Reforma Íntima

Perdão

Autora: Leonilda Dimitroff

“Confessais vossas culpas uns aos outros, e orais uns pelos outros para que sareis” – Evangelho de Tiago 5:16

Minha experiência pessoal:

Como todos, tive experiências em que necessário se fez perdoar, pois ainda estou trabalhando meus sentimentos para não me magoar.

Uma foi marcante: foi com meu pai, fiquei sem vê-lo por 16 anos. Não vem ao caso agora contar o que causou tanta mágoa, mas como cada um tem suas verdades, a mágoa foi recíproca. Cada um achando que o erro do outro foi maior.

Fiquei doente, por muitos anos com uma úlcera, que ao cicatrizar, a própria cicatriz provocava outra, resultado deste sentimento que corroia minha alma. Hoje eu sei que meu corpo não se curava pois a chaga existente na alma, lá permanecia.

Graças a Deus, conheci a Doutrina Espírita, que me fez enxergar a vida de maneira mais ampla.

Comecei a pensar no meu pai e no que nos afastara.

Entendi que meu pai agiu da melhor maneira que sabia. Comecei a avaliar a situação do ponto de vista do meu pai, como ele via, no contexto de suas experiências de vida, sua educação, crenças…Compreendi! Não podia avaliar através do meu entendimento, se eu quisesse perdoá-lo, e sim do dele, para que eu pudesse compreendê-lo. Para ele a razão era dele!

E, aqui, lembro a minha querida professora psicóloga da FEESP: “Não olhar os erros da pessoa e sim a pessoa dos erros”.

Lembrei de Jesus, que nos exorta a humildade, para que nosso jugo seja mais leve. Procurei-o, levando à mão seu netinho mais velho e no coração muito amor que ele retribuiu. Nunca me senti tão bem em minha vida!

Combinamos de nos reencontrarmos em breve para que ele conhecesse os outros dois netos e seu genro. Não foi possível!… Pouco tempo depois recebi a notícia de seu desencarne. Mas também em seu velório fiquei sabendo que ele ficou muito feliz com a visita que eu lhe fiz.

Chorei…Muito! Chorei os 16 anos perdidos em que poderíamos ter aprendido tanto um com o outro. Chorei as oportunidades perdidas. Chorei termos mantido um orgulho que só nos fez mal e por tanto tempo!

Aprendi que o orgulho não vale a pena, nem devemos nos colocar em um pedestal por acharmos estar certos. Jesus nos deixou o direcionamento para que possamos ser felizes ao nos recomendar perdoar as ofensas.

Hoje sei que as dores me ensinaram e que elas não foram mandadas por Deus, elas apenas existiram por reflexo de minha imperfeição. Enfim, todas nossas dores e dificuldades têm como objetivo nos despertar para reflexões mais nobres em nossa existência, para que reciclemos nossa bagagem de valores e princípios.

“Reconcilia-te com teu irmão enquanto estais a caminho”, nunca se sabe se amanhã pode ser tarde demais.

Por que perdoar?

O perdão nos liberta para que possamos seguir outras diretrizes.

Prestemos atenção: O rancor nos limita, adoece nosso corpo, nos faz pequenos, voltados para uma visão limitadora.

Quando carregamos no coração o ódio ou a mágoa, nos vinculamos ao ser objeto de nossos sentimentos de maneira profunda, numa troca de energia deletérias e criando necessidade de reajuste para existências vindouras.

Nosso objetivo nessa existência é a harmonia e o equilíbrio, amar ao próximo como a nós mesmos, portanto, cada ser que é “uma pedra em nosso sapato” é um trabalho a ser realizado em nossa mente e em nosso coração.

Não há como fugir à Lei Divina que nos leva para a perfeição, mesmo através da dor.

Devemos perdoar para que mereçamos o direito de sermos também perdoados e assim possamos seguir para outras experiências.

Não é fácil, mas é possível. Roguemos a Deus que nos dê forças em nosso objetivo e comecemos a ver em nosso “rival” um ser também destinado à perfeição, mas hora em aprendizado como nós.

Creio que o 1° passo para isso é não desejar o mal para ele, para em seguida desejar o bem. Quando nos colocamos neste projeto de perdoar, vamos quebrando os laços de energia doentia e viciosa que nos liga ao nosso irmão e que nos proporciona aprendizado através da dor, e a primeira lição que podemos aprender com ele é perdoar.

De mais a mais, lembremos que desconhecemos o nosso passado, nossos delitos de outras vidas. Será que o irmão que hoje é nosso “problema”, anteriormente não foi nossa vítima? Será que não fomos nós que desvirtuamos sua conduta levando-o ao erro que hora nos atinge?

Está na hora de quebrar estes laços, curarmos nosso corpo e alma, nos prepararmos para o mundo de regeneração em que o nosso planeta está para se tornar…

Fala MEU! Edição 74, ano 2009
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