sem elevação Moral” (Dora Incontri)

 Sobre a autora: Sílvia tem 50 anos e é professora de química da rede pública estadual e municipal de São Paulo. Ela também é orientadora de pré-mocidade dentro do centro espírita.

Fala MEU! Edição 32, ano 2005

 

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