Conscientização

Eu era feliz e não sabia

Autor: Leandro Soares

De acordo com a resolução CONAMA 306:2002: “Meio Ambiente é o conjunto de condições, leis, influência e interações de ordem física, química, biológica, social, cultural e urbanística; que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas”.

Encontra-se na ISO 14001:2004 a seguinte definição sobre o mesmo: “Circunvizinhança em que uma organização opera, incluindo-se: ar, água, solo, recursos naturais, flora, fauna, seres humanos e suas inter-relações”.

Uma organização é responsável pelo meio ambiente que a cerca, devendo, portanto, respeitá-lo, agir como não poluente e cumprir as legislações e normas pertinentes. Para aqueles que não saibam, uma organização é uma combinação de esforços individuais que tem por finalidade realizar propósitos coletivos. A sociedade, ou seja, cada um de nós faz parte dessa união e temos o dever de zelar pelo nosso patrimônio maior: a natureza.

A sociedade como um todo é responsável pela preservação do meio ambiente, então, é preciso agir da melhor maneira possível para não modificá-lo de forma negativa, pois isso terá consequências para a qualidade de vida da atual e das futuras gerações. Já imaginou abrir a torneira e não ter água para lavar as mãos, consumir, tomar banho? E o pior: não será por falta de pagamento de contas. Será por irracionalidade dos seres viventes julgados os mais racionais do planeta.

OK! Tudo isso você já sabe, certo? Então, como você contribui para diminuir a degradação do nosso meio ambiente? Ah, não faz nada?! Por que não implanta um sistema de coleta de lixo reciclável no seu edifício ou vizinhança? Já pensou em fechar a torneira enquanto escova os dentes? E diminuir o tempo gasto no banho? Colocar um filtro no seu carro para diminuir a emissão de gases poluentes é caro demais? Caro será o preço a ser pago quando todos esses recursos que temos nas mãos tornar-se um déficit planetário.

No exato momento em que você lê este artigo há pessoas com sede e sem água para beber. Pode parecer estranho afirmar que a água doce – a água potável do planeta – está atingindo níveis críticos quando praticamente 80% de sua superfície é coberta por água. Porém, nem toda esta água é potável. Grande parte da água que encobre o planeta é salgada. E, ainda, grandes partes das reservas de água doce estão sendo poluídas: através dos esgotos domésticos e industriais não tratados, do uso indiscriminado de agrotóxicos na agricultura; desperdiçadas: através da irrigação de plantações, mau uso de água tratada; ou, ameaçadas: ocupação de áreas de mananciais, desertificação de regiões desmatadas. E sabe quem provoca tudo isso? O Homem. Nós. O ser mais evoluído na cronologia da evolução humana!

O ar de 70 pontos de São Paulo/SP foi avaliado este ano. Conclusão tirada: nossos pulmões estão em apuros. Em 56 locais, os índices de poluição ficaram acima do recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). A situação é pior em casas noturnas, bares e grandes avenidas – locais mais populosos e com menos correntes de ar.

Pra ser sincero, eu sei que todo esse assunto de meio-ambiente, preservação, reciclagem… é uma chatice para muitos. Minha intenção não é formar “experts” em Ecologia, muito menos dar dados de quanto de água potável ou matas virgens ainda dispomos para você usar no trabalho de ciências. Isso é um grito por SOCORRO! Por que sei que nossos atos degradantes vão destruir famílias, gerações, animais, vidas. Porque não quero ter medo de sentir sede, não quero respirar o mesmo ar que muitos outros países e populações têm escolhido levar para dentro deles. Quero gozar de boa saúde, respirar um bom ar, ter uma mata para desbravar e, no fim dela, encontrar uma cachoeira com águas cristalinas e me banhar. Quero comer uma fruta fresca retirada do pé. Quero olhar para cima e ainda ver que o céu é azul – não cinza. E, acima de tudo, quero que meus filhos, netos e bisnetos tenham o mesmo direito que eu tive enquanto “eu era feliz e não sabia…”.

Fala MEU! Edição 74, ano 2009
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