Reforma Íntima

Intolerância e “eu”

Autor: Leandro Piazzon

Ao observar os jornais, apenas pelos seus editoriais, dificilmente não encontramos notícias sobre guerras religiosas, étnicas e políticas. Quando saímos deste universo global, onde algumas notícias nos parecem um pouco distantes, encontramos informações sobre conflitos entre polícia e bandidos, brigas de torcidas e discussões no trânsito, que de modo geral podem vez ou outra, se fazerem mais próximas de algumas realidades. A não aceitação do que é diferente e aparentemente incomum, sempre esteve no coração do homem e mulher na Terra, e reflete de maneira bastante perniciosa na vida das pessoas onde aniquila belas possibilidades de retificação, melhoramento e elevação moral de muitos amigos. É só lembrarmos o que nos disseram os espíritos a Kardec sobre o orgulho, que o coloca como a fonte de todo o mal, onde encontramos nele também a intolerância.

Intolerante, o espírito não mede consequências de atitudes, pensamentos, palavras e comportamentos diversos. Julga-se certo em todos os aspectos, coloca os diferentes como inimigos e inferioriza todos os que não compartilham do mesmo modo de vida, de fé e pensamentos. Agride, destrói e mutila as aspirações de outros irmãos que optam por outros caminhos. É obtuso e não consegue ver outras possibilidades além dos próprios recursos. Cego, apela constantemente para a violência física e verbal para garantir a própria vontade.

A intolerância religiosa é um dos muitos aspectos de um comportamento intolerante, pois ensinado a ser assim, o espírito aprende a não tolerar uma etnia, religião, opção sexual, time de futebol, partido político, dentre outras filosofias e opções de vida diferentes da sua desde criança. Quando cresce, ouve, vê e aprende a ser intolerante, de maneira que na fase adulta, está completamente enraizado nesta malha, que no início é folgada, mas como se opõe à lei natural, torna-se verdadeira amarra de tortura quem dela se utiliza.

Devemos refletir diariamente sobre o tema. Esse questionamento é importante, pois é absurdamente natural e comum em nossa sociedade o comportamento intolerante, que ninguém pode julgar-se limpo de atitudes assim. Observemos, por exemplo, se somos intolerantes com algum animal, com alguma planta, com os afazeres domésticos, com a chuva ou o sol, pois é no descuido dos tratos íntimos do dia-a-dia que nascem os grandes conflitos.

Evidentemente, não nos livraremos tão rápidos desse mal, que é transmitido, infelizmente, de geração a geração, o que não deve desanimar aquele que se propõe a mudar. Somente com dedicação envolvida de amor próprio poderemos fazer com que alguns desvios de caráter deixem de ser parte de nosso alicerce espiritual. Lembremos que o intolerante é infeliz, sofre e faz sofrer. Optemos por um comportamento mais saudável e equilibrado, e encontraremos, ao contrário do que pensam os intolerantes, riqueza na diversidade de ideias e opiniões.

Fala MEU! Edição 43, ano 2006
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