Doutrina Espírita

Reflexões urgentes para uma discussão inadiável

Autor: Joelson Pessoa

“Tornada adulta, a Humanidade tem novas necessidades, aspirações mais vastas e mais elevadas; compreende o vazio com que foi embalada, a insuficiência de suas instituições para lhe dar felicidade; Já não encontra, no estado atual das coisas, as satisfações legítimas a que se sente com direito. Despoja-se, em consequência, das faixas infantis e se lança, impelida por irresistível força, para as margens desconhecidas, em busca de novos horizontes menos limitados”. – A Gênese (Cap. 18 item 14)

Para que existe a U.S.E? (União das Sociedades Espíritas)

As pessoas que representam o ideal da instituição estão correspondendo às suas finalidades primaciais, sonhadas há décadas atrás?

“Se alguém confia de si mesmo que é do Cristo – pense outra vez isto consigo” (Paulo, 2ª Coríntios 10:3-7)

No estado de São Paulo o movimento é fragmentado, sob a direção de várias entidades. Não obstante a USE significar a União das Sociedades Espíritas, e representar o movimento espírita do estado de São Paulo no Conselho Federativo Nacional da Federação Espírita Brasileira, apenas uma parcela das casas espíritas albergam-se sob a sua legenda. Podemos reconhecer facilmente, mormente na Grande São Paulo (onde está metade da população paulista), que mais da metade das instituições espíritas estão adesas a outros órgãos de unificação, ou se conservam afastadas de qualquer movimento organizado.

No meu modo de compreender as coisas, nenhuma inconveniência existe na pluralidade de organismos promocionais do movimento. Problema premente há sim na comprovada incapacidade de diálogo e convivência entre seus lidadores. (Desconsideremos as cenas políticas em que representantes desta e daquela entidade se encontram apenas em solenidades e apertam-se as mãos diplomaticamente (este é o adjetivo mais justo?), sem que com isto, tome parte o coração.

Cresci ouvindo referências depreciativas sobre “os movimentos paralelos” e frases vaidosas como “Nós somos a entidade oficialmente reconhecida, quando ‘eles’ quiserem, juntar-se-ão a nós”.

Os jovens espíritas do estado paulista por estarem organizados de maneira peculiar, gozando de maior liberdade e autonomia, adota caminho digno de referência: estamos treinando o desapego do sectarismo institucional e ampliando os limites das nossas movimentações, encontra-nos com as lideranças de algumas entidades unificadoras, conhecemo-nos,

confraternizamo-nos e comungamos os ideais traçando projetos em comum. Tal experiência resultou na 1ª. UEMESP, em 2005, concentrando as mais importantes realizações juvenis da Aliança Espírita Evangélica, CONFEESP S. Miguel e USE (no âmbito da capital), atraímos cerca de 700 jovens e o sucesso foi tal que a 2ª edição está marcada para o 12 de outubro do próximo ano.

Entre os jovens mais envolvidos neste processo, percebe-se que o apego ao seu núcleo, transforma-se, universalizando-se em fraternidade cristã e propaga-se em derredor. O foco, que antes era centrado nas críticas às diferenças, reajusta-se na valorização das mesmas, devido aos aprendizados novos que ensejam.

Adentrando às reuniões administrativas das instituições, (USEs) distritais, municipais, intermunicipais, regionais e Estadual) surpreendemos um ambiente desalentador: uma grande maioria de representantes fatigados, apáticos e inexpressivos. Salvo exceções, as reuniões não produzem, não criam, não inventam, não reformam, não experimentam, não ousam, não idealizam… Patinam nas mesmas questões de sempre, algemados às mesmas abordagens, porque refletem os mesmos pontos de vistas.

Falta lucidez e entusiasmo para caminhos novos… Como essa expressão é anatematizada. Por quê?

Eu, pessoalmente, há 23 anos estudando o Espiritismo e participando do movimento espírita, não tolero mais ouvir sobre Unificação, são tantas palestras, discursos, encontros, artigos, simpósios, seminários e recentemente o Congresso Estadual, teorizando demasiadamente aquilo que merece estágio prático, o que é vivenciado com deplorável timidez.

Contraditoriamente o estado de São Paulo, com mais de 20% da população brasileira e representando o maior movimento espírita do país, viu um congresso estadual ‘esvaziado’, com pouco mais de 200 participantes (descontado o público que só compareceu para ver e ouvir os oradores ilustres), mas ainda entre estas 2 centenas inscritas no congresso, quantos demonstravam apatia e desinteresse… Meu Deus, isto não está legal!

Já o movimento espírita vivenciado pela mocidade movimenta-se operoso, discutimos todos os “tabus” e não deixamos que o comodismo, travestido de cautela, constitua empeços à qualidade e dinamismo dos trabalhos. E ainda identificamos o quanto há por fazer.

Sentindo a necessidade de projetos que possibilitem uma maior profundidade nas incursões de autoconhecimento e reforma íntima, o Departamento de Mocidades da USE experimenta 2 projetos: o método Evangelização de Espíritos e a Pedagogia do Afeto.

Enquanto o primeiro, nascido em Sacramento /MG e inspirado em Eurípedes Barsanulfo, atravessando a fronteira do estado, mereceu a atenção de diversos estudiosos no noroeste e sudoeste de São Paulo, avançando da periferia para o centro; a Pedagogia do Afeto, inspirada nas obras de Ermance Dufaux, germinou na capital e propaga-se para o interior. Em novembro reuniremos jovens líderes do movimento estadual e dedicados tarefeiros para discutir e vivenciar o tema: Pedagogia do Afeto: O Espiritismo por Dentro.

Lamentavelmente a USE escolheu não apoiar tais iniciativas. Sobram críticas de uns e indiferença de outros. Incompreensivelmente a ‘cúpula’ useana enxerga esses projetos como nocivos aos centros e ao movimento. Por quê? Incompreensivelmente não organizaram ainda um grupo sério para estudos destas ideias, a fim de extrair concepções mais justas, como já estão fazendo outras entidades. Incompreensivelmente optam por marginalizar ambas as correntes que para nós, significam uma expressão revitalizadora para o movimento e um progresso, no campo do autodescobrimento, da percepção da individualidade, da contextualização da reforma-íntima.

Contudo, parecem não perceber a realidade: desprezando estes acontecimentos, creem que estão afastando ‘coisas ruins’ do movimento. Mas é o contrário o que se verifica: A USE é que se marginaliza, distanciando-se voluntariamente das questões mais palpitantes que por ora são mais intensamente estudadas nas mocidades.

Não há dúvida sobre o momento em que estamos, urge refletirmos bem, de posse de todas as informações para uma discussão inadiável. Reunir todos os interessados e revermos juntos a USE e o movimento em seus conceitos, finalidades, meios e resultados. A USE estaria dispensada de reformar-se?

Fala MEU! Edição 56, ano 2007

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