Doutrina Espírita

Espiritismo, educação da alma

Autora: Teresinha Olivier

Quando falamos em Educação, logo pensamos em crianças e jovens. Eles é que precisam ser educados.

E pensamos também em escola.  A escola tem a função de educar as crianças e os jovens. Será que é assim mesmo?

Num certo sentido, isso é verdade, mas, para o Espiritismo, a palavra Educação tem um sentido muito mais abrangente. E tem várias definições. Vejamos algumas: Educação é toda influência exercida por um Espírito sobre outro, no sentido de despertar um processo de evolução.

Essa definição tanto se aplica à criança e ao jovem na escola como abrange uma realidade muito maior, envolvendo pessoas de todas as faixas etárias e em diversas circunstâncias, como veremos.

Vejamos esta outra definição de Educação: Educar é elevar, estimular a busca da perfeição, despertar a consciência, facilitar o progresso integral do ser.

Nós vemos que essa definição, tanto quanto a outra, abarca a todos nós, independentemente de idade e de qualquer outra condição.

O Espiritismo nos ensina que a infância, a juventude e a velhice são situações passageiras e estão condicionadas às fases do corpo físico e não se referem ao Espírito. O Espírito, enquanto encarnado, preso às injunções da matéria, necessita passar por essas condições importantes ao seu aprendizado. Mas como Espírito, não é criança e nem velho. É Espírito.

Nós devemos fazer uma distinção entre Educação e instrução. Instrução é aquisição de conhecimentos sobre determinadas áreas do saber. Educação é aquisição de valores que nos  transformarão perante a vida, perante o semelhante, perante a Criação Universal.

Todos nós encarnamos aqui na Terra com a finalidade principal de darmos mais alguns passos na nossa jornada evolutiva. Estamos aqui para crescer, espiritualmente falando, e só iremos consegui-lo através da reformulação do nosso modo de pensar, de sentir, de falar e de agir. E isso conseguiremos com a aquisição de valores elevados através da educação no sentido amplo da palavra.

Relembrando Kardec: “Há um elemento que não se ponderou bastante, e que sem o qual a ciência econômica não passa de teoria: a educação. Não a educação intelectual, mas a moral, e nem ainda a educação moral pelos livros, mas a que consiste na arte de formar os caracteres, aquela que cria os hábitos, porque educação é conjunto de hábitos adquiridos.” (O Livro dos Espíritos – q 917 – Lei do Trabalho).

Somente houve um processo educativo quando houve a mudança de comportamento para melhor. Senão, o que aconteceu foi simplesmente aquisição de conhecimentos a respeito de algum assunto, a instrução sobre determinada coisa, mas não aconteceu a educação. E o Espiritismo, quando bem estudado, bem compreendido e bem assimilado oferece as condições para o aprimoramento progressivo do comportamento, para a aquisição de hábitos saudáveis para o corpo e para a alma.

Ainda Kardec: “Mas não se chegará a esse ponto (progresso da humanidade) se não se atacar o mal pela raiz, ou seja, pela educação. Não essa educação que tende a fazer homens instruídos, mas a que tende a fazer homens de bem. A educação, se for bem compreendida, será a chave do progresso moral”. (L.E. – q 685 Progresso Moral).

O Espiritismo, portanto, trata da educação integral do ser, a educação que visa tanto a existência presente, como a vida espiritual, as encarnações futuras e o destino para o qual fomos todos criados: a perfeição espiritual relativa a que todos somos suscetíveis.

A educação integral desenvolve as potencialidades da alma. Segundo Leon Denis, devemos desenvolver três potências em nossa evolução espiritual: Amor, Sabedoria e Vontade.

Nessa afirmação vemos a necessidade de nos educar, dirigindo a nossa vontade, tanto no campo do aprimoramento do sentimento como no campo do desenvolvimento da inteligência. A educação moral e intelectual, do sentimento e da razão acham seu fundamento natural e profundo na certeza da imortalidade da alma, na reencarnação, na lei de causa e efeito, no livre-arbítrio, na evolução ininterrupta da alma.

Os princípios fundamentais do Espiritismo, mais as leis morais são um roteiro seguro para aquele que quiser realmente vencer as amarras da inferioridade, da ignorância e do sofrimento, porque estão fundamentados nas leis universais.

Herculano Pires, no seu livro Pedagogia Espírita, diz:“O Livro dos Espíritos é um manual de Educação Integral oferecido à humanidade para a sua formação moral e espiritual na Escola da Terra.”

A Doutrina Espírita nos fornece as ferramentas para nos encaminharmos ao encontro da educação que prepara o homem, tanto para ser um homem do mundo, pois é aqui que ele está vivendo no momento, mas também prepara o Espírito imortal que ele é, para a vivência de sua espiritualidade e do seu processo evolutivo; revela-o um Espírito reencarnado, com bagagem que traz de suas múltiplas existências, bagagem essa que pesa ora para o lado negativo, ora para o positivo, resultado de suas experiências passadas; esclarece-o que, segundo as leis divinas, ele tem liberdade de ação, com a responsabilidade de arcar com as consequências naturais de suas escolhas; encaminha-o na busca da evolução espiritual que depende de suas conquistas, tanto no campo moral como no intelectual; o Espiritismo demonstra-lhe que sua responsabilidade aumenta na proporção do seu entendimento das leis maiores que regem a sua vida, ou seja, quanto mais ele souber, maior será o grau de responsabilidade perante seus atos; enfim, a doutrina Espírita ensina que somos os construtores do nosso destino e, a cada dia, estamos plantando a fim de colhermos em futuro próximo ou distante.

No Livro dos Espíritos, vemos uma resposta do Espírito da Verdade onde ele diz: “Espíritas, amai-vos, eis o primeiro mandamento e instruí-vos, eis o segundo.”

O Espiritismo encarado, não simplesmente como mais uma religião que vem se somar às muitas já existentes, mas como um meio de educação dos Espíritos imortais que somos todos nós, nos oferece as ferramentas necessárias para nos conhecermos e trabalharmos em nós, em primeiro lugar, aquilo que deve ser reformulado e modificado para melhor.

Como consequência natural, a nossa melhoria individual se refletirá no meio em que vivemos, estimulando, principalmente em nossos familiares e amigos, a curto ou longo prazo, mudanças de paradigmas e comportamentos.

Como um encaminhamento natural das coisas, ou pela força das coisas como disse Kardec, esse comportamento se fará sentir na sociedade, porque cada um de nós atua na sociedade e leva para ela o seu modo de ser, de sentir, de pensar e de agir.

Allan Kardec disse que o Espiritismo veio para trazer mudanças na sociedade através de seus princípios fundamentais. Mas esses princípios precisam ser bem compreendidos e bem assimilados ao modo de ser de cada criatura que assume a doutrina como sua filosofia de vida, e não apenas como uma fachada que ela exibe a fim de impressionar ou iludir a si mesma e aos outros.

Para que a Doutrina Espírita atinja realmente os objetivos entrevistos por Kardec, não pode ser abraçada de forma superficial, mas é fundamental que seja estudada profundamente, e esse estudo é permanente.

Na família, na profissão, nas relações sociais, em qualquer lugar e em qualquer hora o compromisso do adepto sincero do Espiritismo é de ser um elemento de influências positivas, um polo de transformação do ambiente. O espírita deve fazer transparecer seu esforço sincero e honesto em ser melhor a cada dia.

Como disse Kardec: “Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que faz em dominar suas más inclinações”.

Educação, tanto para os fins da vida presente, quanto para as metas eternas, deve ser uma ação que desperte as forças da alma. Deve se dirigir ao sentimento e à inteligência, deve formar pessoas saudáveis do corpo e da alma.

Este trecho do livro Educação segundo o Espiritismo, de Dora Incontri, nos leva a valiosas reflexões.: “A essência do Espiritismo é a Educação. Ao contrário de outras correntes religiosas que têm um caráter salvacionista, a Doutrina Espírita, com seu tríplice aspecto – científico, filosófico e religioso – pretende promover a evolução do homem e essa evolução é um processo pedagógico. A educação do Espírito é o cerne da proposta espírita”.

Fala MEU! Edição 78, ano 2009
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