Inclusão

Uma mãe de Down “Up”

Autora: Mônica Copola

Na realidade é difícil definir sentimentos e sensações!

Quando fui para a maternidade, aos 8 meses de gestação, rezava pra que ele sobrevivesse, pois foi um final de gravidez complicada e havia o risco forte dele não sobreviver.

O parto correu bem, mas quando ele veio pra que eu o amamentasse pela primeira vez, olhei para o rostinho do Bruno, e vi que ele era portador da Síndrome de Down (SD).

Minha irmã, que estava comigo naquele momento, disse que eu estava louca! No dia seguinte, na hora da alta, o pediatra, sem nenhuma cerimônia, nos avisou e mandou procurar especialistas.

Por sorte o Bruno não tem nenhuma das complicações que a SD traz com ela. O problema de coração é simples (CIA) e deve ser solucionado sem necessidade de cirurgia; retirou a vesícula com um ano; nunca teve pneumonia; era pouco hipotônico. Mas não é isso que interessa.

Quando o resultado do cariótipo (exame que determina a SD) chegou, enquanto me passavam o fax, ajoelhei e pedi a Deus que o resultado fosse negativo. Não foi.

Tive sim meu momento de luto, de revolta, de “porquês”. Por que comigo, o que eu fiz de errado? Será que é porque eu fumo, ou passei nervoso, ou sou muito velha (estava com 37 anos)?

Mas graças a Deus, me apaixonei pelo Bruno desde o primeiro instante e descobri no fundo do meu coração que se ele tinha que vir pra alguém, graças à Deus que foi pra mim! Aqui é o lugar dele. E meu lugar é ao lado dele.

É claro que, como sou humana, tenho meus dias de revolta. Não por mim, por ele. Por pensar no futuro dele, nas pessoas que não vão entendê-lo e vão tratar um ser tão maravilhoso com preconceito.

Pois é, em pleno século 21, preconceito ainda existe. Tem as pessoas que nos olham com piedade, com surpresa por vê-lo tão esperto, outras têm medo de pegar a SD, e tem os realmente preconceituosos.

Ouvi de minha “melhor amiga”, que eu não podia jurar pelo Bruno, pois ele era doente. As pessoas acham que SD é uma doença. Não é! E mesmo que fosse.

O preconceito que mais me afeta é o das pessoas próximas, com elas não sei lidar até hoje. De estranhos, não ligo. Disponho-me a parar e explicar, mostro o Bruno e rápido todos se apaixonam por ele.

Estava conversando com um amigo sobre rapto e ele disse que ninguém ia querer roubar meu filho, iam roubar o dele que era loiro e normal. Na hora quis morrer! Mas não consegui nem comentar. Este tipo de coisa me faz morrer por dentro, por pensar que não vou estar ao lado dele pro resto da vida. Mas o que me resta é rezar pra que as coisas mudem, enxugar as lágrimas e ir à luta por ele.

Minha família é maravilhosa, meu marido aceitou muito bem (até mais rápido que eu), e a escola que ele está desde os três anos é incrível. Relaciona-se muito bem com todos os coleguinhas, professores, familiares… É uma criança comum.

Quando o Bruno tinha um ano mais ou menos, fui convidada a fazer parte de um grupo na internet, onde estou até hoje e no primeiro encontro que participei conheci outras crianças de várias idades e seus pais! Saí de lá no céu. Até hoje eles são meu suporte. Conversamos sobre tudo, sem vergonha ou medo. Formamos uma família que corre em socorro do outro sempre.

Quem quiser dar uma olhada, aí vai nosso endereço:

http://br.groups.yahoo.com/ group/Construindocaminho/

Hoje meu filho está com quatro anos e seus sete meses. É teimoso, arteiro, sobe em tudo, agitado, só faz o que quer e quando quer, quando está de mau humor briga, bate nos cachorros, e quando vou dar bronca ele me diz com cara de anjo sem asas: mamãe e ti mu. É amoroso, inteligente, esperto, aprende com facilidade (o que interessa). Antes de dormir reza e olha pra cima e diz: ça babai éu (benção Papai do céu).

Com ele aprendi a dar valor às pequenas coisas, as pequenas conquistas, pois pra ele cada pôr do sol é uma dádiva, cada flor uma pintura, cada som uma música… Ele veio pra me ensinar a ser menos fútil e menos egoísta.

Quanto mais o tempo passa, mais vejo que as coisas não são como eu pensei que fossem. É só ter força de vontade, dedicação, paciência e amor. Muito amor, e isso é fácil. Amo meus dois filhos: Bruno e Victor igualmente, e mais que tudo.

QUER CONHECER MAIS A MÔNICA?

E-mail: vm-copola@uol.com.br

Blog do Bruno: www.bruninho-pepe.nafoto.net

Blog do grupo: www.construindocaminho.nafoto.net

“Ter um filho com necessidades especiais é um presente estranho. Não é um presente que eu desejaria a qualquer pessoa, mas eu jamais abriria mão de tê-lo recebido”.

Fala MEU! Edição 66, ano 2008
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