Doutrina Espírita

O céu e o inferno segundo a visão espírita

Autor: Otávio Marques

A ideia de regiões destinadas aos bem-aventurados e aos desventurados é muito antiga. A concepção de Inferno, (do Latim Inferna, de infernus, inferior, que está em baixo) segundo os pagãos era o lugar para onde iam as almas após a morte. O inferno compreendiam duas partes: – Os campos Elísios, morada encantada dos homens de bem e o Tártaro, lugar onde os maus sofriam o castigo dos seus crimes pelo fogo e torturas eternas. Já a idéia de um céu é fruto da concepção grega e babilônica. Nicolau Copérnico (14731543) e Galileu Galilei (15641642) mostraram que o “em cima” e o “em baixo” no espaço é relativo quando defenderam a tese heliocentrista.

Devido aos vários séculos que vivemos sob a influência do pensamento de um céu e um inferno circunscrito no espaço e considerando que somos Espíritos milenares e que muitos de nós fomos partidários desta crença durante algumas reencarnações, cometemos o equívoco de conceber o Umbral como se fosse o “inferno” dos espíritas e a colônia espiritual Nosso Lar descrita pelo Espírito André Luiz através da iluminada mediunidade de Francisco Cândido Xavier, como o “céu”. Mas na questão de Nº 1012 do Livro dos Espíritos as entidades venerandas nos explicam claramente o que é “céu” e “Inferno” quando o magnífico codificador da doutrina espírita questiona se inferno e o paraíso não existiriam como o homem os representa? E os Espíritos respondem:

– “São apenas figuras: existem Espíritos felizes e infelizes por toda parte. Entretanto, como também dissemos, os Espíritos da mesma ordem se reúnem por simpatia; mas podem se reunir onde quiserem quando são perfeitos. A localização exata dos lugares de penalidades e recompensas existe apenas na imaginação do homem e provém da tendência de materializar e circunscrever as coisas das quais eles não podem compreender a essência infinita”. (Livro dos espíritos Q. 1012)

O umbral nada mais é do que a nossa entrada, nosso despertar na pátria espiritual. Imaginemos que maravilhoso umbral deve ter sido o de Francisco Cândido Xavier, Bezerra de Menezes, Mahatma Gandi, Madre Tereza Calcutá e de muitos outros espíritos que no anonimato se dedicam ao o bem! Precisamos começar nossos estudos espíritas pelas obras básicas (O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e A Gênese), e nos aprofundarmos em outras obras como as da médium Ivone do Amaral Pereira, as obras do espírito Manoel P. de Miranda, bem como as outras obras da coleção André Luiz e muitas outras literaturas maravilhosas que nos foi legada pelos trabalhadores do bem, para verificarmos como falou Jesus que “existem muitas moradas na casa do Pai”. (( S. JOÃO, cap. XIV, v. 1 a 3.)

Onde quer que estejamos carregamos conosco o estado de felicidade (“céu”) ou infelicidade (“inferno”)  como estados de consciência. Daí a importância de aproveitarmos as oportunidades de ajudarmos sempre, buscarmos nos esclarecer e realizarmos nossa transformação moral pela prática do bem para que alcancemos o nosso “céu” interior já aqui na terra como encarnados e sejamos tão felizes quanto nosso planeta o permite.

Fala MEU! Edição 55, ano 2007