Conscientização

O porquê das substâncias químicas alterarem as emoções e a razão, mas não os sentimentos

Autor: Cristina H. Sarraf

Somos espíritos encarnados, portanto possuímos dois corpos, o fluídico, chamado de perispírito e o denso, somático, físico.

O Espírito é o ser inteligente da Criação. Perispírito e corpo são matéria inerte.

O Espírito sente e pensa, imprimindo vibrações no perispírito e vida no corpo físico.

Se por algum motivo o Espírito se desliga completamente do corpo, este morre, decompõem-se e as partículas sub-atômicas que o formavam são devolvidas à Natureza (lei de Lavoisier: nada se cria, tudo de transforma). Neste caso, o perispírito continua revestindo o Espírito.

Qual a relação entre o Espírito e seus corpos?

Os Espíritos agem diretamente sobre a matéria em estado fluídico, por isso, o primeiro corpo do Espírito é o perispírito. Este, por ser material, conecta-se, na gestação, ás subpartículas atômicas que formarão as moléculas que estruturam as células constituindo o organismo corporal de matéria densa.

Então, é a presença do Espírito que agrega a matéria e a mantém organizada e funcionante. Ou seja, não há uma separação entre corpo e alma (Espírito), a não ser na morte do corpo. Há vida enquanto o Espírito, o perispírito e o corpo estão em íntima conexão, formando o ser humano.

Essa unidade tripla que somos nós, estabelece que o sentir e o pensar do Espírito reflitam-se no perispírito vibracionalmente, segundo podemos entender. Porque sendo fluídico, energético, esse corpo reconhecido desde a mais remota antiguidade, deve funcionar à semelhança daquilo que a Ciência chama energia, cuja movimentação é registrada por vibrações.

O Perispírito está conectado na intimidade da matéria densa que forma o corpo somático, ou seja, nas partículas sub-atômicas dos átomos, pois estas são suficientemente sutis para “combinarem” com a sutileza perispiritual. Por isso, as vibrações desse corpo, criadas pelo sentir/ pensar do Espírito, passam automaticamente para essas subpartículas e portanto, para as partículas, destas para os átomos, e para as moléculas, as células e os órgãos.

A Física Quântica corrobora com esse raciocínio ao demonstrar que para cada tipo/teor de pensamento, há reações neurais que disparam funções químicas (neurotransmissores, peptídeos, etc), os quais determinam, nas células, que são verdadeiras usinas, a produção de substâncias correspondentes ao teor emitido pelo Espírito.

Por que o corpo reage assim?

Porque é um organismo feito para funcionar de uma certa maneira. Digamos que é semelhante a uma máquina ou a um computador. Para que funcione direito precisamos saber como usar. E se ativarmos este ou aquele comando, mesmo sem desejarmos provocamos determinadas “reações”, próprias da estrutura funcional do aparelho . Ou seja, por mais que pareça, o computador não é um ser pensante e não tem livre arbítrio. Ele funciona dentro das especificidades em que foi criado. As leis que o regem são as do hardware e dos softwares que o compõem. E não passa disso, por mais sofisticado e amplo que possa ser.

Da mesma forma, o organismo físico que temos, por mais complexo e maravilhoso, funciona dentro das leis físico-quimíco-biológicas da Terra, e não sai disso.

Ter um corpo humano é demonstrativo de que esse Espírito está na fase humana de seu progresso, assim como ter um corpo animal ou vegetal, mostra ser esse o grau evolucional do Espírito. Portanto, a grande complexidade do nosso corpo representa o grau evolutivo que já atingimos, na senda infinita que trilhamos. Espíritos menos evoluídos têm corpos mais simples.

Por mais que não saibamos, racionalmente, como fizemos nosso corpo, fomos nós que o fizemos “a nossa imagem e semelhança” e portanto, ele nos “obedece”. Isso aconteceu na fecundação e no desenvolvimento fetal até o nascimento. Depois, dentro das leis que regem a matéria, o sentir e pensar vão determinando alterações  anatômico-fisiológicas, que resultam num bom ou o mau funcionamento do corpo. A cada dia, melhoramos ou atrapalhamos as funções orgânicas, o fluir natural da vida, mantendo a saúde ou criando a doença.

CARACTERIZADO como ser inteligente, quer dizer capaz de agir, desenvolver-se, criar, manter-se, enfrentar situações adversas, viver, etc, etc, etc, nós Espíritos antes de pensar, sentimos.  A capacidade de sentir é o que mais representa esse conjunto de características que os Espíritos da Codificação quiseram representar pela palavra inteligente. Tanto que disseram que Deus é a inteligência suprema. Certamente não se referiram a diplomas, cálculos ou oratória…

Esse sentir é uma manifestação íntima de cada Espírito, algo lá dentro, que não se expressa em palavras, e que, no geral não é observado. Faz parte do campo das percepções do Espírito.

Depois do sentir, do perceber interno das coisas e situações, vem o pensar ou seja, encaramos racionalmente essa sensação e a vestimos com as palavras. Mas claro…elas nunca expressam exatamente o que foi sentido. No entanto, podem disfarçá-lo pelas mais variadas razões. A maior delas é o medo cultural de nos revelarmos.

O sentir está no âmago dos Espíritos, faz parte de sua natureza desde o momento que se  individualizaram.  É uma sutileza, uma percepção natural e particular de cada um, fruto de sua condição de um ser inteligente. Assemelha-se aos instintos, pela maneira de se manifestar, embora eles sejam uma decorrência, uma consequência dele. Assemelha-se também à intuição. E é uma percepção diferente da razão, das emoções do sentimento e independente do passado e do futuro.

O pensar vem depois, é uma função desenvolvida no decorrer da marcha evolucional pelas espécies, com o desabrochar da memória e da racionalização, sendo manifestada, nos encarnados, pelas funções cerebrais. Por isso pode ser afetado pelas emoções, sentimentos, medicamentos, substâncias químicas, drogas alucinógenas, álcool e alimentos.

Os espíritos não perdem a capacidade da razão, embora ela possa ser afetada, tolhida e transtornada por emoções descontroladas e até por ação de obsessores. No corpo poderá haver lesão cerebral ou não. (Ver Bezerra de Menezes – Loucura sob novo prisma).

Poder pensar não anula o sentir.

Emoções e sentimentos são duas potencialidades desenvolvidas a partir do sentir.

Que são e como são as emoções?

As emoções ou estados de espírito,  são a expressão de um tipo de sentir, fruto de experiências já vividas, ligado diretamente ao corpo físico, nas reações fisiológicas, diante de acontecimentos externos ou de pensamentos. Elas “sobem” rapidamente pelo corpo até chegarem ao mental e podem toldá-lo. São facilmente reconhecidas na região do estômago, de onde se espalham por ondas. Vêm com força e geram transtornos momentâneos, bloqueando a motricidade, a verbalização, a lucidez, dão suores, gagueira e até desmaios.

Embora variem em intensidade, de pessoa para pessoa, porque uns as administram melhor que outros, todos as têm parecidas. Talvez a maior diferença esteja no fato de que há quem as reconheça e distingua umas das outras, lidando melhor com elas, enquanto outros as confundem, pensando por exemplo, que estão nervosos quando estão ansiosos, dificultando assim sua administração.

Emoções chegam e acabam de forma intensa e rápida. São passageiras e podem ser estimuladas, trabalhadas e dominadas racionalmente e até por substâncias químicas. Também podem ser medidas por aparelhos sensores das reações cerebrais e fisiológicas.

Elas deixam seu rastro no corpo. Tênue se forem suaves ou breves e marcas profundas quando negativas e repetidas. Neste caso provocam disfunções e depois doenças, porque sua existência provoca  reações orgânicas cumulativas, de igual teor.

Algumas emoções: irritação, nervosismo, ansiedade, alegria, tristeza, depressão, atração sexual, raiva, medo, angustia, segurança, contentamento, prazer, satisfação, entusiasmo, motivação…

E os sentimentos?

Os sentimentos também são fruto das experiências evolutivas do Espírito e estão relacionados com o nosso temperamento. Vêm de dentro e são exclusivos. Ninguém pode mensurar o amor que sente e comparar com o amor que outra pessoa sente. Também não podem ser medidos por aparelhos. Observamos atos e palavras como efeitos dos sentimentos.

Eles são reconhecidos no peito, expandem-se dele, como se do íntimo do Espírito repercutissem pelo resto do corpo, produzindo sensações crescentes. São duradouros. O pensamento e as substâncias ingeridas, aspiradas ou administradas medicamente não os alteram.  Só a evolução pessoal e da consciência os modifica.

Alguns sentimentos: amor, ódio, orgulho, vaidade, naturalidade, humildade, ternura, carinho, auto-valor, aceitação, rejeição, auto-confiança, amorpróprio, desvalor, coragem, bondade, maldade, paciência…

Nem sempre os sentimentos são amplos e generalizados. Podem ser pequenos e direcionados a alguns focos. Isso depende do grau evolutivo de cada Espírito. Por exemplo, a pessoa pode amar animais e não plantas, ter paciência com idosos e não com crianças.

Às vezes os pensamentos trabalhados podem dar a sensação de que houve alteração nos sentimentos, mas um fato inesperado mostra que só estavam nublados, persistindo ocultamente, ou seja, ainda é necessário trabalhá-los mais, entendendo melhor a si mesmo e o funcionamento da vida.

Emoções e sentimentos podem se manifestar juntos ou não. Um pode disparar o outro.

No geral os confundimos, e achamos, por exemplo, que estamos amando quando sentimos admiração por uma pessoa, ou quando nos sentimos atraídos sexualmente, ou quando a energia dela combina com a nossa, ou quando somos muito bem tratados, ou… Certamente, no passar do tempo descobrimos o equívoco. Às vezes após nos complicarmos… Isso é fruto do estágio evolutivo que temos e também do pouco auto-conhecimento.

O que fazer?

Quem quer iniciar o processo de distinção do que sente, precisa passar a observar-se com respeito, sem julgamentos ou censuras.

A razão é fruto de um aspecto do desenvolvimento espiritual, portanto depende do grau evolutivo. Ela se manifesta pelos pensamentos concatenados e pelos raciocínios. Nos encarnados é reconhecida  através do funcionamento cerebral. Alterações profundas ou extensas do cérebro impedem a expressão e até o uso da razão que o Espírito tenha. Mas não impedem o sentir, as emoções e os sentimentos, que podem ser expressos de outras formas.

Por essa breve e despretensiosa análise, fica entendido porque medicações e outras substâncias, até mesmo alimentos, podem afetar as emoções e a razão e não os sentimentos.

Também não afetam o sentir íntimo, essa percepção sem pensamentos e sem palavras que cada um tem antes de racionalizar, pensar e se emocionar.

Pondo atenção nesses sinais íntimos, valorizando-os, podemos perceber o quanto se costuma por, à frente deles, a “cabeça”, os pensamentos, os condicionamentos, os temores, as opiniões alheias; preferindo optar e decidir contra o que verdadeiramente é bom para nós. Esse é um grande e extremamente útil exercício de auto-conhecimento, crescimento pessoal e de autovalorização.

Fala MEU! Edição 56, ano 2007
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