Conscientização

Será o fim do aborto?!?!

Autor: Rodrigo Prado

Matéria de capa na edição 34 do FM!, de dezembro de 2005, o assunto aborto trouxe à tona os bastidores da Câmara dos Deputados, em Brasília, onde se fazia um grande esforço para que o projeto 1135/1991, legalizando o aborto até os nove meses de gravidez, fosse aprovado. Na época, o amigo Thiago que fez o editorial daquela edição escreveu que “é um pouco chato as vezes falarmos sobre isso, parece, só parece, que é algo assim meio redundante, mas você pode ter certeza que não é.”, e felizmente o FM! não só achou que não era chato, quanto muito menos redundante o assunto, pois após essa edição, outras várias edições (37ª mar-2006, 48ª fev-2007, 49ª mar-2007, 50ª abr-2007, 57ª nov-2007) trouxeram artigos e matérias sobre o aborto – que recomendo a leitura ou releitura devido a ser um rico material para aprendizado e reflexão, sem contar ainda outras edições que acabaram pincelando essa temática. Isso é só pra gente ter uma ideia do quanto esse assunto está presente em nossas vidas, e sem dúvida, nisso tudo a influência positiva dos Camaradas do além se fez e faz presente, onde preocupados com o rumo dessa questão no nosso planeta, não mediram esforços para que nós encarnados, tratemos esse assunto do aborto com a seriedade que ele merece.

De dezembro de 2005 pra cá, muitos esforços foram realizados, as ações contra a legalização do aborto não ficaram felizmente apenas na teoria dos artigos, milhões foram as pessoas que arregaçaram as mangas e foram à luta, à luta pelo direito à vida, pelo direito de nascer, dos milhares de espíritos que reencarnarão nesse planeta, no nosso Brasil, e que virão dar a cor da Nova Era que aos poucos estamos adentrando. Além dos artigos, como disse, centenas de palestras foram realizadas ressaltando a importância do direito à vida; milhões de assinaturas foram recolhidas nos abaixo assinados contra a legalização do aborto; diversas comissões foram montadas Brasil a fora para cobrar uma atitude positiva das autoridades; manifestos públicos vários foram realizados, como os na Praça da Sé, em Março de 2007 e 2008 na capital paulista, assim como em outras capitais no país; foi montada a Frente Parlamentar em Defesa da Vida, onde várias religiões se uniram para ganharem força e dizer NÃO ao aborto e SIM à vida; enfim, as ações foram inúmeras, e muitas delas nem aqui estão descritas, mas cada gota de suor, cada centavo gasto, cada minuto de tempo, de paciência, fé, esperança, não foram em vão, o SIM à vida companheiros, venceu! O tal projeto lei de legalização foi para votação em abril último e perdeu por maioria de votos, e felizmente mais um passo demos rumo ao planeta de Regeneração. Essa notícia para mim foi maravilhosa, e enquanto escrevia esse artigo, os olhos de lágrimas se encheram, devido à emoção que fui tomado relembrando tudo o que ocorreu durante esse tempo, imaginando também o quanto não deve ter sido emocionante para a amiga Dra. Marília de Castro e sua equipe, que batalharam muito no Estado de São Paulo por esse ideal, indo e vindo de Brasília algumas vezes para defender essa causa. Parabéns a todos, mas acima de tudo o nosso reconhecimento ao Mestre e seus Trabalhadores do Além, pelo fortalecimento de quantos acreditaram que esse era o melhor caminho, vejo isso como mais um bom sinal das várias mudanças que estamos passando.

Dito tudo isso, então podemos ficar tranquilos agora, pois o aborto é uma coisa do passado? Ninguém em sã consciência dirá que sim, porém por mais que isso seja óbvio, a experiência costuma mostrar que passada a pressão, a gente relaxa e voltamos à rotina, e isso é exatamente o que não devemos fazer, pois abortos continuam acontecendo, cerca de 8.625 mães irão morrer até o final do ano, e um número três vezes maior, 34.500 serão os fetos abortados, lembrando que esse número é uma estimativa, já que números oficiais não existem, e que infelizmente o número de abortos seja talvez o dobro disso.

O que fazer então para mudarmos essa visão do inferno para mães e filhos abortados, com consequente espíritos revoltados e obsediados, refletindo em mais problemas para a sociedade? Educação, é a mais sensata resposta, pois longe de tratar o efeito – o aborto -, irá tratar as dezenas de causas raiz que levam gravidez indesejada, e ao “consequente” aborto.

E que educação é essa? A orientação que todos deveríamos saber mas que poucos sabem, ou só tomam conhecimento depois que o “problema” já ocorreu. Parece piada, mas não é, muitos são os jovens e adultos que nunca ouviram falar de planejamento familiar ou mal sabem o que é isso, muitos outros já ouviram até falar de camisinha, mas não estão nem aí pra “essas coisas”, pois não sabem a real importância desse método que além de contraceptivo, é talvez o maior método preventivo às DSTs, doenças sexualmente transmissíveis. Mas para que se prevenir se até a AIDS tem cura atualmente? Pois é, parece absurdo essa afirmação, mas muitos jovens já acham que a AIDS tem cura, isso sem falar naqueles que querem pegar AIDS pois assim conseguem manter um corpo esbelto e se manterem em “forma”.

Galera, quando o assunto é sexualidade, a ignorância impera na sociedade e no meio da juventude principalmente. A mídia que poderia ajudar, no máximo fala da camisinha, raras são as iniciativas do governo e da mídia de esclarecer sobre o que é o sexo, sua importância, finalidade, consequências quando desregrado, etc, as propagandas, pelo contrário, só incentivam cada vez mais ao sexo desregrado e sem compromisso algum com o próximo. E esse problema só aumenta, quanto mais pobre e carente é a comunidade, um termômetro, são as inúmeras adolescentes e jovens que já possuem de 3 a 5 filhos antes de completar 24 anos, quem trabalha com comunidade carente sabe do que estou falando.

Amigos das mocidades, colaboradores dos centros espíritas, vamos trabalhar essa questão do aborto, mas principalmente a questão da sexualidade adequadamente em nossas Casas Espíritas? O movimento de mocidade de São Paulo vem dando alguns passos nesse sentido, e um passo importante foi dado em 2006, quando na COMJESP (Confraternização das Mocidades e Juventudes Espíritas do Estado de São Paulo), realizada em Rio Claro, estudou-se o temário “Sexo : não reprimir, nem aviltar! Educar.” ocasião onde os quase mil jovens presentes tiveram um aprofundando estudo sobre a questão do sexo, e que com certeza para quem participou, muito esclarecimento foi adquirido, internalizando muitos conceitos teóricos que as vezes parecem distante da prática.

Vamos estudar então, elaborar aulas, temários e palestras, onde de tempos em tempos tragamos para discussão esses temas, deixando de lado os preconceitos, os achismos, se baseando no rico material que o espiritismo nos traz, e uma coisa importante, principalmente nas mocidades, é que esses assuntos “vira e mexe” devem ser reabordados, mesmo que alguns participantes aleguem cansaço do tema, porém não podemos esquecer que o público de mocidade muda bastante, onde vários participantes diferentes chegam a passar pela mocidade e só permanecerem por alguns meses, sendo poucos aqueles que permanecem por anos, e assim a retomada de assuntos importantes é uma necessidade constante

Fala MEU! Edição 62, ano 2008