Opinião

Falsa modéstia!

Autor: Felipe Piccirillo

…não, que isso, não é nada demais!

…nem sou tudo isso!

…eu não consigo nada sozinho

…bobagem!

…assim você me deixa encabulado.

…é só um trabalhinho, nada fabuloso.

Muitas pessoas maldizem a falsa modéstia, sem considerá-la o mínimo possível. Descartam! Desprezam. Como se fosse fácil para uma pessoa orgulhosa dizer que o sucesso de alguma coisa não está vinculado somente a ela mesma, apesar de ela achar que realmente está!

Observando de um ponto de vista pessoal do “pecador”, realmente não é fácil atribuir algum sucesso a outras coisas que também contribuíram para qualquer vitória.

Não seria então a “Falsa Modéstia”, um treinamento para a humildade? Ou será apenas que as pessoas estão passando a entender que a humildade é a chave dos segredos para a felicidade e estão tentando usá-la de modo “inteligente” para que possam ganhar algum mérito?

Engraçado é que ninguém costuma comentar muito quando as pessoas não atribuem seus sucessos a mais ninguém. Todos pensam, “Oh, Mas ele é capaz de tudo isso sozinho”, e acabam por idolatrar pessoas que na verdade não passam de falsas imagens. E que acabam por levar vidas mentirosas, achando que realmente são as pessoas que forjaram a força de sua própria vaidade!

Aí é que o tombo está próximo! Quando pensamos que somos algo a mais do que realmente somos, ou que somos melhores do que podemos ser, a vida nos joga em situações que nos fazem enxergar o quão atrasados nós somos, e de repente, aquela pessoa que nós sempre julgamos e menosprezamos os atos, assume uma imagem mais humana diante da nossa visão e do nosso julgamento.

E depois de chegar a então “conclusão” de que a falsa modéstia é quando, apesar de atribuirmos o mérito a outras pessoas, nos achamos os maiores merecedores dos títulos conquistados, estamos a alguns passos da queda. Pois estamos achando que somos mais do que somos, e que podemos mais do que realmente podemos.

E então a falsa modéstia pode ser o primeiro passo para que nós possamos compreender que, ainda, nada somos e que temos muito a aprender. Pois, se não foi o próprio maior dos mestres que, apesar de todo o conhecimento e poder que possuía, nos ensinou a maior lição de humildade que qualquer pessoa poderia ensinar.

Vamos, então, para chegar, um dia, a ser humildes, aprender com os nossos próprios defeitos e ver que deles podemos tirar coisas boas. Se é que podemos chamar de defeito algo que nos ajuda a evoluir.

Fala MEU! Edição 60, ano 2008

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