Conscientização

Planeta Terra – Origem e fim

Autor: Luís Sirvinskas

Nós viemos num mundo real, verdadeiro. Por isso, precisamos entendê-lo em sua plenitude. Não foi por acaso que fomos colocados nele para aprender. Esse aprendizado se dá pelo uso da razão. A ciência tem nos ajudado a esclarecer o nosso mundo. Mesmo para aqueles que não acreditam na origem do mundo sob o ponto de vista científico (teoria evolucionista), não deve se afastar completamente dele. Deve procurar entendê-lo. Sua crença divina (verdade religiosa) não deve ser obstáculo à evolução de seu conhecimento (verdade científica). Nós devemos prestar contas um dia de tudo que fizermos e do que deixarmos de fazer para a melhoria do mundo e da humanidade.

Pergunta-se: como originou o planeta Terra? Foi criação divina ou surgiu por acaso?

De acordo com cálculos recentes, o universo tem cerca de 20 bilhões de anos; o sistema solar, 14 bilhões; a Terra, 4,5 bilhões; a vida começou há 600 milhões de anos, os dinossauros viveram há 65 milhões, os grandes símios surgiram há 10 milhões de anos e os humanos há uns 3 ou 4 milhões.

A Terra nasceu, com sua formação atual, graças à colisão com outro planeta, denominado de irmão gêmeo. Essa colisão esfacelou o outro planeta em inúmeros fragmentos e depois foram se juntando, formando a Lua – satélite da Terra. Tal colisão aumentou a órbita gravitacional, fixando o ar atmosférico e a água e tudo que nela continha. O planeta Marte, por exemplo, parecia com a Terra, mas devido a baixa gravidade permitiu que a atmosfera e tudo que nela continha desaparecesse no espaço. Além disso, a distância da Terra ao Sol propiciou o surgimento da vida, diferentemente do que ocorreu com Marte.

A evolução humana, por outro lado, passou por diversas fases. A pré-história durou quase a totalidade do seu tempo. O neolítico teve início há mais de 20 mil anos; o mundo agrário, há 10 mil; a história, há 3.500 anos. A Revolução Industrial tem quase 300 anos, a revolução dos computadores não chega a 70 anos. E no início do século XXI prenunciam-se novas revoluções tecnológicas de grande porte, quase simultaneamente com a nanotecnologia, a biotecnologia etc. (Rose Marie Muraro, Não se come dinheiro, Folha de S. Paulo, Tendências/Debates, de 21/ 02/07, p. A-3).

Demonstra-se, com essa evolução, a intensa modificação da natureza desde a ocorrência do Big Bang há 14 bilhões de anos. Depois de inúmeras explosões da grande massa, formou-se a Terra, onde se propiciou o surgimento da vida por meio de uma série de fenômenos termodinâmicos. Em decorrência desse fato, as alterações biológicas proporcionaram o aparecimento de milhares de espécies animais e vegetais, incluído aí o ser humano — o Homo Sapiens —, cuja característica principal é a inteligência. A partir daí o homem deixou de ser parte do sistema evolutivo e se tornou o grande agente modificador da história de nosso planeta.

Persistem muitas dúvidas que a ciência ainda não conseguiu desvendar, por exemplo, a origem do universo (Big Bang). Os cientistas procuram encontrar uma maneira de comprovar certas questões teóricas e filosóficas. Eles, por exemplo, querem responder perguntas clássicas, tais como: Como surgiu o Universo? Porque as coisas têm dimensões espaciais, além de altura, largura e comprimento? Como se dá o sumiço da antimatéria? etc. São perguntas importantes que podem ser respondidas com pesquisas. Por conta disso, cientistas de todo o mundo resolveram criar uma máquina – denominada de LHC (Grande Colisor de Hádrons) para tentar reproduzir em escala infinitamente menor, o Big Bang. Para isso, foi construído um anel de 27 km na fronteira entre a Suíça e a França numa profundidade de 100 metros que durou quatorze anos ao custo de US$ 10 bilhões. Os cientistas fizeram um feixe de prótons percorrer o túnel com uma velocidade aproximada ao da luz. O primeiro feixe foi disparado com sucesso em volta do anel do superacelerador de partículas. Está programado um choque entre os prótons. Com o impacto, os prótons desapareceriam e surgiriam outras partículas que poderiam ser aquelas descobertas por Higgs, denominada de “bóson de Higgs, a partícula de Deus”, que daria massa a todas as demais matérias. Sabemos que o elétron é 2.000 vezes mais leve do que um próton, mas ainda não se sabe por quê. A hipótese mais aceita sustenta que uma partícula, o bóson de Higgs, é o responsável pelas massas não só dos elétrons e dos prótons como das demais partículas. Cada partícula interage com Higgs com intensidade diversa. É esta diferença que determina a sua massa. É por meio desse experimento que se procurará responder estas perguntas e muitas outras surgirão, mas a evolução da ciência será inevitável. Seja como for, o LHC abre uma janela para uma realidade ainda não conhecida (Marcelo Ninio, Europa dá partida na maior máquina do mundo, o LHC, Folha de S. Paulo, de 11 set. 2008, p. A-22).

Esses dados demonstram que a evolução não é linear; trata-se de uma curva exponencial que governa o curso do universo, da vida e da tecnologia e se acelera cada vez mais rápido. Não é uma reta. É uma curva ascendente, como demonstra a evidência científica semanalmente, mediante novas descobertas. Não se trata de pico (reta), mas de uma evolução gradativa e irreversível (curva).

A espécie humana não é eterna. Isso é certeza científica. José Eli Lopes da Veiga, professor titular do Departamento de Economia da Faculdade de Economia e Administração da USP, alerta que o Sol vai acabar e “se nós não tivermos mudado da Terra e colonizado outros planetas vamos desaparecer. E antes, bem antes de acabar o Sol, qualquer noção que se tenha da teoria da evolução da raça humana não será suficiente para nos mantermos vivos, pois não deixaremos de ser uma espécie como as outras. Não há nenhuma espécie eterna. Estou falando em um prazo de bilhões de anos. Seja a morte térmica, seja uma extinção anterior, temos um prazo de bilhões de anos. O que estamos discutindo é que, dependendo do que fizermos com o planeta, nós vamos abreviar esse tempo” (Desenvolvimento sustentável: nós não somos eternos, MPD Dialógico, ano 4, n. 12, p. 12). O Sol está envelhecendo e esquentando cada vez mais até a sua transformação numa “gigante vermelha”.

Este alerta é importante para que possamos ter consciência da fraqueza planetária. A despeito das catástrofes naturais (tsunamis, erupções de vulcões, terremotos, furacões, ciclones, tufões, tornados etc.), o homem também tem contribuído para a antecipação desse fim e “muito provavelmente”, como restou confirmado pelo relatório do Painel Intergovernamental de Mudança Climática (IPCC), divulgado em abril de 2007.

Como podemos ver, a evolução histórica da Terra e da humanidade passou por muitas transformações. No entanto, a proteção da natureza, apesar de antiga, não tem surtido os efeitos desejados. Para aqueles que acreditam que o meio ambiente é criação divina, devem buscar seu fundamento na Bíblia Sagrada. Assim, o homem será julgado por aquilo que fizer contra a natureza. “A Terra é do Senhor e tudo que há nela; o mundo e todos os que nela habitam” (Salmo 24:1). Continua mais adiante: “Os céus são do Senhor, mas a Terra Ele a deu aos filhos dos homens” (Salmo 115:16). Vê-se, pois, que o homem é mero procurador de Deus na Terra, devendo prestar-Lhe contas de suas atitudes praticadas contra a natureza.

Não importa como surgiu o planeta Terra. Nós, no entanto, não devemos contribuir com o seu fim, pois somos meros inquilinos da Terra. Por isso, devemos protegê-la e entregá-la as futuras gerações em perfeitas condições de uso e prestar contas ao seu único e supremo dono, após usá-la e usufruí-la enquanto permanecermos nela.

Fala MEU! Edição 69, ano 2008
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