Autor: Augusto dos Anjos (espírito)
Da morte estranha que devora as vidas,
Eis-me longe dos rudes estertores,
Sem guardar os micróbios homicidas
De eternos atavismos destruidores.
Tenho outro ser talhado pelas dores
De minhas pobres células falidas,
Que se putrefizeram consumidas
Com os seus instintos atordoadores.
Não sou o homúnculo da hominal espécie,
Da terrígena raça que padece
Das mais pungentes heteromorfias.
Mas contérmino à carne, que me aterra,
Envolvo-me nos fluidos maus da Terra,
E sou o espectro das anomalias.
Notas
1 – Desde os tempos mais antigos, a poesia tem sido uma ponte entre a alma e o infinito. No Espiritismo, ela encontra um campo fértil para inspirar, consolar e iluminar consciências, expressando em versos sentimentos que muitas vezes escapam à linguagem comum. Seja pela sensibilidade dos poetas encarnados ou pelas mensagens de origem espiritual que marcaram a literatura espírita, a poesia continua sendo uma valiosa ferramenta de reflexão, beleza e elevação do pensamento.
2 – A poesia acima, psicografada por Francisco Cândido Xavier, faz parte do livro Parnaso de Além-Túmulo


