Assuntos Diversos

Esperanto

Autor: Edgar Egawa

O esperanto, como as línguas nacionais, tem uma personalidade que caracteriza seus falantes, ao mesmo tempo em que se presta a difundir quaisquer ideias.

É o caso da relação entre o idioma e as religiões, ou a negação delas. Desde os agnósticos e ateus as religiões orientais até as diversas correntes do Cristianismo. Nesse contexto se insere a relação entre o Espiritismo e o esperanto.

Este serve como canal de comunicação e de divulgação da Doutrina. Através de traduções da literatura espírita, os esperantistas tomaram conhecimento dela e puderam analisá-la e eventualmente aderir a ela.

Como a grande maioria dos títulos é em português, dificilmente veríamos essas obras traduzidas para línguas como japonês, polonês ou sueco por um nativo desses povos. Mesmo em relação ao francês, idioma em que foram lançadas as obras de Kardec, o esperanto teve que “dar uma força”: o Livro dos Médiuns foi traduzido para o japonês através da versão no idioma de Zamenhof.

Assim como os estudiosos dessas línguas em nosso país é uma minoria, às vezes limitando-se aos círculos acadêmicos e às comunidades étnicas, o mesmo ocorre nos outros países em relação ao português.

O esperanto, por sua vez, está em todos os continentes. Tem representantes em 105 países, 93 associações nacionais e 71 especializadas, além dos clubes esperantistas locais. Dos 1700 delegados especializados inscritos até o começo de abril, 38 eram espíritas, sendo dois do exterior (um da Espanha e outro). Dessa maneira, torna-se um importante meio de divulgação de qualquer filosofia, inclusive a espírita, assim como a internet.

Neste caso, existe sempre a sombra da desatualização, além de nem sempre dispor de pessoas capacitadas para fazer versões em outros idiomas (geralmente o inglês), o que restringe a divulgação aos falantes do português.

O árabe, que é uma língua milenar, ganhou recentemente uma tradução do Livro dos Espíritos, enquanto o esperanto a obteve sessenta anos antes. Por quê?

Não haveria por acaso um integrante da comunidade árabe interessado em traduzir essas obras, ou alguém dessa etnia que tenha se tornado espírita e tivesse capacidade de fazer tais traduções?

Existem, é claro, versões de diversas obras espíritas para o inglês (considerada pelo senso comum a nova língua universal) e o espanhol, mas não tenho como atestar a qualidade de suas versões, em especial das obras básicas – nesse caso, os tradutores tem que ter profundo conhecimento do idioma do qual o livro será traduzido e da língua para a qual serra feita a versão. E um erro de interpretação pode levar a mal entendidos entre o público alvo desse tipo de obra.

Graças ao esperanto, o espiritismo foi introduzido em lugares como a Polônia, Hungria e Albânia. O Conselho Espírita Internacional está traduzindo a Revista Espírita para o idioma.

Em países como França, Estados Unidos e Japão, muito se deve aos imigrantes brasileiros a divulgação do espiritismo nesses lugares (apesar da primeira ser o berço da Doutrina).

Enfim, o esperanto é uma ferramenta valiosa para que o mundo tenha acesso às diversas ideologias – sejam elas políticas, filosóficas ou religiosas.

Por isso, não precisa fazer concessões. Pelo contrário: o esperanto se beneficia, tendo seu catálogo enriquecido pelas obras espíritas.

Mas para que não haja uma visão distorcida da Doutrina, os esperantistas devem igualmente se dedicar ao estudo do Espiritismo, e dessa maneira ter critérios mais seguros para selecionar as obras a serem traduzidas para o idioma internacional.

Fala MEU! Edição 75, ano 2009
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