Infância e Família

Mãe

Autor: Adésio Machado

Para cumprir suas obrigações de mãe terrestre, deve a mulher cumprir evangelicamente os seus deveres, para tanto conduzindo os filhos para o bem e para a verdade.

Consideremos que, no ambiente doméstico, o coração maternal deve ser o expoente divino de toda a compreensão espiritual e de todos os sacrifícios pela paz da família. Renunciando, a mulher cristã espírita acende a verdadeira luz para o caminho dos filhos através da vida.

A missão materna resume-se em dar, sempre, o amor de Deus, que pôs no coração delas a sagrada essência da vida. Muitas se deixam levar pelo egoísmo do ambiente particularista; contudo, é preciso acordar a tempo, de modo a não viciar a fonte de ternura, o que comprometeria, ruinosamente, sua posição, sobretudo, de educadora.

A mãe terrestre deve compreender, antes de mais nada, que seus filhos, primeiramente, são filhos de Deus. Assim, desde a infância, deve prepará-los para o trabalho e a luta que os esperam. Deve ensinar a criança a fugir do abismo da liberdade excessiva, controlando-lhe as atitudes e consertando-lhe as posições mentais, pois que essa é a ocasião mais adequada à edificação das bases de uma vida. Nessa fase vão sendo consertados os instintos, as tendências e as predisposições acalentados em vidas pregressas.

A mãe ensinará a tolerância mais pura, mas não menosprezará a energia sempre que seja necessária no processo da educação, pois que reconhece a heterogeneidade das tendências e a diversidade dos temperamentos.

Pela paz dos filhos sacrificar-se-á, sem quebrar o padrão de grandeza espiritual da sua tarefa, ensinando que toda dor é respeitável, que todo trabalho edificante é divino, que todo desperdício é falta grave.

Ensinará o respeito pelo infortúnio alheio a eles, seus filhos, para que sejam igualmente amparados no mundo, na hora da amargura, que espera a qualquer um de nós, sem exceção.

Um exame desapaixonado e meticuloso deve ser feito pela mãe nos problemas da dor e do trabalho, da provação e da experiência, sem dar razão a qualquer queixa dos filhos, sejam quais forem. Levantando os seus sentimentos para Deus, deve a mãe levar os filhos à obediência divina, não permitindo que encalhem na futilidade ou nos prejuízos morais das situações transitórias do mundo.

Esbarrando na dureza de coração dos filhos, compete às mães entregarem os frutos de seus labores a Deus, abrindo mão de qualquer julgamento do mundo (pouco importa o que digam e pensem), com a certeza de que o Pai de Misericórdia e Amor apreciará os seus sacrifícios e abençoará as suas penas, no instituto sagrado da vida familiar.

Muito comum, hoje mais do que ontem, a existência de filhos rebeldes e incorrigíveis, impermeáveis a todos os processos educativos e, necessário, nesse modesto trabalho, sabermos como devem agir os pais.

Os pais devem movimentar todos os processos de amor e de energia na orientação educativa dos filhos, sendo justo, também, que os responsáveis pelo instituto domiciliar, sem descuidar-se da dedicação e do sacrifício, esperem, da manifestação da Providência Divina, o necessário esclarecimento dos filhos incorrigíveis, compreendendo que essa manifestação deve chegar aos filhos endurecidos através de dores e provas acerbas, semeando-lhes, só assim, com êxito, o campo da compreensão e do sentimento.

O filho, por mais rebelde, impermeável às orientações dos pais, não deve ser educado distante das noções sagradas do dever e das obrigações para com Deus. Devem os pais esgotar todos os recursos possuídos a bem dos filhos e depois da prática sincera de todos os processos amorosos e enérgicos, na tentativa de incutir neles uma formação espiritual, sem alcançarem êxito, que vejam nesses filhos adultos os irmãos indiferentes ou endurecidos do passado, comparsas que precisam ser entregues a Deus, de modo que sejam, naturalmente, trabalhados pelos processos tristes e violentos da educação do mundo. Quando o mundo, ou a Vida, toma as rédeas da educação desses espíritos costuma bater e bater forte, porque sabe que, só assim, conseguirá o êxito de seus anseios educativos.

A dor fará o que o amor não conseguiu, é uma realidade diante de espíritos renitentes na desobediência.

Os pais, sabemos, devem estar revestidos de suprema renúncia, de infatigável resignação para que, só dessa forma, possa reconhecer no sofrimento dos filhos a manifestação divina, constituída por sofrimentos, capacitada, assim, para remodelar e aperfeiçoar os filhos com vistas ao futuro espiritual deles.

Cuidar da evangelização dos filhos, orientando as mentes infantis para um desenvolvimento moral sadio, deve ser a atitude dos pais. Através da frequência ao ensino espírita, os jovens vão aprendendo a importância da prática do bem, do perdão, da obediência, do amor ao próximo, da fraternidade, da reencarnação, da lei de ação e reação… Finalmente que a vida devolve o que damos à vida. Assim agindo, irão os pais propiciar aos filhos um maior campo de trabalho em seus corações. Haverão de conduzi-los para a disciplina, para que sejam obedientes, estudiosos, trabalhadores, criando no lar um clima mais saudável entre todos.

Foi Allan Kardec que mostrou: “É notável verificar que as crianças educadas nos princípios espíritas, adquirem uma capacidade de raciocinar precoce que as torna, infinitamente, mais fáceis de serem conduzidas. Isso não as priva da natural alegria, nem da jovialidade. Todavia, não existe nelas essa turbulência, essa teimosia, esses caprichos que tornam tantas outras crianças insuportáveis…”

Esperar as crianças crescerem para levá-las à evangelização é um grande erro de certos pais, e grande ignorância, também, misturados com a acomodação. É a fase infantil a mais propícia para a sementeira dos valores cristãos. Os filhos poderão exercer este direito de escolha à medida que o tempo passe, eles cresçam e amadureçam, tornem-se independentes, financeiramente, de seus pais. É da competência dos pais, se fiéis depositários de seus filhos na Terra, escolherem o melhor, decidindo por eles até que tenham condições suficientes de se conduzirem.

Os pais espiritistas cristãos não podem esquecer seus deveres de orientação aos filhos, nas grandes revelações da vida. O pretexto de que a criança deve desenvolver-se com a máxima noção de liberdade pode dar ensejo a graves perigos. Já se disse, no mundo, que o menino livre é a semente do celerado. Os pais deveriam colocar, em seu contato com os filhos, as palavras de Meimei, verdadeira máxima, em Sua mensagem “Oração dos filhos” – “Ajuda-me hoje, para que amanhã eu não te faça chorar”.

Devem (os pais) nutrir o coração infantil com a crença espírita, com a bondade, com a esperança e com a fé em Deus, em Jesus e na Espiritualidade Superior. Agir contrariamente a esta norma é abrir, para o faltoso de ontem, a mesma porta aos excessos de toda sorte que conduzem ao aniquilamento moral e ao crime.

“Os pais espiritistas devem compreender essa característica de suas obrigações sagradas, entendendo que o lar não se faz para contemplação egoística da espécie, mas, sim, para santuário onde, por vezes, se exige a renúncia e o sacrifício de uma existência inteira” (Emmanuel).

Para os pais espíritas, o grau de compromisso aumenta, tendo em vista o rico e inesgotável material que trazem em mãos: a Doutrina Espírita. Com o Espiritismo, compreendem os pais, de forma dilatada, a realidade espiritual, o trabalho educativo por ele desempenhado, fazendo com que eles e seus filhos ganhem uma dimensão mais profunda da existência e as possibilidades de acerto se multiplicarem.

Fala MEU! Edição 80, ano 2009
Palavras Relacionadas