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Cobertura – UEMESP 2005

Autor: Thiago Rosa

O que será que as pessoas pensam quando a palavra união é cantada em seus ouvidos?

Para o nosso grande amigo das horas de dúvidas, o Aurélio, união significa “ato ou efeito de unir, junção, união de uma ou mais pessoas”… Para os jovens espíritas, no dia 11 de setembro, união significou mais do que meras palavras escritas no dicionário.

A União dos Encontros de Mocidades Espíritas de São Paulo (UEMESP) que teve a bandeira da unificação levantada pelo coro de 600 jovens dentro do CÉU da Vila Curuçá, significou a quebra de qualquer inimizade entre os departamentos de mocidades espíritas dos órgãos Aliança Espírita, União das Sociedades Espíritas e Confeesp São Miguel.

O objetivo de unir num único evento os três órgãos do movimento espírita, apesar da tarefa árdua e de grandes obstáculos enfrentados pelos organizadores destas três frentes, teve o seu resultado colhido durante um dia ensolarado e marcado pela amizade e o amor para com o próximo conforme os ensinamentos semeados pela doutrina espírita.

Com o tema “Quem Sou Eu?”, as diferentes marchas que compõem o cenário do espiritismo, muitas vezes mais político do que qualquer outra coisa, pôde ser discutida de forma harmônica e tranquila durante todo um domingo. Pelo que a equipe do FM! Pôde comprovar, só temos o que comemorar.

A Chegada:

Perucas na cabeça e anteninhas que faziam lembrar borboletas ornamentadas com sorrisos de orelha a orelha. Era assim a forma que os jovens eram recebidos quando entravam no CEU pela avenida Marechal Tito. O fuzuê alegre já começava ali pela equipe da recepção.

Crachás nominais, coloridos e separados em ordem alfabética mostravam sinônimos de organização e já dava para fazer ideia do que viria pela frente. Surpresas era o que cada participante poderia esperar.

Depois de um café da manhã envolto de festejo, a plenária não poderia ficar mais empolgante quando vimos os jovens acalorados cantar, dançar e pular. Isso mesmo: pular. Para Karina Boscolo que faz parte da Mocidade Espírita Luíza de Abreu Andrade – USE, esta emoção inicial não poderia ser melhor. “Tá maravilhoso, tudo de bom e melhor do que eu esperava. A harmonia entre o pessoal…, tudo maravilhoso”.

Maravilhoso. Apesar dos elogios que temos que nos conter em dar, a impressão que sentimos através dos rostos dos jovens era muito parecida com isso. A energia muito envolvente desde o início tornou o evento atrativo e com ansiedade do inesperado ‘depois’.

Quem sou eu?

No meio de tanta gente envolvida neste ideal é difícil de saber quem é você, quem é ele, ou mesmo, quem somos nós. Mas o UEMESP veio com esta proposta atrativa voltada para o íntimo “eu” e, apesar dos tantos “eus” presentes, o temário que foi passado por diversos monitores, fez com que cada um refletisse um pouco sobre esta pergunta que parece nunca ter solução.

Durante boa parte do tempo, grupos de 26 pessoas discutiam nas 22 salas espalhadas sobre este “eu” que o UEMESP procurou questionar desde o início. Desde a música na plenária, o teatro, o almoço e o encerramento do evento. O tema foi abordado de todas as formas e em todos os momentos, direta ou indiretamente.

Joelson Pessoa que faz parte do Departamento de Mocidade da USE, idealizador do tema e um dos monitores doutrinário do evento, disse acreditar que cada participante saiu do encontro se questionando um pouquinho mais.

“A realização do estudo foi muito bonita, a gente conseguiu sensibilizar o participante, tocar na sua emoção, tocar nas suas preocupações, nas suas ansiedades. E cada participante expondo os seus medos, seus sonhos, fez com que o jovem percebesse que ele não está sozinho e que estamos assim no mesmo barco a procura de solução e a procura de felicidade”, diz Pessoa.

Falha?!

Dizer que um evento preparado para amparar 730 jovens não aconteceu nenhuma falha é como se todos os organizadores se achassem orgulhosos demais. Pontos negativos é difícil falar. Como disse um dos organizadores do teatro, André Valente, que faz parte da Mocidade espírita Luiza de Abreu Andrade – USE, falar de ponto negativo é complicado demais.

“Quando falamos em ponto negativo parece alguma coisa assim que vai prejudicar e eu não vejo nada prejudicial, só vejo que temos algumas coisas que temos que corrigir e isto sempre têm”, disse Valente.

É claro que o empenho de todos os trabalhadores foi algo admirável de se ver e as falhas apontadas entre uns e outros parecem ficar bem pequenininhas quando vemos os pontos positivos de todo o encontro. E mesmo assim, como disse um dos organizadores, Moisés da CONFEESP São Miguel, “os obstáculos foram todos superados e os planos de contingência foram bem eficazes”.

Desta forma, fica até difícil o FM! apontar falhas. No final,     mesmo com a lambuzada do sorvete do Júnior, diretor do DM USE Regional, nada de ruim apareceu para apagar a luz do encontro.

Objetivo

Diante de tanta expectativa ocasionada desde o início quando começaram as reuniões de organização no começo do ano, fica a pergunta: Os objetivos foram alcançados?

Se neste cenário visualizarmos o tema abordado, creiamos que tudo foi passado conforme transpareceu ser. Aliás, as empolgações dos jovens participantes demonstram isso até o último momento do encerramento, que por sinal, foi feito pulando também. Pular, este, de alegria.

Quando falamos sobre a unificação o que se conclui não é nada muito diferente. A experiência serviu muito como lição, principalmente para os líderes de cada movimento. O fato de cada um ceder um pouco, ou seja, abrir mão de tradições ou mesmo pensamentos de organização, fez com que o encontro ficasse marcado pela solidariedade, fraternidade e amizade.

Moisés da Confeesp fala sobre esta expectativa toda. “Pra mim mesmo é um grande marco porque durante muitas gerações, muita gente que veio antes da gente e participou do movimento espírita, sonhou em um dia reunir este pessoal todo e fazer este tipo de trabalho”.

O que se percebe é que o que parecia ser uma tarefa difícil de ser idealizada, ao ser concluída teve os bons frutos colhidos e que futuramente pode ser mais fácil de ser semeado. A doutrina espírita não perdeu nada com isso. Tanto que o exemplo maior é o encontro que acontecerá entre os mesmos órgãos pela equipe de trabalhadores de cada movimento em outubro. O passo dado pelos jovens é uma demonstração de amadurecimento da ideia da unificação do espiritismo, afinal, todos que ali estiveram são acima de tudo espíritas.

Para Edílson Júnior, Diretor do DM USE São Paulo e responsável pelo sorvete que fez fila kilométrica no evento, o UEMESP só teve pontos positivos, só elogios. “Muito bacana, o pessoal maravilhoso, todo mundo participativo e o sorvete ‘10’, pena que até agora eu não tomei o meu – risos.”

De um lado ou de outro as bandeiras que esvoaçavam no alto como principal aceno de cada órgão ficaram muito em paralelo ao que demonstrou ser todo o evento. A presidente da USE Regional São Paulo, Suzete Amorim, que esteve presente ao lado do representante da USE Estadual, Antonio Carlos Amorim, pôde dar uma palavrinha sobre encontro.

“É uma primeira experiência dessa união com os jovens, eu acho isto muito bom e muito bonito, existe um bom entrosamento e eu vejo como um ponto positivo no movimento espírita. Acima das entidades está a causa espírita, a divulgação da doutrina e neste caso não precisamos ter aí as siglas de cada órgão, mas sim esta união em favor da doutrina espírita”, disse Suzete.

Amorim fala que o movimento espírita não precisa ficar preocupado com este tipo de ação: “O importante é que o espírita se entenda, se encontrem e participem juntos. O mais, é detalhe que a gente vence com o tempo”.

Valesca Aguiar, que esteve a frente da Aliança na organização do UEMESP conseguiu de forma sutil definir todo este laço criado: “O positivo deste evento foi a troca de experiência entre os trabalhadores que foi muito produtiva. O laço deve continuar, é importante e o líder de cada órgão está vendo o resultado desta união tanto que eles farão um encontro em outubro da mesma forma que nós realizamos hoje, envolvidos nesta união”.

Fala MEU! Edição 31, ano 2005
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