Assuntos Diversos

Quanto vale uma vida?

Autor: Rodrigo Prado

Há um dito popular que fala que há três assuntos que não se discutem : religião, futebol e política; mas será que é mesmo verdade isso?

Sobre a religião, cá estamos nós, numa revista espírita para jovens, onde a todo momento falamos de religião, mesmo que a palavra não seja empregada, pois relembrando, religião está relacionado a religar-se com Deus, então se a discussão girar em torno disso, será muito saudável, agora quando cair para o proselitismo, ou seja, querer falar que a minha religião é a melhor, e que as outras são ruins, ou não tão boas assim, nada mais estamos fazendo do que repetir os mesmos erros que a história não cansa de nos mostrar, onde religiosos fizeram grande genocídios em nome das religiões.

Quando o assunto é futebol, a mídia sempre diz que essa é a grande paixão nacional, mas prefiro pensar que isso é por falta de opção, já que no país parece que os outros esportes não são importantes. Mas mais uma vez o respeito é fundamental nessa questão, e ao afirmar que um só time é o melhor, é o mesmo que dizer que só ele deve ser prestigiado, e teoricamente todos devem torcer pra ele, porém agindo assim, esquece-se que um jogo não se faz com um time só, é preciso ter no mínimo dois times, e um bom campeonato, se faz com a participação de vários times. Logo se percebe que o outro não é inimigo, pode não ser amigo ainda, mas é importante para que também o nosso time do coração exista, pois sem adversários, não haverá jogo.

E finalmente a questão política, que só de ouvir, muita gente torce o nariz, e alguns poderão até parar de ler esse artigo a partir de agora, tamanha sua insatisfação, revolta, ou indiferença com o assunto. Mas novamente a questão do respeito é fundamental, e mais do que isso, lembrar que a política reflete a sociedade em que vivemos, que tem suas coisas boas e outras ruins, pessoas honestas e outras não, e da mesma forma que não existe ainda no estágio que nos encontramos pessoas perfeitas, não existe também políticos perfeitos, o que nos faz ser um pouco mais realistas e colocar os dois pés no chão, lembrando um dos ensinamentos dos espíritos, que não existe milagres, e logo, nenhum político conseguirá resolver todos os problemas da sociedade de uma só vez, pois os problemas são muitos, e tanto eles como nós ainda somos bem falhos.

Mas isso não quer dizer que devemos nos conformar e aceitar as coisas como estão hoje, nós podemos e devemos fazer a nossa parte, o que dá trabalho é verdade, mas o que não dá trabalho nessa vida? Mas depois os frutos vêm, e aí percebemos que todo o nosso esforço valeu apena. Cada um de nós, em sua posição em que se encontre, pode ajudar, e para isso terá que arregaçar as mangas e botar as mãos na massa, e estar disposto a se molhar, pois “quem está na chuva vai se molhar”, e precisamos estar consciente disso, que só há mudança com muito esforço.

Um exemplo disso é a história de milhões de pessoas que vêm lutando pela defesa da vida dos bebês em nosso país, luta essa que muitas vezes, requer mais que esforço e dedicação, é preciso ter muita fé em Deus. Ao longo dos últimos quatro anos essa revista trouxe vários artigos tratando dessa questão da vida, falando da importância dela, do direito que todo ser humano tem de viver, direito esse previsto pela Constituição da República, em seu artigo quinto; das consequências do aborto para o espírito abortado, para a mãe que abortou, médicos, enfermeiros, e sociedade como um todo. E sobre esses que lutam por esse ideal da vida, sito a seguir duas pessoas, que por conta dessa escolha, foram perseguidos e punidos, mas nem por isso desistiram de seus ideais, de acreditarem que a vida é realmente o bem mais importante que temos enquanto encarnados e não pode ser banalizada. No dia 21 de setembro, um assunto no âmbito da politicagem (e perceba bem, que não escrevi política, que é outra coisa) causou indignação de muitos que souberam do fato ocorrido com o Deputado Federal Luiz Bassuma (BA), que também é Presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Vida – Brasil Sem Aborto, e o Deputado Federal, Henrique Afonso (AC). O Diretório Nacional do partido do qual eles eram filiados, decidiu por unanimidade suspendê-los, devido a eles se manifestarem contra a legalização do aborto, prevista pelo projeto lei 1135/1991, que descriminaliza o aborto, ou seja, liberando o aborto para ser feito por qualquer motivo até os nove meses de gestação.

O motivo da suspensão se deve aos integrantes do diretório entenderem que os deputados infringiram a ética partidária ao “militarem” contra a resolução do 3º Congresso Nacional do PT, a favor da descriminalização do aborto. Bassuma teve seus direitos suspensos por 1 ano e Henrique Afonso por 90 dias. O relatório da Comissão de Ética do partido, recomendava punição mais severa a Bassuma, sob o argumento de que o parlamentar demonstrara intolerância em relação a quem se posiciona a favor do aborto. Já Afonso, pastor da Igreja Presbiteriana Brasileira, é visto como “mais equilibrado” na questão.

Bassuma, que é espírita, e preside a Frente Parlamentar pela Defesa da Vida e apoiou a Terceira Marcha Nacional da Cidadania pela Vida, em Brasília, no mês de agosto, contra o aborto, e também esteve na manifestação da Praça da Sé, em São Paulo, em Março, disse: “Eles dizem que sou radical. Mas não tem meia vida, meio aborto. Então, não aceito a meia punição”. Em seu blog (www.bassuma.com.br/ noticias/prg_not_exi.cfm?cod=118) diz “A Constituição diz que ninguém será privado de direitos por defender questões filosóficas, religiosas ou políticas”.

Não quero com esse artigo criticar o partido, que é citado por estar no contexto dessa questão com os dois deputados, quem quiser que depois se informe mais no site do partido para tirar suas próprias conclusões. A questão aqui é o respeito a vida, direito esse fundamental, e nesse sentido, acredito que todos que a entendem como fundamental, não podem simplesmente ficar “sentados na poltrona de um apartamento esperando a morte chegar…”, é preciso fazer algo. O que? Aí cada um é que poderá avaliar o que está ao seu alcance, mas como exemplo cito mais uma história, onde certo dia numa conversa com uma companheira no centro espírita, que é assistente social por profissão e trabalha num posto de saúde da prefeitura da capital paulista; a mesma me relatou que estava angustiada, pois estava sendo obrigada a entregar a pílula do dia seguinte, medicamento abortivo, para as pacientes que pedissem, pois segundo ela foi criada uma lei que caso o profissional se negasse a entregar o tal medicamento, seria mandado embora. Nesse intuito pude acalmá-la ao informarlhe que se a tal lei existe, é inconstitucional por ser contra o que consta no artigo quinto da Constituição Federal, e arrematei informando ainda que no item VIII do tal artigo, está declarado que “ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei”. Tranquilizada com essas informações, a amiga assistente social, desde então não mais entregou a tal pílula, e mais do que isso, vem conscientizando quanto a prevenção da gravidez através do uso do anticoncepcional, da camisinha, e do tão importante planejamento familiar.

Exposto tudo isso, encerro te questionando leitor: E você, qual será a sua ação a favor da Vida? Mas lembre-se de que não existe vitória sem luta, e de que muito será cobrado a quem muito foi dado.

Fala MEU! Edição 80, ano 2009
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