Relacionamento e Sexualidade

Pode haver a afeição sexual entre pais e filhos?

Autora: Solange Meinking

“Geralmente, com muitas exceções, aliás, as filhas se voltam para os pais e os filhos para as mães, patenteando a natureza das ligações havidas em existências passadas e prenunciando a obra de desvinculação que se executará, inevitável, no futuro próximo.”

“Pais que sofrem na entrega das jovens que o lar lhes confiou, aos companheiros que as requisitam para o casamento, quase sempre estão renunciando à companhia de antigas afeições que eles mesmos, no passado, mal conduziram; ao passo que as mães experimentam análogo fenômeno, em se separando dos filhos, que lhes recordam, inconscientemente, as ligações empolgantes ou menos felizes de tempos que já se foram.” – Emmanuel, livro Vida & Sexo, capitulo 15.

Freud nas suas investigações analíticas descobriu que na infância de qualquer criança tem um fator de amor e hostillização que lhe chamou atenção. Para esse amor exacerbado, que solicita e exclui o outro, ele denominou de Complexo de Édipo.

Para quem não conhece a História Mítica Grega do Rei Édipo: é que Jocasta era casada com um Rei, e ela tinha dificuldades em engravidar, foi consultar um profeta da sua época, que lhe garantiu uma gravidez de um menino, só que essa criança viria ao mundo, mataria seu próprio pai e se casaria com a sua própria mãe (Jocasta) e tomaria o seu reinado.

Para Jocasta essa maldição não poderia acontecer. Assim que a criança nasceu, mandou que lhe dessem aos camponeses para quebrar essa profecia.

Passaram-se o tempo e o Rei era muito mal, matava as pessoas injustamente. Édipo cresceu e tornou-se defensor do seu povo, e enfrentando  o Rei que era seu pai (e não sabia) o mata e, ao ver a esposa do Rei (sua mãe), se apaixona por ela e com ela se casa e toma o poder. Assim prevaleceu a profecia.

Pois bem, Freud encontrou essa manifestação no comportamento primeiro das crianças entre 3 a 7 anos de idade. O menino se apaixona pela mãe e hostiliza o pai, e a menina se apaixona pelo pai e hostiliza a mãe.

Assim, nós da clinica analítica sempre estamos encontrando esse confronto em família, é um dilema! Vira uma disputa doméstica sem fim. Muitos pais se apaixonam pelos seus filhos e não dão limites a essa paixão virando inferno e perseguição dos futuros namorados ou namoradas dos filhos e filhas.

A clínica analítica tem o papel de analisar e confrontar o comportamento dos envolvidos para comprovar que toda essa disputada é o Complexo de Édipo instalado e que não fora morto na idade que deveria ser que é entre 7 a 8 anos de idade.

Essa criança Edipiana tem que se frustrar com o pai ou a mãe, para que ela possa ser feliz. Caso contrário, esse amor sexualizado, mas não genitalizado (sem ato sexual) estará sempre pedindo a satisfação desse desejo. Como filho não transa com pai e nem com mãe, esse Complexo Edipiano vai destruindo a vida psíquica desses filhos e tira a harmonia de qualquer lar.

A menina que se apaixona pelo pai, será difícil encontrar uma imago (ideal masculino) que o substitua, assim é também com o menino. Daí constatarmos tantas relações sendo destruídas, em nome dessas figuras fantasmagóricas que não encontram seu ponto de equilíbrio. Como essas reações são inconscientes, pois o Édipo se instala na vida psíquica da criança, ela internaliza e transforma em comportamentos hostis (rivalidade) ao pai se for menino e à mãe se for menina.

Muitos Complexos de Édipo são estimulados pelos carinhos exacerbados que os pais dispensam aos seus filhos. Beijos em excessos, carinhos excessivos e que despertam os sentimentos libidinosos, se transformado em Complexo de Édipo. Somos seres ainda em evolução, por isso o apelo sexual ainda é muito grande quando as carícias se fazem presentes demais.

A criança precisa ter limites inclusive nos carinhos, para que esses não venham lhes despertar reações sexuais muito cedo, despertando a raiva de não poder ter o pai ou a mãe na cama.

Já tive muitos jovens na terapia com muito rancor, por sentir prazer na masturbação pensando na mãe, e a menina em masturbar-se pensando no pai. São os pais que deverão ter o controle desses sentimentos, são eles os educadores dessa nova alma encarnada na terra.

Nosso conselho como Psicanalista é que os pais evangelizem seus filhos e lhes deem carinho e amor com limites, sem excessos. Todo excesso é patológico e gera patologias.

Fala MEU! Edição 66, ano 2008
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