Assuntos Diversos

Por que… carnaval?

Autor: Luiz Trindade

“A persistência ao longo do tempo não é a característica chave que define a tradição, ou seu primo difuso, o costume. As características distintivas da tradição são o ritual e a repetição.” – (Anthony Giddens, Mundo em Descontrole)

O Brasil é o país do carnaval, justamente por isso esta edição do FM! não poderia deixar de comentar umas das maiores festas do globo. O lado ruim do carnaval todos do meio espírita já conhecem. Pessoas bebendo até cair, muitos acidentes. Enfim, as pessoas aproveitam para fazer tudo aquilo que não têm coragem de fazer durante o ano todo. Sem esquecer aquela brincadeira que explica o porquê de maio ser o mês das noivas.

Como toda moeda, o carnaval também tem dois lados, que seria o estilo de rua da festa, em que pessoas trabalham nas escolas de samba durante um ano inteiro para poder oferecer um bom espetáculo ao público. A energia gerada nesse ambiente é muito positiva, proveniente de alegria, entusiasmo, harmonia, e união. Infelizmente, a minoria das pessoas aproveita o carnaval desta maneira. A maioria das pessoas preferem ir a clubes encontrar-se com todo aquele lado negativo já conhecido.

A fim de encontrar uma causa para tudo isso, fui em busca da origem da festa de carnaval. Aqui está ela: nas religiões cristãs, a quaresma constitui um período de purificação, em que, entre outras coisas, era proibido qualquer tipo de manifestação comunitária (festas) e em que também se cessava o consumo de carne. Sua duração ia desde a quarta-feira de cinzas até o domingo de páscoa. Os povos então começaram a realizar uma festa às vésperas da quarta-feira de cinzas para celebrar a última delas que ocorreria antes da quaresma. Nela, as pessoas faziam tudo aquilo que não poderiam fazer no período que se iniciaria no dia seguinte.

Analisando os fatos, descobrimos que as maneiras com que se aproveitam o carnaval mudaram, mas o propósito da festa continuou inalterado através dos tempos. As pessoas usavam – e ainda usam – o carnaval como uma espécie de descarga de suas emoções. O que elas não percebem é que essa atitude – e outras dessa mesma linha – não colabora em nada com o processo evolutivo do espírito e muito menos com a proposta da reforma íntima.

Sendo assim, não adianta apenas relatar os pontos negativos do carnaval, ou então, de vez em quando, ressaltar os positivos sem, com isso, mudar a atitude em relação à festa de maneira construtiva. O propósito dessa festa deve ser mudado. Nós podemos nos divertir de maneira saudável, pois a purificação pela qual temos que passar não acontece apenas no período da quaresma, mas sim durante toda nossa vida, seja ela encarnada ou não. Em vista disso, proponho que nós mudemos a tradição. A visão que temos do carnaval pode ser do jeito que nós nos propusermos a adotar, basta que nós mudemos nossa atitude em relação a ele.

Fala MEU! Edição 48, ano 2007
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