Conscientização

Se eles pudessem falar, o que diriam?

Autor: Rodrigo Prado

Ao longo da existência da humanidade na Terra, muitas injustiças foram cometidas com as pessoas, e sempre os que mais sofreram foram aqueles que não tiveram como se defender, seja, por falta de dinheiro, poder, posição social, doenças, força física, etc. Os mais fracos muito padeceram na mão dos mais “fortes”. Os milhares de filmes e livros publicados nos contam e mostram com muitos detalhes todas essas iniquidades, onde muitas somente através de muito tempo foram superadas.

Mas será que estamos livres de vermos as “injustiças” aos seres humanos se findarem?

Atualmente no Brasil, uma grande polêmica está em discussão, podendo vir se concretizar dentre alguns dias, que é a permissão do assassinato de bebês em gestação pelos “pais e médicos”. Os pequeninos indefesos poderão ter suas vidas interrompidas pelos “pais”, mas daí pergunto : – Qual é mesmo a maior incumbência dos pais para com os filhos? Segundo a visão da Doutrina Espírita, os espíritos dizem que Deus dá aos pais, filhos para que eles cuidem, eduquem, ajudem na transformação moral e intelectual destes, mas isso só é possível se os filhos nascerem, correto?

O artigo 5º da Constituição Federal do Brasil, diz que o direito à vida é inviolável, ou seja, não se pode transgredi-lo, tendo todos os o direito de viver, independente da vontade de outra pessoa – sendo ela quem for. Porém, embora o referido artigo da Constituição Federal Brasileira, atualmente trafega na Câmara dos Deputados (onde os deputados Federais votam as leis para todo o Brasil) o projeto lei 1135/91. Em essência o Projeto Lei quer que seja removido do Código Penal Brasileiro (conjunto de leis que prevêem o que é um crime no Brasil e quais os seus tipos) o seu artigo 124 que diz que : “Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho cometa é crime” e assim esse ato deixará de ser ilegal e qualquer um poderá cometê-lo.

A grande maioria de nós sabe quais os esclarecimentos do Espiritismo sobre esse assunto. Em O Livro dos Espíritos, nas perguntas de 344 a 360, e especialmente a 358, há muito material didático para essa reflexão. Além dessa Obra Básica, existem dezenas de outras obras complementares que falam sobre esse assunto, cito mais uma, “Deixe-me Viver”, do espírito Luiz Sérgio. Diante desta temática, agora eu pergunto, e você, qual o seu posicionamento sobre o aborto? Você tem alguma opinião ou deseja ter? Seja sincero consigo mesmo. Se você é um jovem e a sua namorada de repente engravida, o que tem vontade de fazer?. E se você é essa jovem namorada que engravidou, o que fará? Quando não estamos nessa situação, é comum “de bate pronto” dizermos que é um absurdo cometer um aborto, mas e na hora que somos testados? Será que teremos coragem de assumir o papel da paternidade e maternidade ou abortaremos?

Parte das pessoas, diante de uma gravidez, mesmo que indesejada, assume o filho, ou pelo menos a mãe assume – já que há homens que deixam suas parceiras “na mão” – pois algo dentro de si faz pensar que esse seja o melhor caminho, mesmo que isso implique mudar o seu estilo de vida, assumindo assim a responsabilidade e consequência de uma relação sexual sem o uso de métodos contraceptivos ou sem o uso correto. Outro grupo assume o filho, mas a vontade realmente é abortá-lo, e só não o fazem porque têm medo, medo de serem presos talvez seja um pequeno número, a maioria não faz porque têm medo de morrerem durante o aborto, ou das consequências graves para a saúde. Um terceiro grupo, é favor do aborto e o praticam, pois acima de tudo não querem que o filho não programado venha atrapalhar a sua vida.

Hoje com a lei que proíbe o aborto, os locais de aborto ou métodos abortivos são muito arriscados, e com a legalização teoricamente se espera que as condições de aborto melhorem e apresentem menos riscos às mulheres, porém nos Estados Unidos da América, onde o aborto é liberado, o número de mulheres mortas ou com sequelas graves por cometeram aborto é muito grande, ou seja, não houve uma queda brusca do risco como se imaginava. Mas então, será que o melhor caminho é o aborto? Será que não se está querendo tratar o efeito, se esquecendo da causa origem da situação? “Amanhã” se o aborto for liberado, aqueles que não o cometem por medo, passarão a cometê-lo pois ao não ser mais crime, o aborto passará a ser um direito, e poderão exigir isso, imaginando que terão mais condições do que hoje. Lembremos atualmente quais são as condições da saúde pública… Uma situação que virá a surgir com a liberação é que a mulher que não quiser abortar, ou vice-versa, poderá sofrer pressão do parceiro ou parceira para fazer o aborto, pois ele ou ela terá esse direito, e no caso da mulher não querer, dificilmente conseguirá ter a sua opinião respeitada sobre a do parceiro, que por ser homem, através da violência moral ou física prevalecerá sobre a mulher.

Pensemos realmente nesse assunto, pois todos nós estaremos sujeitos as suas consequências, mesmo que formos contra, porque ao convivermos em sociedade, todos seremos direta e indiretamente afetados com a liberação do aborto, e dentre as diversas consequências, uma que o espiritismo nos faz entrever é que muitos que deveriam nascer e que fariam parte da nossa vida, não nascerão ou irão ter muita dificuldade de conseguir nascer, implicando numa grande reação em cadeia. Será que vale a pena tudo isso? Será que não iremos adiar ainda mais a transformação da Terra num mundo de Regeneração, onde seremos mais felizes?

Nesse momento somos chamados a nos manifestar sobre essa questão. Aquele que se omitir, já está tomando a sua decisão e será corresponsável caso a lei seja aprovada.

Jesus disse que :”Não fazer o bem é fazer o mal”. ‘Como ajudar então?’, você pode estar se perguntando. Bem uma das inúmeras formas é divulgar que esse projeto de lei está para ser votado; uma outra forma mais direta, é participar de um abaixo assinado, que em São Paulo, a USE está realizando nos centros que aderiram a esse manifesto, no sentido de protestar contra esse projeto, e a sua assinatura é a materialização do seu repúdio a essa lei da morte, onde com isso, teremos mais forças para pressionar os deputados favoráveis ao aborto, a não provarem esse projeto.

O momento pede muita a nossa atenção, se omitir pode custar vidas. Participe e diga sim a vida, do contrário, só Deus sabe quais serão os efeitos de não cumprimos a Sua, que é a Verdadeira, Lei. Se eles pudessem falar, com certeza os bebês diriam “Não me matem, deixe-me viver!”

Para saber mais: O projeto lei 1135/1191 pode ser visto na íntegra pelo site: www.camaradosdeputados.gov.br Ao lado direito da tela, procure pelo número do projeto lei e assim você irá encontrá-lo na integra.

Fala MEU! Edição 34, ano 2005