Opinião

Só por hoje

Autor: Leonardo Machado

O mundo, de fato, anda bastante conturbado. E, nesta balbúrdia, o que antes era tido como estranho ou vulgar, hoje se vai tornando normal. Além disso, valores e virtudes essenciais, porque esquecidos, tornaram-se, aos olhos do mundo, antiquados ou são mal interpretados. Felizmente, porém, há correntes na contramão disto tudo.

Como seja, a realidade é que ser jovem, mormente na atualidade, não é tarefa das mais fáceis, uma vez que, se antes as portas dos convites às ilusões estavam se abrindo ou mesmo abertas, hoje, costumo dizer, elas nem mais existem. Há somente, para facilitar o processo, um grande buraco, que, paulatinamente, vai sendo alargado por pessoas desavisadas.

Neste contexto, caro(a) amigo(a) de juventude, perguntas-me como podes fazer para continuar no caminho do bem, apesar dos imensos convites da humanidade. Às vezes, começas com vigor, mas os chamamentos aos desvios, dizem, são demasiados fortes que acabam levando-te a sair da rota, antes, traçada.

Realmente, é difícil. Mas será impossível vencer a si mesmo e caminhar de modo diferente?

Um compositor e cantor, famoso à sua época, chamado Renato Russo, líder de uma banda de rock – Legião Urbana -, segundo ele mesmo dizia em algumas de suas entrevistas, havia conhecido diversas coisas ruins em sua trajetória, como, aliás,

não é incomum no meio artístico. Entretanto, àquela altura, quando estava a lançar o CD “O descobrimento do Brasil”, ele já se encontrava cansado dos erros e, por isso, teve a ocasião de escrever uma música fascinante. “Só por hoje” era o nome dela e dizia, mais ou menos, assim – “Só por hoje eu não quero mais chorar / Só por hoje eu não vou me destruir / Aceitar o que passou e o que virá / Só por hoje vou me lembrar que sou feliz”.

Parece-me bastante verdadeira esta canção.

Desse modo, ao invés de te deixares cair na ilusão mundana só por alguns instantes para depois voltares desesperado ao caminho do bem tentando a purificação fácil, naquela velha dicotomia Carpe Diem ou Salvação, por que não fazeres diferente, ao menos só por um dia.

Só por hoje, então, tentemos resistir e fazer o oposto do que o mundo nos pede; amanhã, só por amanhã; depois de amanhã, só por depois de amanhã; e, assim, sucessivamente, ao longo de uma vida, teremos conseguido somar um grande número de “só por hoje” e ter agido melhor não só por um dia, ou por momentos, mas por toda uma encarnação.

Não se trata de esquecer o planejamento dos dias subsequentes. Em absoluto. Mas de colocar este sonho de “na segunda eu começo” para o segundo presente.

Dessa maneira, colega jovem, nos dias paradoxais no qual vivemos, lembremo-nos, constantemente, como disse Jesus (Matheus, 6:34), de que “a cada dia basta o seu mal”, e, portanto, não nos inquietemos em demasia pelo dia de amanhã, fazendo, assim, de nossa parte, as possibilidades que estão ao nosso alcance, hoje.

Fala MEU! Edição 70, ano 2008
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