Análise de Filmes e Livros

Marty x Exterminador: um estudo sobre livre arbítrio

Autor: Edgar Egawa

Um ponto importante da Doutrina Espírita é o livre arbítrio, ou seja, a responsabilidade que temos sobre nós mesmos e nossas ações. Ele está intimamente ligado à lei de causa e efeito, o que quer dizer que uma decisão que tomemos pode influenciar nossas vidas e as daquelas afetadas pelo nosso comportamento, como é visto no filme Efeito Borboleta.

Temos em nossa sociedade visões diversas da importância desses itens intimamente ligados. Um extremo nos diz que nossos destinos estão traçados desde o nosso nascimento e que as decisões que tomamos são frutos desse determinismo. O outro declara que somos livres para tomar nossas decisões e teremos que arcar com as consequências delas. No cinema, temos as séries O Exterminador do Futuro (com Arnold Schwazenegger e Linda Hamilton) e De Volta Para o Futuro (com Michael J. Fox e Christopher Lloyd).

A primeira trilogia nos fala de um androide que é enviado três vezes ao século XX: na primeira, vem para matar a futura mãe do líder da resistência contra as máquinas, que dominam o planeta no século XXI. Só que John Connor envia em seu encalço um soldado para protegê-la (e que acaba sendo o pai de seu chefe, um paradoxo temporal). No segundo e terceiro filmes, o androide, reprogramado, é enviado para proteger John de modelos mais avançados que tentam mata-lo, já que a primeira missão falhou. No final dos dois primeiros filmes, Sarah (Linda Hamilton) viaja por uma estrada solitária, aparentemente de mão única, deixando entrever o pensamento por trás da série. Da primeira vez, ela se sente na obrigação de se preparar e preparar seu filho para o pior. Na segunda, após a destruição da pesquisa realizada, ela sente um relativo alívio, pois parece que o futuro foi mudado. Mas John cresce, e um novo par de exterminadores é enviado. Mas dessa vez o androide interpretado por Scharzenegger vem não só para impedir que ele seja morto, mas que sobreviva ao holocausto nuclear. Apesar dos esforços no segundo filme, o destino foi cumprido e agora resta se preparar para enfrentar as máquinas que dominarão o mundo.

De Volta Para o Futuro nos fala de ações que podem mudar vidas. Marty McFly (Michael J. Fox) vai parar acidentalmente em 1955 após testemunhar o assassinato de seu amigo e cientista maluco Doc Brown (Christopher Lloyd) por terroristas árabes. Lá, ele se encontra com seus pais na adolescência e desencadeia uma série de acontecimentos que, se não forem detidos, resultará na extinção de Marty e seus irmãos. Uma atitude tomada por George McFly no final do filme altera o presente do personagem principal e de todos ao seu redor.

A viagem de Marty e sua namorada ao futuro para salvar seu filho permite a Biff Tannen (Thomas F. Wilson) entregar à sua versão mais jovem um almanaque de esportes que possibilita a criação de uma realidade alternativa, na qual ele é o todo-poderoso de Hill Valley. Para corrigir isso, nosso herói é obrigado a voltar a 1955 e rever de outra perspectiva ações em que ele esteve presente, como a participação na banda que tocou durante o baile. Há, neste momento duas versões de Marty e Doc Brown nesse período.

Por fim, temos a descoberta de que Doc Brown foi parar no Velho Oeste e morreu assassinado por um ancestral de Biff. Para evitar que isso ocorra, ele resolve pedir ajuda da versão de seu amigo em 1955 para ir até 1885. Voltando ao presente, Marty deixa de participar de um racha e assim muda seu futuro. Ele resolve contar à namorada e futura esposa as aventuras por que passou e leva-a para ver os destroços da máquina do tempo. A série termina com uma breve visita de Doc, com um trem transformado em máquina do tempo. Quando Jennifer pergunta por que o fax apagou, ele lhe diz que isso aconteceu porque o futuro ainda não foi escrito e que é construído por nossas ações.

Dessa maneira, verificamos que a dupla Marty e Doc Brown estão mais próximos da visão espírita de livre arbítrio e, consequentemente, da lei de causa e efeito.

Fala MEU! Edição 33, ano 2005