Doutrina Espírita

O futuro do espiritismo

Autor: Eduardo Rodrigues

Amigo e irmão de ideal espírita, te pergunto:

Como será o futuro do Espiritismo? Você consegue imaginar?

Tenho visto ao longo destes últimos 5 anos um quadro que cada vez mais me tira o sono em relação ao futuro da doutrina, sabe por que? Vou te dizer agora: 23 casas Espíritas na cidade de São Caetano do Sul/SP, e somente 2 mocidades atuantes. Um total de 90% das casas Espíritas desta cidade não tem um trabalho específico com jovens e infância. Mas por que, pergunto eu?

Isso, infelizmente eu não posso te dizer com certeza absoluta, pois muitas são as desculpas, mas posso sim expressar minha opinião, só que antes vou contar minha história com a Mocidade.

Sou nascido e criado em família espírita e sempre frequentei, de início por obrigação de minha mãe, uma casa espírita, tomando passes, água fluidificada, etc. O tempo passou, e chegando a adolescência, quando o poder de minha mãe sobre mim começou a diminuir, abandonei de vez a casa e só ia quando tinha algum problema, na esperança de resolvê-lo. Ai quando se resolvia, eu sumia de novo, até aparecer outro.

O motivos pelo qual deixei de participar das reuniões com os adultos foi um só: Era muito chato! Aqueles coroas falando palavras bonitas e com linguagem culta, como se todos ali já fossem espíritos evoluídos e somente eu um burro que não sabia nada, tudo aquilo pra mim era extremamente maçante, então, cai fora; eu hein!

Até que um dia, um primo mais velho e um tio me fizeram um convite pra participar de um grupo de mocidade, pensei: Tô fora! Já me livrei da chatice uma vez, mas eles não desistiram e no outro sábado, convidaram de novo, de novo e de novo. Até que um dia eu pensei: Meu, esses caras num vão parar de me encher, deixa eu ir só uma vez pra dizer que fui e pronto, depois falo que num gostei e boa, num vou mais. Então, num belo sábado à tarde, fui ao encontro da mocidade, quando cheguei lá, pensei: Opa, vários jovens da minha idade, um monte de menininhas, até que num é tão ruim isso aqui, mas vamos ver…

Não me recordo o tema específico, mas me lembro que nos dividimos em dois grupos, onde discutimos pontos de vista diferentes uns dos outros e depois confrontamos as ideias ao final, fazendo um grande debate, então uma das meninas, que estava vivenciando o problema, compartilhou conosco sua situação e começou a chorar, todos ali deram apoio a ela, a abraçamos e depois conversamos, ela ficou bem melhor. Imaginem, era meu primeiro dia! Ao final, fizemos uma brincadeira que desde a infância não brincara, rouba bandeira! Foi muito legal, quando dei por conta, já era 18h30 e o encontro havia acabado. Nossa! Mas já? Nem vi o tempo passar!

Daí então um dos integrantes lá, um tal de Paulo, chamou a todos pra assistir filme e comer pipoca em sua casa, todos na hora disseram: Beleza! Vamos pra lá! E foram mais de 30 jovens pra casa dele. Desde esse dia, não larguei mais e este grupo da mocidade passou a ser meus amigos pessoais, e até hoje saímos juntos.

Porque era tão legal? Porque não éramos somente um grupo de estudos, éramos amigos que se divertiam e também estudávamos a doutrina e isso só era possível porque os dirigentes da casa sempre apoiaram a mocidade e tínhamos quatro coordenadores empenhados e dedicados.

Portanto meus queridos amigos, aí está, no meu ponto de vista, o grande problema : Somos nós, os adultos, o problema! E não os jovens… Se nós nos esforçarmos pra fazer um trabalho onde além dos estudos das obras básicas, claro, também seja dinâmico e socialize os jovens, com certeza ele vai aparecer e participar! Mas pra isso precisamos de verdadeiros guerreiros, que estejam dispostos a enfrentar desafios e que queiram mudar esse futuro que assola meus pensamentos, de que o Espiritismo irá padecer em breve, sim, porque uma Casa Espírita sem Educação Espírita Infantil e sem Mocidade é uma casa fadada à extinção.

Nós como espíritas, não podemos esquecer que em um corpo jovem pode estar um espírito muito mais evoluído que nós, só precisando de nosso estímulo. Portanto aquela ideia que tantas vezes ouvi ao longo destes cinco anos no Departamento de Mocidade de que:  “O jovem de hoje não é responsável… ele não se engaja em nada que fazemos…”, é totalmente equivocada. Nós dirigentes é que temos que nos esforçar, participar, estar presente… pois aí, com um trabalho bem estruturado e dinâmico, vai chover jovens em nossas casas!

No Estado de São Paulo, o Departamento de Mocidade da USE, por exemplo, pode auxiliar no que for preciso para a estruturação e início das atividades de um grupo de jovens em sua casa, basta você dirigente, você frequentador querer e incentivar seus jovens!

Fala MEU! Edição 79, ano 2009
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