Opinião

O jovem e a mídia

Autor: Thiago Magri

O que é ser jovem hoje? Estar em conformidade com a moda? Ter um estilo diferente? Pertencer a um grupo ou a uma tribo?

Os jovens são vistos pela sociedade através de dois olhares: são responsáveis pelos problemas presentes como desemprego, violência, sexo e também como esperança de um futuro melhor. A grande parte dos jovens não se interessa pela situação que o país vive ou quais transformações estão ocorrendo na sociedade, quais as novas tendências culturais, políticas. Ser jovem é ter que consumir para estar inserido dentro de algum grupo, de um estilo e ao mesmo tempo para ser diferente, buscar uma identidade única. Neste mundo globalizado em que vivemos somos impulsionados a consumir, não por necessidade, mas sim por fazer parte de um modo de vida, um sistema que se estabeleceu.

O jovem se depara com o excesso de informações, propagandas, apelos ao consumo. Assim ele se torna um boneco manipulado pela mídia e pelo governo, este que oferece uma educação precária. Acaba cumprindo seu papel numa sociedade que clama por mudanças e melhorias e que, no entanto nada faz para mudar esse quadro.

Já ouvi muitas vezes dizerem que a juventude de hoje em dia não luta, não se espelha nas gerações anteriores para conquistar seus objetivos. A juventude dos anos 60, 70, 80, 90 tiveram que lutar pelo direito de ir e vir, pela liberdade de expressão, sair nas ruas reivindicando para conquistar mudanças, isso no mundo todo. Eles tiveram atitude. No entanto eles lutaram com um ideal.. A juventude de hoje enfrenta muitos problemas também. Tem “tudo nas mãos”, direitos e deveres, liberdade, muitos avanços – sociais, culturais, políticos, econômicos, tecnológicos – e oportunidades de participar, mas o que vemos é uma juventude, em sua maioria alienada. Não digo para sairmos às ruas e quebrar tudo. E sim para enxergarmos as maneiras de nos manifestarmos tendo atitude, como jovens que vivem no século XXI. Somos criados desde pequenos com a cultura de ficarmos, a maior parte do tempo, em frente á TV sendo influenciados pela mídia. Não desenvolvemos nossa capacidade crítica, a busca por sentido nos acontecimentos.

Um grande desafio para nós é ter personalidade. Quando vemos tudo errado e a maioria das pessoas indo para outra direção é complicado. Quando seu colega em vez de ir para a mocidade vai para uma festa na qual você poderia estar; quando alguém no trabalho te fala que não adianta lutar por mudanças pois as situações irão ficar assim mesmo, ou ainda ao chegar e ligar a TV e ser bombardeado por notícias ruins.

Precisamos enxergar os problemas que enfrentamos e não apenas criticar. Ter personalidade é ser você mesmo, é saber fazer boas escolhas dentro do nosso mundo.

E como você pode ser único se sua vida – o que você usa, faz, consome, compartilha – é igual a de outras pessoas? Através da conduta.

A TV exibe programas ruins e sensacionalistas porque há pessoas que assistem. A publicidade muitas vezes apela para o sexo porque sabe que venderá. Ás vezes reclamamos que a mídia nos influencia muito, nos coloca para baixo. Devemos selecionar melhor o que assistimos, o que lemos, o que ouvimos. Claro que gosto não se discute, o jovem de hoje em dia curte muitas coisas ao mesmo tempo, mas apenas fazendo uma “reforma íntima de conteúdo” iremos separar o joio do trigo em nível cultural.

Cada vez mais surgirão novos estilos, tradições serão quebradas, tribos permanecerão por muito tempo. O que importa é reconhecermos o que fazemos.

Por que os jovens não se interessam pelos problemas sociais, políticos, culturais? Porque estamos acostumados a aceitar as condições. Não queremos perder tempo com problemas que nunca irão se resolver. Pessoas dizem o que podemos e o que não podemos, falam o que é possível e impossível. Porém todos os dias vemos conquistas de pessoas incríveis que não se deixaram abater.

Em julho assisti “Escritores da liberdade”. O filme trabalha muito bem causas que parecem estar perdidas. Mostra o trabalho e dedicação de uma professora que fez de tudo para mudar o pensamento e a realidade de jovens que viviam numa guerra entre tribos e gangs. Revela também o que os jovens são capazes de fazer.

Nós alimentamos a mídia, isso é fato. A preferência de crianças, jovens, adultos, idosos é que transformará a situação. Muita coisa ruim chega até nós. Mas quantas coisas boas deixamos passar? Se quisermos mudar algo, comecemos a entender a nós mesmos. Tudo depende da nossa conduta.

Fala MEU! Edição 77, ano 2009
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