Arte e música

Os rumos da arte

Autor: Rafael Teixeira

Quando falo em arte eu penso em um meio de levar o ser humano a reflexão e de ele poder expressar e propagar as suas ideias. Penso na grande responsabilidade do artista em se colocar para a sociedade deste modo ao invés de como um entretenimento, uma diversão. Isso de entretenimento que domina a mídia, para mim não é arte, esta mais para o que os filósofos da teoria crítica chamam de “Indústria Cultural”, deixando de lado os verdadeiros aspectos da arte para se tornar mais um produto do mercado, com o único objetivo de gerar lucro. Neste sentido, alguns canais de televisão  possuem mais “comerciantes de música” do que “músicos artistas”. No nosso dia a dia é importante buscarmos o contato com verdadeiros artistas, que nos levem à reflexão, do que vendedores de arte.

Mesmo no contato com aqueles que realmente buscam fazer arte, não gosto muito do que vejo. Nos meios ditos “Cult” e “Underground”, onde os artistas expressam suas ideias e levam a reflexão, longe da influência da mídia, tudo o que vejo é a expressão de uma ideia de pessimismo que se repete persistente. Críticas e mais críticas, como se por não concluir seu próprio pensamento preferem criticar o do outro. Muitas vezes a mesma repetição de uma crítica esgotada, que o artista prefere repetir ao invés de fazer algo para mudar o que o incomoda. Arte que quer contraditoriamente gritar que a vida não faz sentido (se acham que a vida não faz sentido, que diferença faz gritar?faz menos sentido ainda) como se isso fosse aumentá-lo. Artistas que muitas vezes parecem querer que a “irreligião”, a “desespiritualidade”, a “desesperança”, juntas com a imoralidade e ceticismo, sejam pré-requisitos para a intelectualidade. Essa é toda a questão: artistas intelectuais, mas com a moralidade pouco desenvolvida.

Às vezes parece que o mundo da arte esta tomado deste mal. De um lado a “Industria Cultural” e do outro os artistas pessimistas. Mas sabemos que isso não é verdade, sempre tem um artista que se distingue na massa, e uma música que se salva daquele outro cara. Um artista recente que vale a pena citar como exceção é o Fernando Anitelli que faz um ótimo trabalho com o Teatro Mágico, grupo musical que usa vários elementos de dança, performance e visuais. Estas exceções nos fazem lembrar de que existe boa arte por aí e que vale a pena buscá-las.

É claro que um pouco de entretenimento é bom, com as novelas de televisão e músicas americanas da moda, mas vamos manter em mente que a arte está muito além disso e buscar ao menos de vez em quando uma boa arte para nos levar à reflexão e nos ser boa influência.

Peço desculpas se parte dessa matéria saiu muito crítica e pessimista em relação ao nosso cenário artístico, mas é que a arte tem o poder de influenciar as pessoas e ao assistir uma peça de teatro muito pessimista, fiquei assim e quis escrever isto. Acho que faltou ao roteirista daquela peça, como a muitos outros artistas, ler algum livro do Joisten Gaarden, um norueguês que nos seus livros coloca uma dose de filosofia e outra de otimismo, nos lembrando de como víamos o mundo como criança, com os olhos brilhando em cada nova descoberta e a maravilha desse grande mistério que é o mundo. Sem mais delongas, queria fazer um apelo a você que é artista como eu para pensar na importância de sua arte e na beleza da vida, pois o modo como você vê o mundo vai influenciar muita gente.

Fala MEU! Edição 75, ano 2009
Palavras Relacionadas

Comentar

Clique aqui para comentar