Quando inclusão vira favor, o direito já foi negado
Quando falamos em inclusão, não estamos falando de gentileza, ajuda ou boa vontade.
Estamos falando de direito, de pertencimento e de participação plena na vida em sociedade.
Incluir não é fazer algo extraordinário. É garantir que ninguém fique de fora do que já deveria ser de todos.
Essa campanha existe para reforçar uma ideia simples e urgente: direitos não se agradecem — se respeitam.

Inclusão negada também aparece nos números
A exclusão não é sensação. É realidade comprovada por dados.
- Mais de 1 bilhão de pessoas vivem com algum tipo de deficiência no mundo.
- No Brasil, são cerca de 18,6 milhões de pessoas com deficiência.
- Aproximadamente 1 em cada 3 pessoas com deficiência não estuda, não trabalha e não tem renda própria.
- Em países de baixa renda, apenas 1% das crianças com deficiência tem acesso à educação formal.
Esses números mostram o impacto da negação de direitos — não de limitações individuais.

Direito só existe quando vira prática
Direitos só são reais quando funcionam na vida cotidiana.
A exclusão aparece quando:
- Não há rampas, elevadores, legendas ou audiodescrição.
- Ambientes digitais ignoram acessibilidade.
- Pessoas falam sobre alguém, mas nunca com ela.
- A oportunidade não chega, mesmo com capacidade.
Não é falta de estrutura apenas. É falta de compromisso com o direito do outro.

Respeito não depende do que é visível
Nem toda deficiência pode ser percebida à primeira vista.
Existem deficiências:
- Auditivas ou visuais leves
- Intelectuais
- Psicossociais ou neurológicas
- Relacionadas ao Transtorno do Espectro Autista (TEA)
Não ver não invalida a existência.
Respeitar não é opção. É obrigação.

Quando o desrespeito vem disfarçado de elogio
O capacitismo nem sempre é explícito. Muitas vezes, ele se esconde em frases comuns:
- “Nossa, nem parece que você tem deficiência.”
- “Que coragem sair sozinho.”
- “Tem certeza que dá conta?”
Essas falas reforçam a ideia de inferioridade.
Direito não precisa de aprovação. Precisa de respeito.

Direitos não transformam ninguém em espetáculo
Transformar a existência de alguém em motivação para outros é outra forma de desrespeito.
- “Se ele consegue, você também consegue.”
- “Ela venceu a deficiência.”
Ninguém precisa vencer o próprio corpo para merecer direitos.
Pessoas com deficiência não são exemplos. São cidadãos.

Direito ao trabalho também é inclusão
O acesso ao trabalho ainda é um dos direitos mais negados.
- Apenas cerca de 20% das pessoas com deficiência em idade ativa estão empregadas.
- Barreiras físicas, preconceito e falta de adaptação afastam talentos do mercado.
Cumprir cotas não basta.
Incluir é garantir condições reais de permanência, crescimento e respeito.

Inclusão não acontece pela metade
Não existe inclusão quando:
- O espaço não é acessível.
- A função não considera adaptações.
- A equipe não é preparada.
- A pessoa é isolada ou silenciada.
Direito só é direito quando pode ser exercido plenamente.

Mito ou realidade?
| Mito | Realidade |
|---|---|
| “Pessoa com deficiência é menos capaz.” | Capacidade não é definida pelo corpo. |
| “É melhor não falar sobre a deficiência.” | Ignorar é excluir. Perguntar com respeito é inclusão. |
| “Se tem acessibilidade, já está tudo certo.” | Inclusão é mais que estrutura: é convivência, voz e respeito. |
| “Todos com deficiência são iguais.” | Cada pessoa é única. Generalizar também é preconceito. |

Não é favor. Está na lei
No Brasil, a inclusão é um direito assegurado:
- Lei Brasileira de Inclusão – Lei nº 13.146/2015
- Cotas obrigatórias no mercado de trabalho para empresas com mais de 100 funcionários
- Acessibilidade obrigatória em espaços públicos e privados
Negar acessibilidade é negar cidadania.

Quando o direito é ignorado, a exclusão se repete
Pessoas com deficiência ainda são afastadas de:
- Espaços culturais
- Educação
- Mídia e representatividade
- Ambientes de decisão
Incluir também é escutar, dar voz e garantir protagonismo.

Direito se respeita nas atitudes diárias
Inclusão se constrói em gestos simples:
- Use linguagem correta e respeitosa.
- Diga pessoa com deficiência.
- Fale diretamente com a pessoa.
- Evite termos que infantilizam ou romantizam.
- Pense em acessibilidade física, digital e social.
Respeitar direitos é responsabilidade coletiva.

E o que o Espiritismo tem a ver com isso?
O Espiritismo ensina que somos espíritos em aprendizado — cada um com seus desafios, talentos e caminhos de crescimento.
As diferenças físicas são experiências temporárias, mas o valor do Espírito é eterno.
“Amai-vos uns aos outros.” — O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XI, item 3
Respeitar o outro é um ato de amor.
E amar é sempre o primeiro passo da evolução.
Quando o olhar muda, o mundo muda junto.
E um mundo com mais respeito e empatia é um mundo mais iluminado, justo e verdadeiramente inclusivo.

Fontes
OMS – World Report on Disability (2023)
ONU – Disability Inclusion Strategy (2023)
IBGE – Censo Demográfico 2022
Human Rights Watch – Disability Rights Reports
Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (Brasil)
O Evangelho segundo o Espiritismo — Allan Kardec (FEB, 2020)

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Esta campanha nasceu das conversas, dúvidas e inquietações dos jovens — e da inspiração da espiritualidade amiga. Hoje, é acessada por pessoas de diferentes países e culturas, tratando de temas que fazem parte da realidade do mundo inteiro. Cada campanha conecta seu tema principal à visão espírita de modo simples e acolhedor, tornando-se, para muitos, o primeiro contato com o conteúdo espírita.
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