Entrevistas

Francis Lobo- Organização da COMJESP 2006

Autor: Rodrigo Prado e Thiago Rosa

Francis Lobo, diretor do Departamento de Mocidade Espírita do Estado de São Paulo, em entrevista,  comenta sobre a COMJESP em Rio Claro

Após cinco anos, como que você vê a realização deste evento aqui em Rio Claro, a COMJESP 2006?

Francis: Uma das coisas que consigo identificar como principal acontecimento da COMJESP em 2006 é ver o estado de São Paulo unido. Uma das coisas que lutamos nestes cinco anos de trabalho foi a unificação das assessorias num trabalho em conjunto. Estamos ainda encontrando bastantes dificuldades, mas o trabalho como todo saiu graças ao esforço das assessorias, graças ao esforço do estado todo.

A proposta do evento de tratar sobre a educação do sexo deve ser alcançada?

Francis: É um tema que, quando recebemos a proposta achávamos se tratar de um assunto ultrapassado e que as pessoas já estavam acostumadas a falar e que não teria uma repercussão tão grande assim. A partir que começamos a trabalhar o tema, a levá-lo para as prévias e trabalhar com nossas mocidades, nós percebemos o quanto a proposta é importante, o quanto ela ainda é distante e o quanto nós precisamos aprender ainda.

Como você vê o futuro do jovem espírita diante de um sucesso desta COMJESP

Francis: Se cada um daqui sair com uma proposta de vida nova, reconhecendo que precisa transformar muita coisa, começar a fazer um trabalho íntimo, juntando esforços, conseguindo amar o próximo, somar os esforços, com certeza nós teremos um movimento espírita muito melhor. E já estamos tendo pelo esforço que conseguimos juntar nestes anos todos e nós percebemos o quanto valeu a pena, o quanto foi importante

Você acredita que as pessoas que vieram aqui possam sair mais transformadas, com uma ideia diferente de quando entraram?

Francis: Com certeza.  Pode ser que isso não seja de imediato, pode ser que de repente isso venha acontecer ao longo do processo dentro de cada um. Mas só de ver a alegria estampada nos olhos e o brilho no olhar de cada jovem, acreditamos que valeu a pena todo o esforço, todo o trabalho que  foi desenvolvido, toda a estrutura que foi organizada para que o evento acontecesse, com a finalidade de que a COMJESP comece amanhã (após o término do evento). Ela está encerramento hoje, mas que ela comece amanhã dentro de cada um.

A homosexualidade é um tema que está muito em discussão, muito debatido ultimamente no meio espírita. Este tema aqui está sendo proposto com preocupação? É necessário falar disso agora já que o espiritismo nunca debateu com tanta ênfase sobre esse assunto, ainda mais em um evento deste porte?

Francis: Eu acredito que dentro do assunto sexo, nós iremos encontrar diversos assuntos que ainda não são falados. Um deles é a homossexualidade que foi trabalhada aqui e muito bem trabalhado. A nossa finalidade como espíritas e até mesmo como monitores do trabalho COMJESP, e o trabalho de dentro das mocidades espíritas não é falar de sim ou não, ou condenar quem realmente pensa ou deixa de pensar, a nossa proposta maior é trabalhar a questão do preconceito e a diversidade de convivência, ou seja, nós estamos vivendo em um mundo onde estamos enfrentando situações diárias, encontrando com pessoas e este é um grande exercício para que nós possamos pensar novamente de como que nós estamos agindo na nossa sociedade como espíritas que somos, trabalhando este preconceito que nós encontramos e vemos todos os dias acontecendo com as pessoas. Então a proposta que foi colocada na COMJESP é para que o jovem possa perceber que vive em um mundo onde diversas coisas acontecem ao redor dele. Para que ele possa pensar melhor nas diversas situações que de repente enfrenta e mudar seu pensamento diante de tantas outras coisas. Não estamos aqui para condenar quem pensa a respeito de sim ou não com o tema homossexualidade, porém mostrar pra ele o que é o sexo, o que de repente ele pode fazer com esta energia sexual criadora que a gente tem dentro de nós mesmos e começar a mudar seu pensamentos.

Existiram muitos obstáculos para realização deste evento? E eles foram superados com sucesso?

Francis: Os obstáculos acontecem desde quando nós começamos a pensar no evento. Quando se começa a pensar no evento começamos a ver tudo aquilo que pode não dar certo. Mas acreditamos que o grupo pensa muito mais que isso. Quando as pessoas acreditam, elas se juntam e não é a escola que de repente vai faltar alguma coisa, a estrutura física ou as viagens que temos que fazer a todo instante para nos encontrar, porque estamos em um estado muito grande, mas todos estes pontos foram trabalhados muito bem. Uma COMJESP acontece com mil pessoas e é difícil falar que não tem problemas. Todos os problemas que acontecem, nós já esperávamos que fossem acontecer. Porém estamos tentando trabalhar para que isso não aconteça nas próximas, que de repente daqui a 5 anos, em 2011, a cidade sede possa ter mais estrutura, possa fazer organizações para melhor atender o jovem e que possa recebê-lo melhor.

Fala MEU! Edição 38, ano 2006