Autor: Marcus De Mario
Uma característica predominante nos seres humanos é o relacionamento uns com os outros, através da convivência que tem início no aconchego familiar, estendendo-se pela sociedade em todas as circunstâncias, sejam elas profissionais, estudantis, culturais e sociais. Isso implica em reconhecer que, queiramos ou não, somos seres de relação, não sendo possível viver isoladamente, existindo não apenas uma interdependência entre as pessoas, mas igualmente uma necessidade de troca emocional, afetiva, intelectual e moral, que nos alimenta e reforça na caminhada terrena. Não é por outra razão que Jesus, o mestre por excelência, nos conclama ao “amai-vos uns aos outros”, estabelecendo o amor como base e garantia do melhor desempenho relacional, seja com quem for.
Todas as lições evangélicas partem do amor e chegam no amor; não é possível compreender e vivenciar o Evangelho sem amor no coração e nas ações. Eis que entendemos que evangelizar é muito mais do que ensinar o Evangelho, ou seja, é muito mais do que transmitir informações históricas ou do conteúdo de suas páginas, pois essa transmissão de conhecimentos pode ficar na superfície, se não leva o aprendiz a interiorizar na alma as vigorosas e profundas lições de vida que a Boa Nova revela. Mais importante, e o que caracteriza o verdadeiro ato de educar, é levar o educando a pensar, sentir e vivenciar o Evangelho, realçando os ensinos morais de Jesus, como muito bem trabalha o Espiritismo, revisitando o Evangelho a partir da imortalidade e da reencarnação.
Para o educando pensar, sentir e viver o Evangelho, a relação entre ele e o educador deve ser amorosa, afetiva, aconchegante, no compartilhamento dos ideais de fraternidade, solidariedade e tolerância, sem preconceitos e discriminações, sem interpretações manchadas por ideologias ou falseadas interpretações religiosas, que nada têm a ver com aquele que veio trazer-nos a pureza da lei e da justiça divinas, ambas alicerçadas no amor, não apenas ensinando, mas exemplificando a lei de amor.
Não se pode evangelizar com raiva, com ironia, com prepotência. O egoísmo e o orgulho são incompatíveis com o Evangelho. Diante desse código divino devemos realizar todos os esforços para receber a todos e tratá-los igualmente, pois todos temos os mesmos direitos, todos somos filhos de Deus, o que implica no reconhecimento de sermos irmãos, e irmãos devem manter uma ação relacional de compreensão e cooperação.
Não consta nas brilhantes páginas do Evangelho que Jesus tenha se recusado a atender este ou aquele, que tenha feito discriminação entre ricos e pobres, ou qualquer outro tipo de discriminação. Pelo contrário, a todos atendeu, ofertando ensinos e curas, esclarecimentos e consolações, distribuindo bênçãos mesmo a quem não gostava dele. Aceitou a oferta da refeição na casa de um fariseu doutor da lei, que claramente não lhe aceitava os ensinos; hospedou-se na casa dum publicano, judeu cobrador de impostos que era detestado pelos de sua raça; abençoou a mulher classificada como de má vida, que viera chorar a seus pés; esclareceu o jovem rico apegado ao status social, ofertando-lhe o caminho da verdadeira felicidade; mesmo diante das dúvidas e vacilações dos discípulos diretos, externou bondade, paciência e colaboração em todos os momentos. Subiu o monte e falou para milhares de pessoas vindas de todas as regiões, abençoando as crianças e realizando curas a cegos, obsediados, leprosos (hoje conhecidos como portadores de hanseníase), paralíticos, nada indagando de quem quer que o procurasse.
Por tudo isso, entendemos que evangelizar é um ato de amor, é uma ação de amar quem está conosco, seja uma criança, um adolescente, um jovem ou um adulto. Não importa sua origem social, sua cor de pele, sua religião, ou o que seja: é nosso irmão, é nossa irmã, e o Evangelho implica em amar a todos sem distinção.
O Espiritismo, em sua missão de alavancar a transformação moral da humanidade, entende que a ação a ser realizada é a de transformar moralmente cada ser humano, individualmente, e que isso somente pode acontecer através da aplicação da educação com base no Evangelho, motivo pelo qual incentiva o desenvolvimento do serviço de evangelização nas instituições espíritas, o qual deve predispor os educandos de todas as faixas etárias não apenas para conhecerem o Evangelho, mas principalmente para vivê-lo no relacionamento com os outros.
Disse o Cristo: “meus discípulos serão reconhecidos por muito se amarem”, e o que precisamos fazer é nos amar, é colocar o amor como nossa prioridade na vida humana, pois todo o resto é dependente do amor. Sem o amor tudo é vão, tudo é mentira, tudo é falsidade. Somente com o amor alcançaremos a paz de consciência e a verdadeira felicidade.



