Arte e música

Oficina de música no centro espírita

Autor: André Goular

“Por outro lado, os ouvintes que o Espiritismo terá educado para receberem facilmente a harmonia, apreciarão, na audição da música séria, um encanto verdadeiro; desdenharão a música frívola e licenciosa que se apodera das massas. Quando o grotesco e o obsceno forem abandonados pelo belo e pelo bem, os compositores dessa ordem desaparecerão; porque, sem ouvintes, nada ganharão, e é para ganhar que eles se sujam.” – Espírito do Maestro Rossini, Revista Espírita, Março 1869.

Apresentação

Colocamos à disposição, através destes conteúdos que consideramos como mínimos, o início de um vasto conteúdo a ser desenvolvido dentro da música em todos os seus aspectos; como já foi colocado pela Espiritualidade em O Livro dos Espíritos:

“A música tem para os Espíritos encantos infinitos, em razão de suas qualidades sensitivas muito desenvolvidas” (L.E q. 251).

Objetivo Geral

Trabalhar a utilização da música em todos seus aspectos, desde o som até as suas combinações que comporão a música propriamente dita.

Objetivos específicos

Incentivar a utilização da música na evangelização;

Trabalhar o receio à implantação de elementos novos na evangelização, conduzindo o evangelizador à discernir os conteúdos e mensagens das músicas para aplicação nas aulas;

Compreensão da realidade psicológica dos evangelizandos por ciclos de evangelização para que o trabalho tenha um direcionamento psico-pedagógico adequado, realidade psicológica essa a ser apresentada pelos monitores;

Mostrar o som como elemento propulsor muito importante (lúdico) para a fixação dos conteúdos;

Propor a utilização de músicas não-espíritas como alternativa (importante) de ferramenta de trabalho e auxiliar a ser aliada à evangelização;

Elaboração/planejamento de aulas, enfocando quanto aos conteúdos abordados durante a oficina.

Vibração e entusiasmo

Vibração e entusiasmo são duas coisas que se completam. Ninguém é vibrante sem entusiasmo. Aquela depende desta. O campo de ação do entusiasmo é tão vasto que difícil se torna abordá-lo, totalmente.

O fracasso de muitos trabalhadores, como de muitos profissionais em qualquer ramo de atividade, se deve única e exclusivamente à falta de entusiasmo. Sem este elemento alguém jamais pode triunfar. Com muita razão já se disse que entusiasmo e vibração são contagiosos. Pessoas que convivem com entusiastas e vibrantes têm tudo para se tornarem assim. O Espiritismo se constitui a melhor terapia para gerar nas pessoas estas qualidades, pelas reformas morais que opera.

Enfatizamos alguns aspectos que reputamos essenciais no condicionamento do entusiasmo:

  1. Crer no que prega Para se ter entusiasmo é preciso antes de mais nada crer. Acreditar no que diz ou no que faz é condição indispensável para gerar entusiasmo. Sendo assim, as pessoas que não acreditam no que falam, nem no que fazem, jamais poderão ser entusiastas.
  2. Falar em coisas verdadeiras – Quem fala em coisas verdadeiras não necessita de sofismas. “Contra fatos não há argumentos” – é um adágio dos mais conhecidos e expressa uma verdade insofismável. Quem mente não possui argumentos, não convence; tropeçando nas próprias palavras e por esta razão, não tem entusiasmo.
  3. Dizer coisas positivas Aquele que diz coisas positivas vive satisfatoriamente e comunica satisfação aos outros. Quem diz coisas negativas condiciona a derrota e vive deprimido. Não acredita em si nem nos demais.
  4. Manter um sorriso franco – Quem fala com expressão alegre demonstra convicção e confiança no que diz. Demonstra satisfação íntima. Comunica bem. A face na maioria dos casos é o espelho da alma. Quem é carrancudo está usando um mecanismo de defesa. Não deseja comunicar-se. Ter bons propósitos – Ter bons propósitos é ter amor e quem tem amor exercita a caridade. A expressão: “Só o amor constrói para a eternidade” – contém uma verdade insofismável e é apanágio dos Espíritos de boa vontade.
    “O entusiasmo é o tempero da vida”.

Conceituação geral

“A influência da música sobre a alma, sobre o seu progresso moral, é reconhecida por todo o mundo; mas a razão dessa influência é geralmente ignorada. Sua razão está inteiramente neste fato: que a harmonia coloca a alma sob força de um sentimento que a desmaterializa. Este sentimento existe em um certo grau, mas desenvolve-se sob a ação de um sentimento similar mais eleva do. Aquele que está privado desse sentimento, a ele é levado gradativamente: acaba, ele também, por se deixar penetrar e se deixar arrastar no mundo ideal onde esquece, por um instante, os grosseiros prazeres que prefere à divina harmonia” (Rossini – Obras Póstumas)

A música é vibração e pode excitar, ou estimular o Espírito, provocando sensações de nível superior, permitindo vibrarmos em sintonia com esse algo superior, despertando a essência Divina que dorme em cada um de nós. Ao vibrar, sintonizamos com vibrações sutis que pululam no Universo. Podemos sentir vibrações que, por outros meios não sentiríamos, emoções novas brotam na alma, levando o Espírito a querer evoluir. A música representa, pois, elevada interação vertical com as esferas superiores da vida universal.

A música pode ser utilizada em conjunto com outras atividades, como nas artes plásticas, no teatro, na dança e em muitas outras atividades.

Com as crianças pequenas, uma bandinha rítmica dará bons resultados. O ritmo está presente na criança desde o seu nascimento. A criança pequena se liga mais ao ritmo que a melodia.

No entanto, a música clássica deve ser utilizada como fundo nas mais diversas atividades em todas as idades, pois auxilia na formação de um campo vibratório de nível superior.

Com as crianças maiores de sete anos, a melodia é fator essencial para se trabalhar a sensibilidade e o estado vibratório do espírito reencarnado.

Introduzamos o canto nas atividades o quanto for possível. Se houver possibilidades, explore a música instrumental: flauta, violão… Procure voluntários na Casa para trabalhar com as crianças e jovens.

“ Queres falar de vossa música? O que é ela diante da música celeste?

Desta harmonia que nada sobre a Terra pode vos dar uma idéia? Uma é para a outra o que o canto selvagem é para a suave melodia. Entretanto, os espíritos vulgares podem experimentar  um certo prazer em ouvir a vossa música, porque não são ainda capazes de compreender outra mais sublime. A música tem para os Espíritos Superiores encantos infinitos, em razão de suas qualidades sensitivas muito desenvolvidas. Refiro-me à música celeste, que é tudo o que a imaginação espiritual pode conceber de mais belo e de mais suave.” (L.E. – q. 251)

Cuidados na escolha da música

A música exerce enorme influência sobre as emoções. Os meios de comunicação como a TV e o rádio, nos impõem todos os tipos de músicas, nem sempre agradáveis ou que despertem emoções nobres.

Devemos oferecer o que temos de mais belo e puro em nossa música, despertando os sentimentos superiores da alma, muitas vezes entrando em sintonia com as esferas mais altas.

Por isso, escolhamos as canções com muito cuidado, tanto para com a letra como para com a música. Escolhamos as músicas que, tanto pela beleza da melodia como pela mensagem da letra, auxilie a educação do Espírito, afinando o sentimento estético da alma.

Fala MEU! Edição 69, ano 2008
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