Doutrina Espírita

Revue Spirite, journal d’éstudes psychologiques

Autor: Rodrigo Prado

Revue o que?

Não entendeu direito o título desse artigo? Pois bem caro leitor e leitora, esse foi o título dado por Allan Kardec, a uma revista editada mensalmente por ele, a “A Revista Espírita – Jornal de Estudos Psicológicos”, sendo a primeira edição publicada em 1º de janeiro de 1858, ou seja, nesse mês de janeiro de 2008, ela fez aniversário, cento e cinquenta aninhos.

A Revista Espírita (que chamaremos aqui de R.E) foi publicada apenas oito meses depois de O Livro dos Espíritos, lançado em 18 de abril de 1857. O motivo para a criação dessa revista mensal, quem explica é o próprio Kardec que diz na introdução da R.E. de Janeiro de 1858 que é de “espantar-se, com razão, que, enquanto na América só os Estados Unidos possuem dezessete jornais consagrados a essas matérias, sem contar uma multidão de escritos não periódicos, a França, o país da Europa, onde essas ideias foram mais prontamente aclimatadas, não possua um único (só existindo na Europa um único jornal consagrado à Doutrina Espírita, o Jornal da Alma, publicado em Genebra pelo doutor Boessinger). Não se poderia, pois, contestar a utilidade de um órgão especial, que mantenha o público ao corrente dos progressos desta ciência nova, e o premuna dos exageros da credulidade, tão bem quanto contra o ceticismo. É essa lacuna que nos propomos preencher com a publicação desta revista, com o fim de oferecer um meio de comunicação a todos aqueles que se interessam por estas questões, e de ligar, por um laço comum, aqueles que compreendem a Doutrina Espírita sob o seu verdadeiro ponto de vista moral: a prática do bem e da caridade evangélica com relação a todo o mundo”.

Por acreditar que a R.E. seria um jornal muito importante, Kardec resolveu publicar a primeira edição por conta própria, arcando com todas as despesas – que não foram poucas -, sem ter falado nada para ninguém e nem contando com nenhum assinante, e para a sua surpresa a revista foi um sucesso, tendo toda a tiragem dessa primeira edição sido vendida rapidamente; daí então, todo mês a tiragem sempre era maior do que a do mês anterior, pois muitas foram as pessoas que passaram a assinar a revista, inclusive pessoas de outros países da Europa, assim como da América do Norte, África e Ásia.

A custa de muitos esforços, passando várias noites às claras, porém lhe sendo esse um trabalho muito prazeroso, Kardec editou a revista espírita durante onze anos e três meses, mais precisamente até o dia 31 de março de 1869, data essa em que veio a desencarnar, todavia já se encontrava pronta a edição de abril e que posteriormente foi publicada.

Particularmente considero a Revista Espírita muito importante, tão importante quanto as chamadas obras básicas, e talvez, com exceção de O Livro dos Espíritos, ela seja mais importante do que as demais, pois muitos dos artigos dessas obras, vieram da R.E., basta ler “O Livro dos Médiuns” e ver o tanto de referências feitas por Kardec à R.E., basta ler o “Evangelho Segundo o Espiritismo” e reconhecer os diversos artigos publicados na R.E., que dirá então da obra “O Céu e o Inferno ou a Justiça Divina Segundo o Espiritismo?” e a obra “A Gênese, os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo”, essas duas obras praticamente se encontram publicadas nas páginas da R.E.

Embora seja muito importante o estudo da R.E., os seus doze livros são muito pouco conhecidos e estudos pelos espíritas, basta perguntar no centro ou mocidade quem os conhece, quem já leu algum desses livros ou trechos deles; é até “engraçado”, mas é capaz de se ter como resposta a essa pergunta, um “sim”, e digo engraçado, pois muitos espíritas confundem a R.E. com as revistas espíritas vendidas nas bancas de jornais, erro esse que eu já cometi no passado, pois logo que entrei no espiritismo, durante a semana de jovens espíritas da Penha (SEJES-PAR) a amiga Patrícia Sato fez uma grande divulgação da R.E., e eu todo contente achando que ela estava falando de uma revista espírita de sucesso na época vendida nas bancas de jornais que eu tinha lido, rs…

Confusões a parte, a “legítima” Revista Espírita foi um marco na época e ainda a continua a ser. Kardec escreveu ainda na primeira edição que “a apreciação razoável dos fatos, e das consequências que deles decorrem, é, pois, um complemento sem o qual a nossa publicação seria de uma medíocre utilidade, e não ofereceria senão um interesse muito secundário para quem reflita, e quer se inteirar daquilo que vê. Todavia, como o nosso objetivo é chegar à verdade, acolheremos todas as observações que nos forem endereçadas, e tentaremos, quanto no-lo permita o estado dos conhecimentos adquiridos, seja levantar as dúvidas, seja esclarecer os pontos ainda obscuros. Nossa revista será, assim, uma tribuna aberta, mas, onde a discussão não deverá jamais desviar-se das leis, as mais estritas, das conveniências. Em uma palavra, discutiremos, mas não disputaremos.”. É interessante ver a humildade de Kardec ao dizer que seu objetivo era chegar à verdade, ou seja, ele não tinha a verdade absoluta, uma grande lição essa a muitos espíritas que hoje se julgam senhores da verdade quanto aos ensinamentos espíritas, onde muitos afirmam que os espíritos já disseram tudo que era necessário e não há mais nada a aprender; outra fala importante de Kardec nessa passagem é que ele diz que discutirá e não disputará, ah… como seria bom se os espíritas lessem, refletissem e praticassem isso, pois muitos dos problemas que existiram e existem no meio espírita seriam evitados.

Uma curiosidade que talvez alguém tenha se perguntado é o porquê a revista ter o subtítulo: “Jornal de Estudos Psicológicos”? Para responder a essa questão vejamos novamente a explicação de Kardec, ao dizer que “nosso quadro, como se vê, compreende tudo o que se liga ao conhecimento da parte metafísica do homem; estudá-la-emos em seu estado presente e em seu estado futuro, porque estudar a natureza dos Espíritos, é estudar o homem, uma vez que deverá fazer parte, um dia, do mundo dos Espíritos; por isso acrescentamos, ao nosso título principal, o de jornal de estudos psicológicos, a fim de fazer compreender toda a sua importância”.

Com a desencarnação de Kardec, a R.E. permaneceu sendo publicada na França, com interrupções apenas entre 1915 e 1917, devido à Primeira Guerra Mundial, entre 1940 e 1947, devido à Segunda Guerra Mundial e entre janeiro de 1977 e maio de 1986 pelo abandono do título. Em 11 de maio de 1989 a Union Spirite Française et Francophone (USFF) – União Espírita Francesa e Francofônica – obteve o registro oficial da R.E. e reiniciou a sua edição em conjunto com o Conselho Espírita Internacional (CEI). Hoje a Revista Espírita é editada em francês, esperanto, espanhol, inglês, polonês e russo, mas “curiosamente” não é editada em português, mesmo o Brasil sendo o país com mais espíritas do mundo, mesmo sendo a FEB (Federação Espírita Brasileira) a responsável pelas impressões da R.E. nas outras línguas.

Falar da Revista Espírita é algo muito prazeroso, principalmente após tomar contato e estudá-la, pois o leitor então percebe o quanto essas obras são ricas, logo muito podemos aprender com elas, seja por ser um documento histórico retratando a segunda metade do século 19, seja por trazer diversos assuntos, dos mais curiosos aos mais sérios, como por exemplo, a vida dos seres humanos em outros planetas mais evoluídos, como são suas casas que flutuam e os animas que tem uma inteligência bem superior a que conhecemos, caso esse o do planeta Júpiter, que os espíritos afirmaram ser o mais evoluído do sistema solar.

Espero que o amigo e amiga leitora se motivem a estudarem essa coleção que compõe a R.E., a redação do FM! sabe o quanto isso importante, haja vista os diversos artigos já publicados pelo amigo Joelson Pessoa. Bom estudo galera!

Referências          

-Revista Espírita, ano 1858, Janeiro, item Introdução

-http://pt.wikipedia.org/wiki/Revista_Esp%C3%ADrita

– Revista Reformador, ano 126, nº2.146-Janeiro de 2008, matéria com Roger Perez

http://www.union-spirite.fr/

Fala MEU! Edição 59, ano 2008

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