Arte

Música nos centros espíritas

Autora: Saara Nousiainen (Autora do livro ‘Um Forró no Umbral’ e compositora de música espírita)

A sonoridade é uma das grandes forças de comunicação do universo.

Trabalhando com os sons pode-se juntá-los numa magnífica linha melódica, cuja vibração atua na intimidade física e espiritual do ser, harmonizando, dinamizando energias, relaxando e anulando tensões, ou ainda, elevando o teor vibratório pela ligação com planos mais altos; é também um chamamento a nobres ideais, abrindo canais de sintonia com planos superiores, dinamizando a religiosidade nos sentimentos e emoções.

Também, pelos sons, na sua construção, pode-se conseguir efeitos opostos, como induções ou fortes chamamentos para a guerra, a luta, a vitória, seja em que terreno for. Pode-se também utilizá-los como elementos alucinógenos, de incentivo ao sexo, e muitos outros.

Nos relatos dos espíritos encontramos a música ocupando importantes espaços, sempre presentes nas atividades coletivas.

Mas aqui na Terra há companheiros que lutam furiosamente para erradicar “esse mal” das atividades espíritas. Por quê? Qual o mal que existe nela? É prejudicial cantar-se num Centro espírita?

Alguns companheiros dizem que isto vicia os frequentadores, que passam a ver na música elementos ritualísticos. Mas não será a própria prece de abertura ou encerramento já um ritual?

Parece- nos que o grande mal nos meios espíritas é o radicalismo. Pula- se de um extremo ao outro, em vez de focar-se no caminho do meio, como tão sabiamente já ensinava Buda há tantos milênios.

Mas, voltando à música, vemos nela uma dádiva divina que deveria ser melhor aproveitada nas atividades espíritas, é claro, com equilíbrio e bom senso. Se o Espiritismo busca a harmonia do ser, o que é absolutamente necessário ao seu crescimento, por que deixar de utilizar-se de um instrumento essencialmente harmonizador, como é a música?

Certa ocasião, quando nosso grupo atendia a um perigoso caso de obsessão, no qual eu colaborava na condição de médium, vi-me também perseguida não apenas por um, mas por uma legião de obsessores, que haviam jurado me destruir. Só Deus sabe como alguém se sente em situação semelhante. Creio que os amigos espirituais permitiram que aquela perseguição ocorresse, com toda a sua terrível virulência para que pudesse melhormente compreender os obsedados e tentar ajudá-los. Foram semanas e meses sob o peso dos inimigos da luz, especialistas em produzir obsessões. É claro que lancei mão de todo o conhecimento que o Espiritismo proporciona em termos de vigilância, preces, paciência, perdão, constantes e contínuas vibrações de amor pelos perseguidores, leituras, passes e tudo o mais. Sentia que o menor descuido poderia colocar-me sob o seu tenebroso jugo. Pois bem, naquele período a música, ou melhor, o cântico me ajudou sobremaneira. Quando sentia o cerco apertar-se, começava a cantar alguma dessas belas músicas, usuais em alguns Centros, como Quanta Luz e Caridade é Luz, vibrando intensamente com o sentido das palavras.

Nesses momentos é que podia avaliar verdadeiramente a força de uma música, ou seja, a melodia certa casando-se com as palavras certas. E eu conseguia então envolver os perseguidores naquela ambiência divina, vibrante de amor, e podia também perceber seus impressionantes efeitos sobre eles. E então, nos trabalhos mediúnicos, quando eles se apresentavam, doutrinação se tornava possível e eles iam se afastando um por um, conduzidos pelos amigos espirituais. Dessa forma, aos poucos, toda aquela poderosa falange do mal foi sendo desativada. Esse tipo de experiências é bastante comum, nos grupos onde realmente se trabalha com desobsessão.

Fala MEU! Edição 60, ano 2008
Palavras Relacionadas

Comentar

Clique aqui para comentar