Assuntos Diversos

Madiba – De presidiário à Nobel da paz

Autor: Thiago Rosa

Quando em momento de Copa do Mundo de Futebol como o que estamos vivendo agora, parece que todos começam a tirar dos olhos a venda que cobre entre uma nação e outra, e aí não tem como deixar de olhar para o país sede deste evento e não prestar um pouco mais de atenção às suas dificuldades, sua cultura, seu passado, seu presente e o que está previsto no futuro. É um pedaço pequeno, uma fatia do bolo deste mundo chamado África. África do Sul, país localizado lá na pontinha de baixo do continente africano, tem muita história pra contar. Uma história que se mistura com a vida de Nelson Mandela. Talvez um dos únicos mitos vivos do século passado, que conseguiu transformar de alguma forma o mundo. E se não transformou, trouxe os holofotes do mundo inteiro para alertar e tentar discutir algumas enfermidades sociais que maltratam os povos, principalmente aqueles que parecem esquecidos da memória humana. Talvez evento tão grande como este, sob as vistas do líder sul-africano, só vem pra consagrá-lo e trazer de novo à tona sua história pacificadora de tentar igualar dois povos separados pela cor.

Jovem estudante de direito nos anos 40, se envolveu na oposição ao regime Apartheid, que impossibilitava os negros de ter direitos políticos, sociais e econômicos. Inicialmente pacifista, não aguentou ver a polícia sul-africana atirar e matar 69 manifestantes negros desarmados em Sharpheville no início de 1960. Recorreu às armas, tentou montar guerrilha e fazer treinamento militar na luta contra a segregação racial. Escapou do enforcamento, mas foi sentenciado a prisão perpétua por planejar ações armadas e sabotagem.

Mesmo na prisão Mandela incentivava a população a lutar contra o apartheid. Sua associação à luta foi tal que a bandeira internacional contra a segregação racial tinha o coro de “Libertem Nelson Mandela”, o que viria a acontecer em 1990. Em 93 foi aclamado com o Nobel da Paz pelo esforço de acabar com a segregação racial.  De prisioneiro se tornou o primeiro presidente negro da África do Sul em 1994, durante as primeiras eleições multirraciais do país.

Depois do fim do mandato de presidente, em 99, Mandela ficou dedicado a defender causas de diversas organizações sociais e de direitos humanos. É hoje reconhecido como um líder mundial da paz e igualdade racial. Aos 93 anos de idade e debilitado, é ainda uma figura importante no mundo. Mandela é um mundo de cores que ainda insistimos querer separar de toda esta homogeneidade que existe na formação do mundo, dos povos e das sociedades.

Fala MEU! Edição 81, ano 2010
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