Entrevistas

Mauricio Filho – Espiritismo em terra Norte-Americana

Autor: Luis M. Arnaut

Luís é um prazer muito grande poder estar participando deste trabalho destinado aos jovens espíritas. Em minha época de Espírita adolescente não havia uma literatura tão fantástica como a do Fala Meu!… – Maurício Cisneiros Filho.

Nosso Entrevistado:

Mauricio Cisneiros Filho nasceu em Niterói, RJ, Brasil, mas foi criado em Brasília, aonde teve a oportunidade de ser educado no Grupo Espírita Irmão Estevão desde criança. Foi morar nos Estados Unidos em 1988. Em 1992 foi um dos fundadores do Christian Spiritist Study Center em Pompano Beach, Flórida, do qual é o atual presidente. Também é o atual vice presidente da “Federação Espírita da Flórida”, um dos Conselheiros do United States Spiritist Council, editor da “The Spiritist Magazine”  e o Presidente do recém formado Spiritist Society of Palm Beach.

Na área profissional, Maurício trabalha para a multinacional AT&T como especialista em redes de telecomunicações há 15 anos.

O movimento espírita nos Estados Unidos é muito diferente do movimento Brasileiro?

No aspecto doutrinário não há diferença. Já na logística encontramos algumas diferenças: A primeira está na dificuldade em mantermos um centro Espírita em funcionamento, já que todos esses agrupamentos aqui pagam aluguéis caríssimos, em contraste com o Brasil onde a maioria das instituições Espíritas já possui sede própria podendo assim direcionar fundos para ajudar a obras beneficentes. Nós aqui ainda não chegamos nem perto dessa estrutura econômica. A outra diferença é a grande rotatividade de pessoas nas casas Espíritas. São poucos os imigrantes que se estabelecem e ficam em um lugar só durante muitos anos.

Muitos retornam de vez ao Brasil com o passar do tempo ou se mudam para outros estados americanos ou diferentes países. Essa rotatividade afeta o crescimento e estruturação das células Espíritas e do movimento em geral, já que muito nos empenhamos na formação de trabalhadores que desaparecem de um dia para o outro. O terceiro aspecto seria a questão linguística. No Brasil o movimento Espírita começou em Português. Aqui nos EUA nós também o comeamos em Português, o que durante muito tempo fez com que o Espiritismo em terras norte-americanas ficasse limitado aos brasileiros. Hoje isso esta mudando rapidamente.

Qual é o perfil dos espíritas que participam dessas reuniões na Flórida?

No momento 95% são brasileiros e hispanos. Os outros 5% são de americanos ou estrangeiros que não falam português, mas participam de reuniões feitas em Inglês.

Como é o trabalho da Federação Espírita da Flórida?

Atualmente a nossa Federação é a única organização Espírita de nível estadual existente no país. É formada por 16 grupos que têm trabalhado principalmente para se apoiarem mutuamente com a troca de expositores, treinadores e material Espírita. A Federação tem uma diretoria de nove pessoas que é formada por dirigentes dos grupos afiliados. Essa diretoria e eleita a cada dois anos.

Existem muitos centros espíritas nos Estados Unidos? Como eles são?

Temos um cadastro de 73 centros nos EUA. Alguns deles são centros caseiros onde as reuniões são feitas nas casas das famílias até que tenham condições de alugarem espaço próprio. Outros já estão mais bem estruturados possuindo as vezes quase 10 reuniões semanais incluindo as de palestras em Inglês e Português, apoio fraterno e mediúnicas. Alguns chegam a ter um público de 100 até 300 pessoas em uma reunião.

Existem muitos jovens no movimento espírita da Flórida?

Em comparação com o movimento espírita Brasileiro não. Para vocês terem uma ideia um dos maiores agrupamentos de jovens espíritas do país está em nosso centro de Pompano Beach que conta com um total de 10 jovens aproximadamente. Mas isso acontece devido ao fato de nós não termos acordado mais cedo para a importância de trabalharmos com o Espiritismo em Inglês e, em certos casos, não termos tido condições de fazer isso. As crianças e os jovens aqui não se interessam por assuntos que não sejam apresentados em Inglês. É a língua deles. O mesmo aconteceria no Brasil se os centros espíritas comeassem a tentar ensinar Espiritismo para os jovens em chinês ou inglês. A debandada seria completa e absoluta.

O senhor acredita que o movimento espírita tende a crescer nos Estados Unidos? Porque?

No meio brasileiro e hispano a tendência é se extinguir quase que por completo. Daí a necessidade de continuarmos a bater na tecla da disseminação em Inglês. Nos últimos dois anos temos visto esse novo movimento (em Inglês) ganhar espaço. Já existem Centros que só trabalham em Inglês. Temos um evento de nível nacional, o Spiritist Symposium, (ver www.spiritistsymposium.org) que é feito 100% em Inglês. Também já estamos entrando na quinta edição da The Spiritist Magazine (www.thespiritistmagazine.com). Com este trabalho temos conquistado campo entre o público americano. Esse é o crescimento que queremos e o crescimento que aos poucos está atingindo.

Quais as maiores dificuldades que o movimento espírita encontra nos Estados Unidos?

Além das que já citamos, a de convencermos a muitos Espíritas brasileiros da necessidade de trabalharmos em Inglês. Ainda existe uma resistência de alguns. É muito mais fácil estudarmos Espiritismo em Português. Mas fazendo assim deixamos de atingir uma população de mais de 300 milhões de americanos que só falam Inglês.

Ouvimos dizer que a maior parte dos centros espíritas faz suas reuniões em português ou espanhol, o que dificulta o interesse dos americanos, isso acontece?

Somente uns 10% ou 15% dos centros Espíritas nos EUA disponibilizam reuniões em Inglês.

Vocês recebem muitos brasileiros para colaborar com o trabalho que fazem ai?

Sempre trazemos expositores brasileiros para colaborarem com o nosso desenvolvimento. Desde a vinda de Chico Xavier aqui em 1965, entre outros, Divaldo Franco e Raul Teixeira nos visitam a mais de duas décadas. Também recebemos visitas de músicos Espíritas como o Alexandre Paredes, Eduardo Braga e Nando Cordel.

Existem diferenças nos trabalhos de assistência espiritual e mediunidade entre o movimento brasileiro e americano?

Não, como eu, a maioria dos dirigentes Espíritas daqui trouxe suas experiências do movimento Espírita brasileiro.

E com referência ao trabalho assistencial?

A principal necessidade aqui é a assistência emocional e espiritual no próprio centro Espírita. Existem logicamente trabalhos assistenciais para pobres, cegos e idosos. Mas como já mencionei nossa mão de obra é hiper escassa e a tendência é a de nos dedicarmos  sustentação material, doutrinária e espiritual das casas Espíritas.

O senhor poderia deixar uma mensagem para os jovens leitores do FALA MEU!?

Apoiem o centro espírita dos quais vocês participam. Abracem algum trabalho seja ele qual for e cumpram com o dever assumido. Seja ele arrumando as cadeiras do centro, varrendo o chão, estudando a Doutrina, desenvolvendo a arte espírita ou distribuindo cobertores aos que estão em desalento. Não existe nada mais certo, racional e completo do que o Espiritismo. Eu já procurei e não achei. Se vocês se escorarem na Doutrina, chegarão longe em suas vidas espirituais, intelectuais, profissionais e amorosas. Um grande abraço à todos.

Visite:

United States Spiritist Council www.spiritistcouncil.com

Spiritist Federation of Florida www.spiritistfederation.us

Christian Spiritist Study Center www.kardec.com

Spiritist Society of Palm Beach www.sspalmbeach.org

Fala MEU! Edição 65, ano 2008