Opinião

Otário?

Autor: Glauco Nepomuceno – Fala MEU! Edição 55, ano 2007

“Muito prazer, meu nome é otário.
Vindo de outros tempos, mas sempre no horário…
Peixe fora da água, borboletas no aquário
…muito prazer ao seu dispor.
Se for por amor às causas perdidas
Por amor às causas perdidas…”

Música Dom Quixote – Engenheiros do Hawaii

Afinal, seriam os bons, grandes otários ou não?!

Sempre escuto muitos religiosos copiando os pensamentos de Jesus e divulgando suas idéias sem muitos exemplos práticos. Uma das frases do Mestre muito utilizada por eles é: “Quando alguém bater na sua face apresenta-lhe a outra.” Já um amigo meu de infância, que apanhou muito na escola sem motivo até resolver fazer artes marciais, costuma sempre me dizer “Quando um não quer, dois não brigam. Mas é certo que um apanha!!!”

Aplicar os ensinamentos de Jesus nem sempre é fácil, principalmente quando acatamos suas palavras sem analisá-las e adaptá-las, tomando tudo ao pé da letra. Os pensamentos de Jesus não devem ficar no mundo das ideias. É necessário testa-los assim como a ciência testa suas teorias a fim de compreender melhor o mundo que nos cerca.

Quando Jesus nos orienta para oferecermos a outra face ele quer dizer que devemos DEVOLVER O MAL COM O BEM. Ao contrário do que muitos interpretam, Jesus não quis dizer que devemos ajudar nossos agressores à fazerem violência, muito menos usando os dois lados da nossa cara como sacos de pancada para tal.

O que acontece é que por falta de habilidade não conseguimos devolver o mal com o bem, assim ficamos muitas vezes paralisados “sem saber como agir” o que dá margem para sermos chamados de otários, mas isso pode ser corrigido com perseverança e trabalho.

Se ainda não conseguimos realizar a paz da forma como Jesus nos aconselhou, não devemos nos martirizar, e ou, nos autopunir. A misericórdia é o princípio para novas possibilidades de crescimento.

Ainda nos falta muito, é claro, e é notável a nossa necessidade de aprender mais sobre nossas capacidades, aperfeiçoando cada vez mais nossa habilidade de pacificar a nós mesmos e o mundo em que vivemos.

E para tanto é necessário sair do campo teórico e mergulhar como cientistas no laboratório da vida.

Algumas artes marciais pregam que a força física só deve ser usada em ultimo caso, para proteger a todos, e que um golpe deve ser dado com autocontrole, disciplina e serenidade; nunca “por” ou “com” qualquer sentimento de raiva.

Além da força física existem aqueles que se aperfeiçoam no uso da palavra pacificando conflitos e aproveitando o caos para extrair de cada um as diferentes faces da verdade.

As possibilidades são muitas para atuar no bem, mas para aqueles que assim como eu encontram muitas dificuldades na aplicação do amor de Cristo, o importante é manter a fé e dizer de coração: Muito prazer, meu nome é “otário”… muito prazer ao seu dispor, se for por amor as causas perdidas.

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