Análise de Filmes e Livros

Filme: O invasor, um estudo sobre obsessão

Autor: Edgar Egawa

O filme de Beto Brant conta a história de dois sócios que decidem eliminar o terceiro, pois ele atrapalha o crescimento da empresa, por negar-se a participar de negociatas. Para isso, contratam Anísio (Paulo Miklos, em sua estreia como ator).

Depois do acordo, Giba (Alexandre Borges) leva Ivan (Marco Ricca) para uma casa noturna e revela a ele ser o proprietário do negócio, chocando o cúmplice. Mesmo assim, ele é seduzido pelo ambiente e passa a ser frequentador do local.

Depois que o serviço é feito, Ivan se impressiona com a canastrice do amigo quando ambos recebem a notícia da morte do sócio.

A vida de ambos retornaria à rotina após o período de luto, se o matador de aluguel não aparecesse na empresa para receber o restante do dinheiro pela entrega da encomenda. E resolvesse “mudar de vida”, prestando “assessoria de segurança” para a dupla de empresários.

Com a possibilidade de descoberta do crime pairando sobre suas cabeças, os dois se veem forçados a aceitá-lo convivendo com os empregados e se metendo como se fosse também dono do negócio.

Ivan, que era o “certinho” da turma, começa a se desestruturar. Arruma uma amante (Cláudia, personagem de Malu Mader) e acaba com o casamento. A gota d’água é ver Anísio junto com Marina (Mariana Ximenes) e ler nos jornais que uma outra pessoa que atrapalhava os negócios deles foi morta. Então ele arruma uma arma e passa a ter um comportamento neurótico, sentindo-se ameaçado pelo próprio sócio.

Ao compararmos o enredo do filme com o processo obsessivo, verificamos que os empresários abrem uma brecha (a contratação do matador de aluguel) para que suas vidas se tornem um inferno. Anísio se comporta como o espírito que atende ao chamado de alguém que quer ser médium a qualquer custo (ver O Livro dos Médiuns, capítulo XVII, item 212 – Da formação dos médiuns) e acha que, após a realização do “serviço”, a relação está encerrada.

O transtorno, visível no personagem Ivan, serve como metáfora de alerta para aqueles que pretendem brincar com o crime – ou com os espíritos.

Fala MEU! Edição 34, ano 2005
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