Análise de Filmes e Livros

Legalmente diferente!

Autor: Edgar Egawa

A SEJEST (Semana do Jovem Espírita do Tatuapé) em 2006 trata do tema “Somos todos iguais: Somos únicos”, e tem como sub-tema “A diversidade e os padrões”. Todos nós temos nossas qualidades, defeitos e potenciais a desenvolver. Mas os grupos aos quais aderimos, como preferências culturais (cinema, teatro, música, literatura), esportivas (tipo de esporte, time), tipo de local onde moramos ou estudamos e tendências políticas, filosóficas, comportamentais ou religiosas, sejam elas nossas, de nossos pais, amigos ou namorados(as) nos marcam diante daqueles que nos conhecem superficialmente, assim como fazemos às pessoas ao nosso redor.

Assim, pertencer a uma determinada “tribo”, com seu modo de vestir, agir, falar e pensar característicos, segundo a percepção de quem está de fora, pode gerar hostilidade de grupos majoritários ou em melhor condição sócio-econômica.

É o caso de Elle Woods (Reese Whiterspoon), personagem principal de Legalmente Loira. Ela é o protótipo da patricinha, mais interessada nas festas e nos rapazes do que em estudar. Quando o namorado lhe dá o fora em vez do esperado pedido de casamento, e parte para Harvard, nossa amiga decide seguilo, inscrevendo-se no curso de Direito e tornando-se colega de classe dele.

A adaptação é difícil, mas ela aprende as regras do jogo e começa a se destacar como aluna e, depois, como estagiária. Dessa maneira, o enredo brinca com o conhecido estereótipo da “loira burra” reforçando-o no início, mas desconstruindo-o ao longo do filme. Neste processo, Elle descobre sua vocação e supera preconceitos de colegas e professores, conquistando-os com sua simpatia e seu jeito peculiar de ser.

Por mais convictos que estejamos dos princípios espíritas, não podemos por a culpa de nossos problemas de relacionamento nas encarnações passadas ou na influência dos espíritos. Temos que levar em consideração a nossa educação atual, o que significa olhar mais de perto os valores e preconceitos que recebemos de nossa família ao fazermos uma avaliação pessoal.

Quantas vezes antipatizamos com uma pessoa sem nem mesmo conversarmos com ela, só de a vermos? Podemos precipitadamente creditar essa antipatia à inimizade de encarnações passadas. Mas pensemos bem: uma das funções da reencarnação, através do esquecimento do passado, é a reconciliação. Senão, como haveríamos de evoluir, alimentando conflitos continuamente, aumentando o fosso de ódio e do ressentimento?

Quando transpomos as diferenças e estabelecemos um relacionamento de respeito mútuo, podemos ser agradavelmente surpreendidos. E se tivermos nos afeiçoado a inimigos do passado sem o saber, teremos cumprido uma de nossas tarefas como espíritos imortais.

Fala MEU! Edição 41, ano 2006
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