Conscientização

Vida, o maior de todos os direitos

Autor: Rodrigo Prado

“… matam-lhes a existência, antes que possam sorrir para as bênçãos da luz…” – Emmanuel

Inquestionável a afirmação acima, pois sem sua vida, como uma pessoa pode desejar algo ou sonhar? Estudar, conhecer vários lugares, pessoas, se divertir, namorar ou casar-se com a pessoa amada? Como a pessoa poderá se sentir feliz? Podem parecer algo distante de nós esses anseios, pois estamos vivos, e se não conseguimos fazer tudo o que desejamos, pelo menos muitas das nossas vontades conseguimos realizar, bastando para isso empregarmos determinação, esforço e mais uma porção de ingredientes que cada um aprendeu a manipular, para que as coisas aconteçam.

Por estarmos aqui na Terra, envergando um corpo físico, tivemos, temos e teremos a oportunidade de vivenciarmos diversas experiências, muitas maravilhosas e outras que gostaríamos de não ter passado por elas, mas todas foram e são fundamentais para o nosso processo evolutivo, e uma vez sem esses acontecimentos não seríamos hoje exatamente quem somos.

Sabedores da importância da vida, por que passamos a compreendê-la com o tempo, será que temos, então, razão ao querermos privar outras pessoas de experimentarem tudo isso? Com que direito, com que poder podemos agir? Não é isso que acontece toda vez que uma pessoa é executada ou quando um aborto é praticado, por exemplo?

34.500 é o número de abortos cometidos por ano clandestinamente

Pois bem, mais precisamente sobre a segunda questão, o aborto, escrevemos na edição nº34 do FM em Dezembro, um artigo sobre esse assunto, e como esse tema ainda continua em discussão no Congresso Nacional do Brasil, não podemos deixar de lado e simplesmente achar que o que tínhamos para fazer já foi feito e agora basta torcermos e esperarmos o resultado da votação.

Para se ter uma idéia de como o assunto em pauta vem sendo tratado na Câmara dos Deputados em Brasília, veja o placar a seguir dos diversos projetos de lei envolvendo esse tema:

Resumindo o quadro anterior, o placar está 9 a 6 para a liberação do aborto; mas, na verdade, está 9 a 0, isso porque o Projeto Lei 1135/91 visa fazer com que os 9 projetos a favor sejam aprovados e os 6 contra sejam simplesmente cancelados. Em suma, os projetos de legalização querem a permissão do aborto sob qualquer motivo e assim deixando de ser crime, não havendo punição para os envolvidos nesse processo.

As alegações dos deputados para a legalização são as mais diversas (deficiência, estupro, HIV, falta de condições financeiras, direito da mulher sobre seu corpo, vontade dos pais, etc); porém, parecem ou fazem questão de esquecer que a Constituição da República em seu artigo 5º diz que o direito à vida é inviolável, ou seja, não se pode transgredi-lo, tendo todos os o direito de viver, independente da vontade de outra pessoa, ou seja, esse direito é maior do que todos os outros, pois como dito no começo, sem a vida, nada mais faz sentido para uma pessoa.

Mais uma vez, eles querem usar a ferramenta da lei para tratar o efeito e não a causa do problema, pois um dos argumentos é que com a liberação do aborto, os cerca de 34.500 abortos praticados no Brasil deixariam de ser crime; sendo assim, logo começariam a ser realizados nos hospitais (públicos ou particulares) e assim 25% desse montante de mulheres, ou seja, 8.625, que abortam e que hoje morrem durante ou depois do aborto, deixariam de morrer e todos “viveriam felizes para sempre”.

Tratar o efeito e não a causa significa que se hoje 8.625 mulheres que fizeram o aborto morrem por ano, esquecem de dizer que um número três vezes maior que esse, isto é, 34.500 bebês estão sendo mortos nos abortos, e o fato de as mães não morrerem mais com a legalização, nem assim os bebês deixarão de ser mortos; e mais ainda, o número poderá aumentar, já que muitos novos abortos devem surgir com a legalização.

Além dessas informações que não constam nos projetos de legalização, há diversas que constam, mas que contradizem o simples bom senso, pois fazem uso de estatísticas que fogem à lógica e à razão, e mais ainda, estão fora da realidade brasileira.

É chegado o momento – e alguns até dirão que já passou da hora – de além de nos manifestarmos contra o aborto, seja lá em Brasília, seja questionando o nosso deputado, seja assinando o abaixo assinado promovido pela USE contra a legalização (que pode ser baixado no site www.use-sp.com.br) de cobrarmos do governo e de também participarmos ativamente, de medidas e projetos que venham a orientar a população quanto à questão do planejamento familiar, do uso de métodos anti-conceptivos, de orientação sexual adequada aos jovens, de políticas de geração de renda, e, principalmente, de educação de qualidade, pois sem educação um país não se torna uma nação. Com medidas estruturais como essas, o aborto deixará de ser um problema, ou seja, esse efeito deixará de existir, pois as reais causas do problema serão sanadas e a vida será finalmente valorizada como ela deve ser.

Fala MEU! Edição 37, ano 2006
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