Doutrina Espírita

A “religião” do amor

Autor: André Gandolfo

Durante todo o século XVIII, a França se ergueu como o farol intelectual da civilização ocidental. Para lá iam artistas, professores, filósofos e cientistas. Apesar do esbanjamento e da corrupção da corte, Paris foi, desde muito tempo, a capital europeia mais atrativa para os intelectuais do continente. Juntamente com a Alemanha, sua maior rival, a França era quem dirigia os rumos do intelecto humano, e foi com o Iluminismo que Paris passou ser conhecida como “a Cidade Luz”, pois, depois de tanto tempo à mercê dos ditames do clero e da aristocracia, o homem era incentivado a ser independente, a pensar com a própria cabeça. “Todos os homens são iguais”, era o slogan do Iluminismo, que nasceu e teve suas maiores consequências em solo francês.

E lá na França, nasceu Hipollyte Denizard Rivail.

Rivail era bacharel em Letras e Ciências, e um dos seguidores de Pestalosi. Cognominado Allan Kardec, ele deu início a uma nova filosofia, seguida de observações das ditas “mesas girantes” e outros fenômenos que divertia e impressionava a corte. Codificada em 18 de Abril de 1857, no centro do mundo intelectual da época, (como disse no início), nasceu a Doutrina dos Espíritos, ou simplesmente Doutrina Espírita.

As ideias básicas da Doutrina Espírita são: A existência de Deus como Criador do Universo; A existência e sobrevivência do Espírito; Intervenção dos Espíritos no mundo corporal; A justiça divina expressa na Lei de Causa e Efeito; Evolução Universal constante e progressiva a que seres e mundos estão sujeitos; A pluralidade das existências baseada nas oportunidades repetidas da reencarnação; A pluralidade dos mundos habitados representando a humanidade cósmica.

Ela, diferentemente das outras religiões se preocupa em libertar o homem das amarras materiais e despertá-lo para a realidade do Espírito. Não trás consigo nada de ritual ou místico, o Espiritismo não é relacionado a nada de exterior, pois visa somente a transformação interior.

Sendo ela o Consolador Prometido por Jesus de Nazaré, precisa chegar à todos indistintamente. Isso não significa que todos tenham que ser espíritas para se libertarem, mas a mensagem do Amor tem que chegar à todos os corações em toda parte da Terra. O Espiritismo não foi feito para os espíritas, pois é uma luz que ilumina o Mundo.

O Espírita deve ser compreensivo, tolerante, paciencioso, humilde (não submisso, que é diferente), carinhoso, cuidadoso e principalmente amoroso. Os espíritas não podem perder da vista o conhecimento que tem nas mãos. Ele deve abrir as portas do seu coração para que TODOS desfrutem da sua riqueza moral e intelectual, pois já conhece a mensagem libertadora das almas.

Para falar de amor a uma pessoa de outro credo você precisa dizer “Doutrina Espírita”? De forma alguma. Diz Sathya Sai Baba: “Minha religião é a religião do amor”. Isso basta.O amor é Universal, e sua mensagem não quer cognomes ou denominações, é simplesmente amor. A Doutrina Espírita é luz que deve ficar no candeeiro para iluminar os olhos de quem só tinha sobre a retina a escuridão, é como rio que corta de norte a sul para que quem passar por ele e tiver sede, sacie-a de uma fonte fecunda.

“A religião do futuro será cósmica e transcenderá um Deus pessoal, evitando os dogmas e a teologias” – Albert Einstein.

Fala MEU! Edição 71, ano 2009
Palavras Relacionadas