Infância e Família

A juventude tem identidade e não vai à reboque!

Autor: Mirgon Kayser

O que os pais criam? Maquetes? Fantoches? Cópias de si mesmos? Na ânsia de cumprir bem o seu papel, acabam por tentar estabelecer todo o formato e rumo da vida dos filhos. Geralmente o script definido por estes roteiristas amadores é a reprodução da vida que eles próprios quiseram ter um dia.

James Hillman, autor de “O Código do Ser”, afirma que quando a criança resolve por assumir os rumos da própria vida, “você fica ressentido com ela, passa até a odiá-la, apesar dos bons princípios e da ética”. Se observarmos atentamente, Hillman traduz uma realidade que costuma passar despercebida. Quantos pais conhecemos, que rompem relações com os filhos, pois estes resolveram seguir a profissão de seu agrado, e não a de agrado dos pais? Quantas vezes vemos pais que rompem com seus filhos, porque estes se apaixonaram por pessoas que não são as opções pretendidas pelos pais?

É preciso que estes pais compreendam que seus filhos são espíritos. E que estes espíritos não são suas criações cromossômicas. O corpo é, mas o espírito não. E é o espírito que trás a personalidade. Que trás a vivência de tantas encarnações.

É necessário afirmar que juventude e adolescência são coisas diferentes, embora o judiciário não tenha a capacidade de diferencia-lo. Esta visão equivocada nos leva a um formalismo temporal, como se pudéssemos definir a juventude como sendo estanque e inflexível. Como se dormíssemos jovens e acordássemos adultos (!!!).

É justamente na juventude que estes espíritos encontram a transitoriedade e os conflitos de cada encarnação. E é também nesse período que fica mais evidente a falta de compreensão com relação à juventude, ou às juventudes, como seria mais correto referir.

Juventudes, no plural, mesmo! Não existe uma juventude, nem duas, mas muitas juventudes. A juventude é uniforme? Pensa igual? Age da mesma forma? Claro que não! Temos skinheads neonazistas e anarquistas libertários. Temos jovens socialistas e neoliberais. Temos jovens rapper’s, punk’s, tradicionalistas, skatistas, surfistas, etc… Jovens estes que organizam-se em tribos e que identificam-se pelo estilo, pela música, pela escola, pelo trabalho, etc…

Precisamos entender que a juventude é um setor social que, como todos os outros, influencia e sofre influência do meio. Precisamos entender que a juventude é agente ativo na construção da sociedade, e não um agente passivo sendo construído por ela.

A família – pais em especial deve dar-se conta de que seus filhos devem ser respeitados na sua individualidade. Devem dar-se conta de que é preciso romper com esse modelo de educação conservadora, que prega a supremacia de certas instituições e valores absolutamente discutíveis em nossa sociedade.

A opressão social sobre o jovem – iniciada pela família – se completa no tal “mercado” de trabalho, que rebaixa o jovem à condição de mero tarefeiro, como se não pudesse dar qualquer tipo contribuição intelectual. Completa-se, também, pelas telinhas dos meios de comunicação, que constrangem o jovem à estar sempre na moda; à competir “estilo” com outros jovens e, assim, sempre consumindo mais e mais. O utilitarismo empregado sobre a juventude pelo mercado de consumo é tal que o retiraram dos parques e praças e os “socaram” em shoppings centers, apresentando-os como supostos “locais da moda”.

É preciso que a família entenda, de forma definitiva, que seus fracassos e insucessos pessoais, não devem ser transferidos aos seus filhos. É preciso que o oprimido de ontem e opressor de hoje quebre o ciclo de violência e atentados aos direitos individuais e à personalidade de seus filhos.

Os pais devem, na educação dos filhos, ter sempre em mente aquele conceito básico do espiritismo: “O corpo provém do corpo, mas o espírito não provém do espírito”.

Filhos serão sempre diferentes dos pais, sob pena de tornarem-se pessoas frustradas no futuro.

Quanto aos pais, tenham sempre em mente: A juventude tem identidade e não vai a reboque!

Fala MEU! Edição 72, ano 2009
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